Segunda-feira, 21 de Março de 2011

Como? Ranking de uma associação?

A Associação Portuguesa das Agências de Publicidade, Comunicação e Marketing (APAP) centralizou dados dos seus 48 associados de maneira a disponibilizar ao mercado um ranking «relevante na caracterização do sector». Segundo Susana Carvalho, presidente da APAP, «até aqui, outros modelos de análise têm vindo a basear as suas conclusões em variáveis pouco representativas, deixando de fora indicadores que consideramos mais fidedignos, como o volume de negócios, o EBIDTA ou a estrutura humana». Para esta profissional, o ranking que agora apresentam tem também a possibilidade de fazer comparações entre associados da mesma área e entre todos, tendo por base as contas que as empresas apresentam ao Estado.

 

In Marketeer.

 

Isto é uma iniciativa que merece a sua análise mais cuidada. Mas, sendo eu um defensor de rankings, não posso deixar de, desde já, aplaudir esta iniciativa da APAP.

 

publicado por Rodrigo Saraiva às 16:56
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Quinta-feira, 22 de Julho de 2010

Word of Mouth - Luís Paixão Martins

 

  

 

 

Luta de classes

 

por: Luís Paixão Martins

 

 

Uma mão-cheia de apontamentos sobre o PR After Work e o associativismo do sector convocaram-me para esta pequena reflexão, agradecendo o acolhimento simpático do PiaR (já que atravesso período sem espaço próprio para o meu spin). E, como tirei um curso prático de marxismo pela vivência do PREC, sinto-me especialmente atraído pelo perfume de luta de classes que realça deste (“o sector não são só 30 directores de empresa”), este (“focando-se apenas nos lucros das suas empresas”) e este post (“normalmente assumidas pelos ‘donos’ das empresas”).

 

Sendo assim, gostaria de deixar a reflexão de um consultor transformado em administrador de uma empresa de Comunicação, aliás aquela que é, de longe, a maior empregadora do sector, procurando apresentar a minha visão sobre aqueles que são os obstáculos centrais ao desenvolvimento da nossa actividade.

 

Em primeiro lugar, entendo que o Conselho em Comunicação não tem o mínimo problema de notoriedade. Nos últimos anos, a notoriedade cresceu muito, em parte devido à visibilidade das nossas acções em disciplinas com maior atenção mediática, como a Comunicação Política, Comunicação Pública e Grupos de Interesses. Podemos dizer que não existe empresa, instituição, personalidade em Portugal que não recorra a serviços de Conselho em Comunicação.

 

Em segundo lugar, fatia importante desse crescimento de notoriedade deveu-se à propagação dos estereótipos associados à imagem do “dark side”, por muito que isso possa surpreender aqueles que julgam que somos uma espécie de meninos de coro do mundo do Marketing. É assim em todos os mercados do Mundo. Todas aquelas marcas globais a que consultoras portuguesas gostam de estar associadas (Burson-Marsteller, Hill&Knowlton, Edelman, etc., etc.) têm problemas de reputação. Sim, eu sei, é uma injustiça.

 

Em terceiro lugar, são os atributos de poder e influência associados à percepção das nossas marcas que muitos clientes procuram. Gosto de dizer que esses são os clientes mais sofisticados, no que à Comunicação respeita, porque são exactamente aqueles que a consideram mais crítica e, consequentemente, estão disponíveis para investir mais em Comunicação.

 

Quero com isto dizer que os obstáculos ao desenvolvimento do nosso sector não estão do lado da procura, estão do lado da oferta porque a nossa expansão será sempre limitada pela escassez de profissionais com formação e experiência suficientes para abraçar projectos de consultoria. Tal deve-se às características da formação universitária (muito académica, pouco virada para a relação com a prática) e à relativa juventude do próprio sector.

 

Neste contexto, seriam bem acolhidas estruturas associativas que visassem a melhoria da qualificação dos consultores de Comunicação, isto é, que se dedicassem ao “trabalho de casa”, numa escala que é difícil obter num sector muito pulverizado em termos empresariais, à sua informação, à vulgarização de ferramentas de trabalho.

 

A APECOM não serve, infelizmente, esses interesses dos operadores do mercado.

 

Nem serve os interesses de uma representação aos níveis social, económico e político, ao contrário do que ocorre, por exemplo, com a APAP – Associação Portuguesa das Empresas de Publicidade e Comunicação e, até, com a recém-criada APAME – Associação das Agências de Meios, que são reconhecidas como parceiros das indústrias dos Media e do Marketing. Pelo contrário, a APECOM parece continuar ocupada em servir apenas de palco à promoção empresarial do seu presidente.

 

Colegas consultores envolvidos nesta espécie de luta de classes: que fique claro que sem a melhoria da qualificação dos Consultores não teremos melhores consultoras de Comunicação. E que sem boas empresas não haverá lugar para bons (ou medíocres) consultores de comunicação. E que sem representatividade política, social e económica não receberemos acolhimento institucional. Por muitas associações que nasçam e sejam felizes.

 

 

PS: O “arrefecimento” que sentimos agora deve-se à conjuntura e não á notoriedade. Levantado o manto diáfano da fantasia a realidade é que a agregação das vendas em Portugal das consultoras mais representativas estagnou em 2009 e estou à vontade para fazer este registo porque a LPM foi uma excepção.

 

PS2: Será que, entre os associados da APECOM, ainda ninguém reparou que os anunciados novos prémios do sector são baptizados de “de reputação”, exactamente a proposta de valor da empresa de que o presidente da APECOM é accionista?

 

publicado por Rodrigo Saraiva às 12:26
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Sexta-feira, 6 de Março de 2009

Concursos

A APAN e APAP lançaram esta semana o guia de boas práticas para concursos de agências de publicidade e comunicação que define «regras práticas e recomendações sobre como gerir um concurso de agências».

 

Começa por ser de louvar que estas duas Associações se unam num projecto e mais neste em especifico.

 

Das dez medidas / propostas apresentadas destacam-se a realização de concursos apenas com 3 agências, prazos para realização de proposta e decisão e a implementação de remuneração para todos os envolvidos.

 

Considero um documento pertinente e sendo tido em conta por todas as partes, nomeadamente pelos clientes, irá trazer mais justiça ao trabalho desenvolvido pelos profissionais da comunicação. Das 3 recomendações supra mencionadas destaco a questão da remuneração. O tempo e recursos, principalmente os humanos, investidos na elaboração de uma proposta devem ser valorizados.

 

Embora sendo um documento mais destinado a agências de publicidade, este também deverá ser tido em conta no sector das agências / consultoras de comunicação.

 

A APECOM não deu a cara neste Documento, mas consta que terá participado em momentos das sua elaboração. Terá optado pelo low profile, coerente com a sua estratégia e tendo em conta Códigos internacionais que apontam no mesmo sentido do Guia agora apresentado.

 

Mas será que estes pontos destacados no Guia serão consensuais no sector das Agências / Consultoras de Comunicação? Fica o apelo ao debate de opiniões. Seja nesta caixa de comentários ou nos próprios blogs.

  

O download do documento por ser feito na home page da APAP

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publicado por Rodrigo Saraiva às 17:18
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