Terça-feira, 15 de Novembro de 2011

A criatividade da PJ

 

Sou a favor de premiar a criatividade e desta vez a minha escolha recai sobre a PJ e o nome da operação "Guns N Roses".

 

Muito resumidamente, a operação era relativa a tráfico de armas e envolvia uma cartomante de nome Rosa...

 

Não sei quanto a vocês, mas eu cá acho o nome genial!

publicado por Virginia Coutinho às 11:17
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Segunda-feira, 21 de Julho de 2008

Que tanta falta fez à PJ uma consultora de comunicação

A Procuradoria-Geral da República (PGR) anunciou esta Segunda-feira o arquivamento do inquérito do mais mediático caso policial em Portugal. Ao fim de 14 meses após o desaparecimento da criança Madeleine MacCann, a investigação criminal, através da Polícia Judiciária, não conseguiu encontrar provas suficientes que sustentassem a continuidade do processo.

 

Uma das grandes consequências é a de que o caso "Maddy" foi desvastador para imagem da Polícia Judiciária. Em grande parte devido à ausência de uma estratégia profissional de comunicação que desse resposta a um cenário de crise, no qual uma instituição, neste caso a PJ, estava a ser posta à prova nacional e internacionalmente.

  

Meses depois do desaparecimento de "Maddie", uma  fonte privilegiada da Polícia Judiciária revelava ao autor destas linhas (então noutras aventuras profissionais) que a "pressão mediática chegou a condicionar os procedimentos de investigação".  Dizia essa mesma fonte que os inspectores se sentiram obrigados a agir para "mostrar serviço".

 

Com isto, percebe-se que a PJ não tinha capacidade para lidar com as solicitações insistentes dos meios de comunicação social nem estava dotada de qualquer mecanismo ou ferramentas que lhe permitisse controlar o fluxo de informação entre a instituição e a opinião pública.   

 

A tristemente célebre conferência de imprensa no Algarve, na qual o "improvisado" porta-voz da PJ, o inspector-chefe Olegário Sousa, perdeu o controlo total da situação, chegando ao ponto de ser "atacado" pelos jornalistas que não hesitaram em retirar-lhe intempestivamente os papéis das mãos, é o melhor exempo disso.

 

Por incrível que pareça, e segundo a mesma fonte, o "speaker" foi escolhido por ser o único inspector no Algarve que estava em condições de proferir algumas palavras em inglês. Ora, qualquer consultor de comunicação perceberia de imediato que aquele inspector estaria literalmente a ser lançado às "feras", prejudicando claramente a imagem da instituição que representava.

 

Colocar uma pessoa sem qualquer experiência de comunicação à frente de um batalhão de jornalistas ingleses e portugueses sedentos de informação é puro suicídio mediático.

   

Por isso, a mesma fonte sublinhava que o principal problema da PJ não terá sido técnico -- ou seja ao nível dos procedimentos (embora se admitam erros), porque a verdade é que este tipo de casos tem índices de resolução muito baixos em qualquer parte do mundo. Assim, o grande problema foi sobretudo de comunicação.

 

A PJ demonstrou não estar ajustada a uma realidade mediática à qual é impossível escapar. É por isso que a consultoria de comunicação se assume, cada vez mais, como um vector estratégico para empresas, entidades e instituições, porque lhes permite lidar com a tal realidade mediática de forma eficaz e eficiente.

 

Esta constatação conduz, assim, a uma única e lógica conclusão: que tanta falta fez à PJ uma consultora de comunicação em todo o processo do caso "Maddie".

 

Há poucos dias em conversa com um jornalista discutia-se precisamente essa questão: Como é possível que  uma instituição como a PJ não tenha uma estratégia de comunicação montada e bem definida?

 

Uma pergunta para a qual este autor ainda não encontrou resposta. 

publicado por Alexandre Guerra às 22:38
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