Sexta-feira, 19 de Julho de 2013

Sugestão de fim-de-semana

Inaugurada a 17 de maio e disponível até 27 de outubro, a exposição temporária "O Consumo Feliz", do CCB, é um must see para quem gosta de comunicação e de publicidade.

 

A exposição O Consumo Feliz: Publicidade e sociedade no século XX apresenta uma seleção de mais de 350 obras da Colecção Berardo de Arte Publicitária, que no total reúne um conjunto de cerca de 1500 exemplares. 


 


 

 


Fui e recomendo!

publicado por Virginia Coutinho às 14:09
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Terça-feira, 5 de Julho de 2011

Formas de comunicar

 

comunicar 

v. tr.
1. Pôr em comunicação.
2. Participar, fazer saber.
3. Pegar, transmitir.
v. intr.
4. Estar em comunicação.
5. Corresponder-se.
v. pron.
6. Propagar-se.
7. Transmitir-se.
(Fonte: Dicionário Priberam da Língua Portuguesa)

A música é, sem dúvida, uma excelente forma de comunicação, e é sobre a mesma que queria falar hoje. Ontem assisti a um concerto absolutamente fantástico no "Festival ao Largo".

O grupo musical, de nome "Ensemble Tuva", é originário dessa zona da Rússia, sendo que as suas músicas são essencialmente inspiradas na Natureza. O espectáculo foi fenomenal e não deixou ninguém indiferente à mensagem tão (inexplicavelmente) forte.
Fica aqui um exemplo de uma das músicas e a sugestão para que assistam ao seu (último) concerto eesta noite, às 22h.
publicado por Virginia Coutinho às 10:41
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Quarta-feira, 19 de Janeiro de 2011

Este é um texto sobre comunicação, de então e de agora

David com a cabeça de Golias, Caravaggio

 

Infame, polémico, enigmático, lunático, perverso, e muitos outros adjectivos se aplicariam justamente a Michelangelo Merisi da Caravaggio (1571-1610), um pintor que viu a sua arte ao serviço da estratégia de comunicação do poder instituído.

 

O seu quarto, espartano, foi uma espécie de estúdio, onde recriou situações e modelos. Todos os detalhes passavam para a tela e nenhum pormenor se perdia no processo artístico. Pelo contrário, Caravaggio tornava mais apelativa e bela toda a informação que apreendia com os seu sentidos e transportava com os seus pincéis.

 

Embora tenha começado a sua carreira em Milão, foi em Roma que ganhou influência e estatuto ao serviço do poder papal, colocando a sua arte como instrumento de public relations em plena Contra-Reforma. A arte religiosa era procurada pelo Vaticano para passar a sua mensagem, e estava disposto a pagar quantias avultadas pelas comissões de artistas.

 

Mas, o Vaticano sabia também que para a sua mensagem passar era necessária uma nova abordagem na forma de comunicar os valores católicos para travar a incursão protestante. A fórmula utilizada até então já não resultava. Pouco agressiva e impressionante.

 

É aqui que surge Caravaggio, com o seu registo naturalista, dramático, teatral, objectivo e cru. É um homem que se “desprende de todos os ornamentos artificiais” e se preocupa mais com a realidade, devolvendo “a carne e o sangue às suas figuras”, escreveu Giovanni Pietro Bellori, em 1672.  

 

A sua fase inicial, marcada por uma pintura “doce e pura” e através da qual alcançou o prestígio, foi fundamental para o próprio Caravaggio “provar a ele próprio ser um excelente colorista da Lombardia”.

 

Porém, escreve Giovanni Pietro Bellori: “But he soon moved on to the other dark style driven to it by his own temperament” (semelhanças com aquilo que foi escrito há uns tempos neste espaço?).

 

Foi graças a este percurso, onde é explorada a transição da luz para a escuridão, que Caravaggio inventa a técnica chamada de “tenebrismo”. Nada mais do que uma atracção pelo lado mais negro e que veio a revelar-se uma poderosa ferramenta de comunicação do poder papal.

 

O “tenebrismo” é também um reflexo da sua própria vivência, turbulenta, perigosa, constantemente em pecado. Caravaggio tinha essa noção, de que alguns limites não podia ultrapassar, correndo o risco de não ter salvação.

 

Uma das suas obras mais emblemáticas demonstra essa ambiguidade. Dizem os entendidos que o quadro David com a cabeça de Golias é um auto-retrato de Caravaggio, onde o próprio se vê enquanto herói David, mas também como monstro Golias.  

 

Um quadro com uma mensagem clara, uma espécie de assumpção de culpa e de apelo ao perdão, oferecendo a sua cabeça na pintura em troca da salvação na vida real.

 

Caravaggio, que viveu uma vida sob o lema de “Sem esperança, sem medo”, extravasou todas as barreiras que podia, mas a determinada altura da sua vida percebeu que algumas linhas não deviam ter sido cruzadas.

 

publicado por Alexandre Guerra às 07:49
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