
O Thomas Friedman escrevia ontem no The New York Times, a propósito da actual crise financeira, que tinha um amigo que regularmente o relembrava de que se uma pessoa se atirar de um edifício de 80 andares, durante 79 pisos poderá acreditar que de facto voa. O problema é quando chega ao chão, onde encontrará uma brutal e trágica realidade.
O autor destas linhas pede este imagem "emprestada" ao amigo de Friedman para fazer uma analogia com o processo que neste momento está em curso para a prossecução dos Objectivos do Milénio (ODM), nomeadamentes aqueles que estão relacionados com a pobreza extrema em África.
Quando em Setembro de 2000, na histórica Assembleia Geral das Nações Unidas do Milénio, os líderes mundiais subscreveram a Declaração do Milénio estavam a compromoter-se com oito objectivos concretos em várias áreas, especificamente no combate à pobreza.
Lê-se no documento que até 2015 se pretende "reduzir para metade a percentagem de pessoas cujo rendimento é inferior a 1 dólar por dia" e "para metade a percentagem da população que sofre de fome".
Na altura e nos anos seguintes acreditou-se que era possível "voar", ou seja, que seria exequível o cumprimento do primeiro objectivo, havendo hoje quem ainda pense que tal é alcançável. Mas, 2015 vai ser o ano de confronto com a dura realidade.
É verdade que o relatório deste ano da ONU sobre a evolução dos ODM constata alguns avanços, mas dificilmente se conseguirá cumprir o que foi assinado em 2000. Por exemplo, é quase certo que não se vai reduzir para metade a proporção de pessoas que vivem na África subsariana com menos de um dólar por dia.
Isto não significa que o mundo baixe os braços e que se resigne ao falhanço de alguns ODM. Pelo contrário, é preciso sublinhar os feitos positivos que já foram alcançados no âmbito dos ODM e reforçar o empenho e a vontade de toda a comunidade internacional.
O primeiro passo pode ser dado já nos próximos dias 17 e 19, em que vai decorrer mundialmente a campanha da ONU Stand Up Against Poverty, na qual cada pessoa terá a oportunidade de contribuir de forma concreta para a prossecução dos ODM e, assim, estar a ajudar no combate à pobreza.
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