Quinta-feira, 12 de Junho de 2014

Podemos

 

Formada nas redes sociais no início do ano, Podemos tornou-se a quarta maior força eleitoral de Espanha nestas europeias - e a terceira mais votada em Madrid - com uma mobilização clara e eficaz contra a "casta" que domina a cena política do país há quatro décadas. Conquistou mais de 1,2 milhões de votos, correspondendo a quase 8% dos votos expressos, e elegeu cinco eurodeputados.

Houve logo analistas que se apressaram a rotulá-la, procurando reduzir ao esquematismo das fórmulas já gastas pelo uso um fenómeno como este, que é novo. E complexo. E sintomático do desencanto de uma larga fatia dos cidadãos perante a representação política tradicional.

Este escrutínio de 25 de Maio deixou bem claro: ou os partidos mudam radicalmente ou verão fugir cada vez mais eleitores em futuras eleições. Em Espanha, PP e PSOE perderam em conjunto mais de cinco milhões de votos e recuaram cerca de 30 pontos percentuais face aos resultados de 2009. Funcionou como um sinal de alarme que deve ser levado a sério.

Entretanto vale a pena espreitar um dos spots de propaganda televisiva com a marca Podemos. Para se perceber como os votos começam a ser conquistados por esta via. Com profissionalismo e competência.

E aqui não há empates: ou se ganha ou se perde. Na televisão, quem concebeu esta campanha jogou para vencer. Como bem se vê.

publicado por Pedro Correia às 01:23
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Quinta-feira, 6 de Março de 2014

Um jingle histórico

 

Um minuto que se tornou histórico: este foi a primeiro jingle especialmente concebido para uma campanha eleitoral na televisão. Revolucionando a linguagem publicitária na política. Um jingle que pôs milhões de americanos a cantar "I like Ike" e foi uma peça fundamental na vitória do general Dwight Eisenhower na corrida à Casa Branca em 1952. O republicano derrotou claramente o adversário democrata, Adlai Stevenson, por 55,2% contra 44,3%, obtendo a maioria dos votos em 39 dos 48 estados.

publicado por Pedro Correia às 17:41
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Sexta-feira, 21 de Fevereiro de 2014

Ja som Ukrajinec

 

Na Ucrânia, por estes dias, não se luta apenas nas ruas e nas praças. As batalhas da propaganda política também são decisivas, com o recurso às novas tecnologias. Este vídeo, por exemplo, teve rápida difusão mundial: já recebeu 3,5 milhões de visualizações.

Dois minutos: não é preciso mais. Uma jovem chamada Yulia difunde a mensagem, clara e directa, recorrendo à técnica do vivo televisivo: "Queremos ser livres".

É quanto basta para o essencial ficar dito. E para o eco se propagar: "Ja som Ukrajinec".

Um marco na luta contra o Governo de Kiev. E uma lição de eficácia comunicacional também.

publicado por Pedro Correia às 16:33
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Terça-feira, 26 de Abril de 2011

Mayday Lisboa em modo Pedro e o Lobo de Esopo

O movimento MayDay Lisboa, decidiu fazer mais uma acção de guerrilha comunicacional, mas desta vez tendo como alvo bem directo a imprensa, tendo, através de comunicado, informado que iriam ter uma reunião / audiência com a troika. Este comunicado fez notícia.

 

Mas afinal tudo não passava de uma reunião fictícia e o objectivo era, em frente ao Ministério das Finanças demonstrarem o seu protesto pela presença da troika em Portugal.

 

Se por um lado, de forma criativa, conseguiram prender a atenção dos media e criar buzz em torno do movimento, fica agora a pergunta: numa próxima oportunidade irá a imprensa levar um comunicado do movimento a sério?

 

publicado por Rodrigo Saraiva às 20:08
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Segunda-feira, 31 de Janeiro de 2011

Leni Riefenstahl, a genialidade da propaganda política

 

Poucos, como a cineasta alemã Leni Riefenstahl (Berlim, 1902-2003), terão utilizado de forma tão genial a sua arte ao serviço de um regime político. Riefenstahl veio encorpar o conceito de propaganda política para uma dimensão artística quase transcendente, tornando-a uma das maiores realizadoras femininas do século XX, embora as suas orientações políticas a tenham condenado a uma ostracização aos olhos da sociedade alemã.

 

Amiga pessoal de Adolf Hitler e figura proeminente no Terceiro Reich, Leni Riefenstahl enquadrou toda a sua obra durante este período na doutrina dominante do regime. E mesmo muitos anos mais tarde, o autor destas linhas recorda-se de ver um documentário, no qual Leni tinha alguma dificuldade na análise objectiva do que se tinha passado durante o regime Nazi na Alemanha. Chegou a confessar que se sentia fascinada pelo nacional socialismo, mas que desconhecia a política de extermínio dos judeus em curso, assim como a existência de campos de concentração.

 

A sua proximidade ao regime e, que este autor tenha conhecimento, a ausência de remorsos e de desculpas, fizeram dela uma personagem pouco “simpática”, apesar de muita da imprensa internacional lhe reconhecer o pioneirismo e a inovação das suas técnicas cinematográficas. Mesmo na Alemanha esse reconhecimento existiu.

 

Considerada a sua obra prima, Triumph des Willens (diz a Wikipédia que o nome foi atribuído por Hitler) projectou na tela a ideologia Nazi e, sobretudo, a visão que o Fueher tinha da sociedade.

 

Filmado durante um comício do Partido Nazi em Nuremberga, em Setembro de 1934, aquele filme, lançado um ano depois, ganhou vários prémios internacionais

 

Riefenstahl estudou pintura e iniciou-se na dança, tendo sofrido uma lesão no joelho que pôs fim, diz a sua biografia no site oficial, a uma carreira brilhante. Mas é a partir daí que encontra o seu caminho de sucesso enquanto actriz, realizadora e produtora.

 

Começa a trabalhar nos anos 30, granjeando prestígio e fama, que culmina com o Triumph des Willens.

 

Em 1938 surge Olympia, mais um instrumento grandioso de propaganda do regime Nazi. Um documentário sobre os célebres Jogos Olímpicos de Berlim de 1936, que se tornou numa referência na cobertura fotográfica e cinematográfica desportiva. Por exemplo, foi a primeira realizadora a utilizar carris para colocar as câmaras de modo a que pudessem acompanhar os atletas. Entre os atletas filmados, estava um chamado Jesse Owens, que viria a protagonizar um dos momentos mais importantes em termos políticos e sociais no desporto do século XX.      

 

A genialidade de Riefenstahl acabou também por ser a sua condenação pública após o fim da II GM, jamais libertando-se da imagem de propagandista oficial do regime Nazi.

 

Seja como for, e depois de ter estado presa, Leni Riefenstahl conseguiu prosseguir a sua carreira com bastante sucesso, não só como cineasta, mas também como fotógrafa, acolhida na elite mundial com reportagens e trabalhos de grande valor artístico e técnico.   

 

Leni Riefenstahl manteve-se profissional e socialmente muito activa quase até ao fim da sua vida. A 8 de Setembro de 2003 morre com 101 anos, e deixou para a história um dos trabalhos artísticos mais geniais de propaganda política.

 

*Publicado aqui.

 

publicado por Alexandre Guerra às 20:18
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