Depois da interpretação e da aclamação internacional, Susan Boyle parece não ter pedido tempo ao adaptar-se a estas coisas da comunicação e das relações públicas. Tal e qual uma vedeta, a PR Week noticiou esta Segunda-feira que Boyle contratou os serviços de uma empresa de public relations, mais concretamente a DADA PR.
Se Madonna e "companhia" têm um suporte profissional na gestão da sua comunicação, por que não há de ter também esta desempregada escocesa de 47 anos que, além de ter mostrado o seu talento, provocou um turbilhão de emoções nas milhões de pessoas que a viram e ouviram?
Embora ainda não tenha o mundo a seus pés, Susan Boyle já conseguiu a proeza de colocar 50 milhões de pessoas a visualizar a sua interpretação no Youtube. E de acordo com a Sky News, o seu vídeo poderá tornar-se no mais visto de sempre naquela plataforma.
De acordo com a PR Week, a consultora da DADA PR responsável pelas relações públicas de Boyle será Elaine McLaren que, entre outras coisas, vai coordenar a entrevista com a Oprah e toda a solicitação da imprensa mundial.
Quando Susan Boyle entoou as palavras "I had a dream" da música "I Dreamed a Dream" dos Les Miserables, durante a sua interpretação no concurso Britain's Got Talent, o seu sonho já estava a concretizar-se. Público e júri, num gesto de reconhecimento pelo seu talento, mas também numa espécie de redenção pelo "cinismo" manifestado, ovacionaram de pé e de forma emotiva Susan Boyle.
O fenómeno Boyle que se propagou a todos os meios e plataformas de comunicação nos últimos dias, não tem apenas a ver com a descoberta de um novo talento, mas também com a redescoberta do signicado daquilo a que Lisa Schwarzbaum, do Entertainment Weekly, considerou como a "reordenação [do conceito] da medição de beleza".
Perante o choque da actuação e da atitude de Boyle, Schwarzbaum sintetiza o seu pensamento da seguinte forma: "In our pop-minded culture so slavishly obsessed with packaging -- the right face, the right clothes, the right attitudes, the right Facebook posts -- the unpackaged artistic power of the unstyled, un-hip, un-kissed Ms. Boyle let me feel, for the duration of one blazing showstopping ballad, the meaning of human grace."
Uma ideia corroborada pelas palavras que Piers Morgan, júri do concurso, dirigiu a Susan Boyle durante uma entrevista com o Larry King, na CNN, onde ambos estiveram presentes: "I'm sorry because we did not give you anything like the respect we should have done when you first came out. We thought you were going to be a bit of a joke act, to be honest with you."
A verdade é que o "cinismo" que um dos membros do júri do concurso referiu é resultado dos pressupostos que orientam a realidade comunicacional e a percepção das pessoas nas sociedades pós-modernas. Para estas, Susan Boyle é o "patinho feito".
Quase nos 50 anos, desempregada, deselegante, fisicamente feia, despojada de qualquer perfil cosmopolita, residente num "vilarejo", Susan Boyle, assim como milhões de pessoas, estava à partida fora de um mundo que idolatra uma certa ideia de beleza assente na imagem física e num glamour cosmopolita.
É por isso que Melanie Red escreve no The Times que um conto de fadas não poderia ser mais satisfatório do que isto. Mas, o mais importante, e como Red refere, é que este "patinho feito" não tem que se transformar em "cisne".
Porque Susan Boyle é um exemplo a seguir e uma força da natureza que deverá inspirar homens e mulheres que até então se têm sentido "punidas" por não serem "glamorosas" e serem apenas... "simples" pessoas.
Como a própria Susan Boyle diz, "as sociedades modernas são rápidas a julgar as pessoas pelas suas aparências", e espera agora que a sua história possa dar uma importante lição de vida.
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