Quarta-feira, 26 de Março de 2014

Bingo de anúncios de novas agências

Aqui há uns tempos circulava pelos mails e, depois, pelos Faces e blogues, uma coisa que se chamava “Bingo das Reuniões”, destinada a levar-se para as ditas e marcar os clichés que eram ditos até se preencher o cartão.

Agora, numa altura em que, como diz o meu amigo e parceiro de blogue, Rodrigo Saraiva, todas as semanas ficamos a conhecer uma nova agência de comunicação, divirto-me com o “bingo dos anúncios de novas agências”.

A lógica é a mesma do outro “bingo”: leio as notícias sobre a nova agência que se anunciou e assinalo as mensagens comuns a todos estes anúncios.

- É uma “agência criativa de comunicação”? Check!

- Tem um “conceito que alia a criatividade à consultoria de comunicação”? Check!

- Faz aquilo que ninguém mais faz (sendo criativa, obviamente), como “comunicação de marcas e produtos, institucional e financeira, comunicação digital, produção de conteúdos, assessoria de imprensa e organização de eventos”? Check!

- Faz “parcerias estratégicas com as marcas e empresas que representamos”? Check!

- “Criando novos conceitos, acções e ferramentas de comunicação”? Check!

BINGO!!!

(Para ilustrar este texto utilizei algumas frases do último anúncio de nova agência que li. Mas se tivesse utilizado outro qualquer, as frases não seriam muito diferentes…)

publicado por Telmo Carrapa às 18:25
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Quarta-feira, 13 de Novembro de 2013

Longe parecem estar os bons velhos tempos...

Longe parecem estar os tempos em que não passava uma semana sem que algum director ou dono de agência de comunicação desse ares da sua pujança no mercado, com um anúncio estrondoso de aquisição de novos clientes ganhos à concorrência ou então com o lançamento de novas áreas de negócio, ou até mesmo com a abertura de mais uma sucursal algures por esse mundo lusófono fora. 

 

Longe parecem estar os tempos em que os grandes barões da consultoria de comunicação em Portugal se digladiavam entre si para ver quem facturava mais, para ver quem tinha mais clientes ou para ver quem estava à frente no ranking das maiores agências. 

 

Longe parecem estar esses tempos em que os "patrões" da comunicação mediam forças através da sua "taxa de bazófia" (como diria Ricardo Araújo Pereira). 

 

Nos dias que correm, tudo está mais calmo... Na imprensa especializada deixou-se de ler parangonas sobre as movimentações das agências; na blogosfera o silêncio impera; nos círculos da prache vai-se ouvindo muito pouco; e até mesmo aqueles ódios de estimação no sector parecem ter congelado.

 

Mas isto não é necessariamente mau, já que depois de tempos de muito ruído, parece estar agora a viver-se uma época em que os responsáveis pelas agências estão mais focados nos seus negócios e nos seus recursos humanos, fazendo (e bem) contas à vida. Depois de alguns anos de crescimento do sector, era natural algum refriamento, no entanto, tudo se agravou com a degradação acelerada da conjuntura económica. 

 

Os tempos não estão fáceis para ninguém e muito menos para o mercado da consultoria de comunicação. E que não haja ilusões, com mais ou menos dificuldade, todas as agências foram obrigadas a proceder a ajustes nas suas organizações e estruturas (leia-se despedimentos, reduções salariais, retirada de benefícios, entre outras medidas). É uma realidade transversal a grande parte do tecido empresarial português e há que admiti-lo com toda a naturalidade.

 

Ainda agora, o estudo anual Intrum Justitia, que questionou 10 000 empresas de 29 países europeus (800 das quais em Portugal), veio confirmar que o Estado português é um dos mais incumpridores em matéria de pagamentos a fornecedores. Demora, em média, 133 dias a regularizar as dívidas, mais 73 dias do que o previsto, e mais 72 do que a média europeia. Ora, para muitas agências que trabalham para entidades públicas, isto cria graves constrangimentos de tesouraria (e é certo que neste momento os departamentos financeiros de várias agências têm feito os possíveis e os impossíveis para chegar ao final do mês e poder pagar os ordenados dos seus colaboradores).


Mas este estudo revela algo ainda mais preocupante para o sector da consultoria de comunicação: "Em Portugal, os serviços empresariais como agências de comunicação, publicidade e marketing são os mais afectados pelo não pagamento de dívidas. Em 2013, este sector verificou uma taxa de dívidas incobráveis na ordem dos 6%."


O cenário não é animador, mas nem por isso o sector tem baixado os braços (embora os "fees", sim, nalguns casos tenham descido para níveis inaceitáveis). Das conversas que o autor deste poleiro vai tendo com alguns profissionais desta área, percebe-se que todos continuam empenhados em manter uma oferta de qualidade aos seus clientes, e, ao mesmo tempo, estão cientes das dificuldades que as suas organizações atravessam, tornando-os mais realistas e pragmáticos na análise àquilo que possam ser projectos competitivos ou não. Ou seja, esta crise veio, talvez, despertar algumas consciências para a importância de se fazerem negócios com os pés bem assentes na terra. 

publicado por Alexandre Guerra às 07:36
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