Terça-feira, 20 de Outubro de 2009

Private sector diplomacy

Qualquer agente que opere na área das public relations, dotado de uma dose mínima de conhecimento, chegará facilmente à conclusão de que a dinâmica comunicacional na sociedade em sentido lato sofreu profundas alterações nos últimos anos. Seja quais forem os portadores ou receptores da mensagem, todos, desde pessoas, empresas, instituições, organizações, governos, ou outro tipo de entidades, procuram responder aos desafios daquilo que David Brain chama de “esfera da informação cruzada”.

 
O advento de novos paradigmas e ferramentas tecnológicas no princípio dos anos 90 (uma temática tão bem explicada pelo sociólogo Manuel Castells na sua célebre obra a Era da Informação) promoveu uma evolução comunicacional que se foi exprimindo desde a sua vertente global até às realidades mais micro. 
 
As empresas, o sector da sociedade que constitui a maior fatia de clientes das consultoras de comunicação, não fugiram a essa metamorfose e já há muito se percebeu que a ostentação do lucro, enquanto fonte de matéria-prima noticiosa para a valorização empresarial, é hoje apenas uma parte da equação.
 
Na verdade, o envolvimento de determinada empresa com os seus vários públicos, sejam eles clientes, colaboradores, accionistas, credores, entre outros, tem de ser feito a vários níveis, o que requer um esforço comunicacional mais complexo, integrando diferentes variáveis. 
 
Richard Edelman, Presidente e CEO da Edelman, em entrevista à McKinsey Quarterly toca precisamente nesse ponto ao avançar com o conceito de private sector diplomacy que, de certa forma, encontra inspiração na public diplomacy (o paralelismo é da responsabilidade do autor destas linhas).
 
Repare-se no seguinte exemplo: Quando na ressaca dos atentados de 11 de Setembro alguns analistas avisaram a administração de George W. Bush de que a América precisava de uma nova abordagem de relacionamento e de envolvimento para se enquadrar à sua nova realidade de “guerra ao terrorismo”, uma das medidas que estava em causa era a implementação de “uma comunicação mais eficaz das políticas norte-americanas”. Ou seja, não bastava colocar homens no terreno de conflito para derrubar regimes e aniquilar terroristas.
 
Leia-se agora o que escreveu Peter G. Peterson, antigo Secretário do Comércio de Richard Nixon, na edição da Foreign Affairs de Setembro/Outubro de 2002: “No foreign policy can succeed without a sustained, coordinated capability to understand, inform, and influence people and private organizations, as well as governaments.”
 
Ora, com pequenas nuances, esta fórmula é perfeitamente válida para uma empresa que veja na comunicação uma verdadeira estratégia para criar valor.  Ou seja, segundo Edelman, a private sector diplomacy é: “The range of actions and behavior that companies can use to engage the widening network of consumers, organizations, communities, and governments that make up stakeholder groups.”
 
É por isso que Richard Edelman defende que a private sector diplomacy deverá ser uma relação constante de negociação e de diálogo entre as empresas e três sectores fundamentais: ONG, comunidades e sindicatos/associações.
 
Desta relação comunicacional constante, mas transparente, há-de acabar por verificar-se uma regulação da actividade do mercado, que beneficiará a empresa e o consumidor. Porque, como diz Edelman, e sustentado no estudo Good Purpose, hoje em dia os consumidores já estão dispostos a pagar mais por um produto com uma “boa história”.
 
publicado por Alexandre Guerra às 07:18
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