Comunicados do PP de 31 de Janeiro e de 9 de Julho
Depois do El País ter divulgado, a 31 de Janeiro, informação que espoletou o "caso Bárcenas", sobre alegados financiamentos ilícitos ao PP espanhol, hoje foi a vez do El Mundo dar a conhecer documentos originais do antigo tesoureiro dos populares.
Como em qualquer situação de gestão de crise, o gabinete de comunicação do PP entrou em acção rapidamente. Em Janeiro tinha enviado para as redacções um comunicado reactivo, um procedimento que voltaram a repetir hoje.
O problema é que o El País foi comparar os dois comunicados e o resultado não é abonatório para os homens da comunicação do PP. Exceptuando algumas nuances, os dois comunicados são praticamente idênticos, verificando-se apenas um "bailado de parágrafos".
Quem está habituado a fazer comunicados de imprensa, achará normal que se recorra a informação "validada" já utilizada e que, aparentemente, possa ser "requentada" numa nova situação que surja. Nestes casos é usual, inclusive, recorrer-se ao tal "bailado de parágrafos", acrescentando-se pelo meio alguma informação "fresca", alterando umas datas e alguns dados.
A questão é que em situações sensíveis exige-se mais solenidade na resposta, sendo aconselhável que os documentos sejam feitos de raiz. Além de ser uma forma de dignificar o momento comunicacional, pode também evitar-se situações embaraçosas, como aquela que o El País expõe.
A fotografia tirada por Issouf Sanogo da AFP a um soldado francês no Mali está a gerar polémica e a provocar uma crise de comunicação militar em Paris.
O presidente da Câmara de Silves, Rogério Pinto, admitiu no Primeiro Jornal da SIC, deste Domingo, que, afinal, o valor de 5 milhões de euros inicialmente avançado por ele para quantificar os estragos do tornado foi dito de "cabeça quente".
Parece que, no fim de contas, razão tinha o ministro da Administração Interna, Miguel Macedo, quando disse "que não valia a pena estar a atirar valores para ar" sem primeiro se fazer um levantamento (o que obedece à lógica mais elementar da comunicação).
Uma das regras basilares em "gestão de crise" é precisamente a de nunca comunicar de "cabeça quente", sem se ter a certeza daquilo que se está a informar.
Fica aqui a lição (e de borla) para os autarcas mais precipitados.
"Due to the seemingly insurmountable evidence that Lance Armstrong participated in doping and misled Nike for more than a decade, it is with great sadness that we have terminated our contract with him. Nike does not condone the use of illegal performance enhancing drugs in any manner.
Nike plans to continue support of the Livestrong initiatives created to unite, inspire and empower people affected by cancer."
Um dos segredos para quem faz comunicação institucional, nomeadamente, na área de gestão de crise, é a capacidade de simplificar aquilo que à partida parece complexo.
Quanto mais complexo o problema mais simples deve ser a resposta, de modo a evitar que se comunique ruído desnecessário.
Hoje, a Nike, através de um press release sucinto, simples e objectivo resolveu, de forma eficaz, um gigantesco problema que estava a tornar-se insustentável para a imagem da marca.
Este tipo de resposta seria impensável nalgumas organizações empresariais cá do burgo, já que as mentes iluminadas que por ali pululam gostam de se entreter com ornamentos e adereços na elaboração de um documento, esquecendo-se da importância da simplicidade na hora de comunicar.
Depois da Virgínia, é agora a vez do Rodrigo ser um dos oradores da conferência "Comunicação de crise - perspectivas sectoriais", organizada pela Unidade de Ciência Política do ISCSP, no próximo dia 28 às 18h00, no piso 0 daquela instituição.
A conferência, que contará com a participação de vários profissionais ligados a diferentes áreas da comunicação, vai tentar responder a várias perguntas, tais como: "Gerir uma crise do ponto de vista comunicacional é igual, quer se trate de uma crise no meio desportivo, empresarial ou político? Há diferenças no método, na abordagem aos media, nos recursos utilizados?"
A apresentação da conferência ficará a cargo do professor Manuel Meirinho. A entrada é livre.
"A doença é transformada em cura", uma ideia materializada na paciente/psicanalista Sabina Spielrein, retratada no último filme de David Cronenberg, "Um Método Perigoso", e reforçada pelo próprio numa entrevista publicada ontem pelo Expresso.
É uma mulher que entra doente numa clínica na Suíça e, anos mais tarde, esbate as suas debilidades e fragilidades para se colocar numa posição de força. E não tivesse sido morta pelos nazis, talvez se tornasse na "primeira grande mulher psicanalista [...], talvez tivesse sido tão influente para o século XX como foram Freud e Jung", sublinha Cronenberg.
O importante aqui é perceber que da mesma forma que a doença pode ser transformada em cura, também a crise pode ser transformada em oportunidade, sobretudo nos difíceis tempos que se vivem. Uma comunicação de gestão de crise digna desse nome tem em vista, precisamente, esse fim.
O percurso não é fácil, pode ser turtuoso e frustrante, mas com criatividade, competência, conhecimento e determinação o processo vai-se desenrolando. Este é aliás um dos pontos mais interessantes do filme de Cronenberg, que permite ao telespectador constatar a evolução do processo ou, se o leitor preferir, do método.
O problema é que a maioria das empresas e das instituições tem pouca sensibilidade para este tipo de comunicação e esquece-se que existe um método a ela associado, só se lembrando que afinal a gestão de crise existe quando o fogo já vai com as labaredas bem altas.
do métier
o que é nacional é bom
directórios
torre do tombo
lá por fora
David Brain's Sixty Second View
bibliotecas
movimentações
fora da caixa