Segunda-feira, 24 de Novembro de 2014

E ainda dizem que é "o sabor mais cool de sempre"...

 

De tempos a tempos, os génios do marketing e da publicidade lá produzem uma pérola comunicacional e, normalmente, quanto maior é a marca, maior é o disparate. Este Natal, a Fanta brinda os portugueses com um anúncio que se candidata a entrar no top 10 dos piores do ano. Como se não bastasse o facto do anúncio ter pouco ou nada a ver com o espírito da marca, ainda levamos com uma vozinha irritante de uma criancinha, que nem os seus pais deverão conseguir suportar. Mas como é que as mentes brilhantes que dirigem a comunicação e marketing da Fanta poderão pensar que o consumidor ao ver e ouvir este anúncio poderá ficar com vontade de ir beber uma Fanta? E depois ainda dizem que é "o sabor mais cool de sempre"...

publicado por Alexandre Guerra às 15:38
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Segunda-feira, 10 de Novembro de 2014

Sem "degelo", de pouco serve um aperto de mão para as câmaras

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Será difícil quantificar em palavras o valor desta imagem, mas uma coisa é certa, a fotografia tirada esta Segunda-feira aos líderes do Japão e da China, à margem da cimeira da organização Cooperação Económica Ásia-Pacífico (APEC), é bem elucidativa da frieza que existe, actualmente, nas relações diplomáticas entre aqueles dois países. Foi a primeira vez, em dois anos, que o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, e o Presidente chinês, Xi Jinping, encetaram negociações formais, mas se o resultado era para ser este, mais valia que os seus assessores não tivessem promovido este "aperto de mão", um gesto que nas relações internacionais serve, normalmente, para transmitir uma mensagem de confiança e de aproximação entre os Estados. Sem um "degelo" efectivo, de pouco serve que os dois governantes tenham posado para as câmaras com um aperto de mão feito por obrigação. Um momento comunicacional sem qualquer ganho e facilmente evitável.

publicado por Alexandre Guerra às 15:30
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Quarta-feira, 29 de Outubro de 2014

Parabéns à Special One Comunicação

O Rui Calafate está de parabéns, pois a Special One Comunicação celebra esta Quarta-feira cinco anos de existência, uma idade que permite dizer que o mais difícil já ficou para trás, conseguindo afirmar-se num sector cheio de vicissitudes e onde, por vezes, impera a lógica do "salve-se quem puder". O Rui nunca entrou por esse caminho e sempre teve a noção dos passos que podia e devia dar, construindo com trabalho e empenho uma agência que encontrou o seu rumo, com os seus clientes e projectos. Enquanto antigo consultor da Special One, foi para mim um privilégio poder contribuir para o crescimento desta consultora, da mesma maneira que agradeço ao Rui aquilo que aprendi e as experiências que me foram proporcionadas. 

publicado por Alexandre Guerra às 15:11
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Terça-feira, 23 de Setembro de 2014

O "papão"

A tenebrosa influência das agências de comunicação na Política, que tudo podem e conseguem, volta a ser tema de "conversa", desta vez no âmbito de um confronto eleitoral intrapartidário em curso. É tema recorrente, mas o problema é que o debate tarda em evoluir nos seus argumentos e, quase sempre, fica amarrado a ideias preconceituosas e formatadas, veiculadas por alguns comentadores e políticos que, pouco ou nada, sabem da realidade em concreto do trabalho quotidiano das consultoras de comunicação ao serviço dos seus clientes, sejam empresas, instituições públicas ou privadas, organizações nacionais ou internacionais, políticos ou partidos.

 

Mas pior, é que esses mesmos comentadores e políticos, num acto de pouca inteligência e sabedoria, parecem não ter interesse em compreender melhor o trabalho das consultoras de comunicação na área da Política. O que, diga-se, não é de estranhar, já que muitos deles descuram a própria essência da comunicação no seu estado mais natural.

 

Não ficaria nada mal a estes comentadores e políticos (que de tempos a tempos evocam o"papão" das agências de comunicação) informarem-se um pouco sobre o que é a disciplina da comunicação política e qual o papel profissional das empresas de "public relations" nesta área. Já agora, podiam começar por ler os textos escritos por Luís Paixão Martins e Rui Calafate, que falam do assunto com toda a propriedade. São, aliás, dos poucos que o podem fazer em Portugal enquanto "players" neste sector de actividade. 

 

Sobre a intervenção das consultoras de comunicação na Política, nada melhor do que estudar a realidade anglo-saxónica, embora haja outros exemplos que mereçam atenção, nomeadamente, o micro-sistema político de Bruxelas. Além do mais, há muitos manuais e literatura sobre o assunto. É que por mais excitante que seja associar o trabalho das agências de comunicação a parques de estacionamento subterrâneos obscuros, onde protagonistas vestidos de gabardine trocam dossiers secretos, a realidade é bem menos hollywoodesca.

 

Parte do trabalho de comunicação política feito por consultores e agências prende-se com assessoria de imprensa, gestão de redes sociais, produção de conteúdos, elaboração de material gráfico e edição de imagem com a respectiva propagação digital, entre outras coisas que em nada se distinguem daquilo que pode ser uma tradicional comunicação empresarial. Claro está que depois existe todo um espectro de actividade que, quando há "know how" para isso, passará, por exemplo, por aconselhamento estratégico, sondagens, pesquisa, contactos formais e informais...por diante. E se noutros países este é um trabalho altamente valorizado, infelizmente, em Portugal, às vezes contratam-se agências por valores que deveriam envergonhar todo um sector, já que a relação preço/hora ficará pouco mais acima do que aquilo que uma "mulher a dias" cobra (passe o eventual exagero e com todo o respeito por esta digna e necessária actividade).   

 

A questão do valor da actividade da consultoria em comunicação política (tal como noutros sectores) está directamente relacionada com a "importância" que os supostos clientes lhe dão. E aqui, ao contrário do que acontece na lei de mercado e na sua relação entre "oferta" e "procura", a questão coloca-se, mesmo, ao nível da "importância" que lhe é atribuída por um determinado cliente e não tanto ao nível da "procura". Porque, é efectivamente verdade que são cada vez mais os políticos a contratarem agências de comunicação em Portugal, mas isto não significa que valorizem esse serviço e que o vejam do modo profissional que o deviam ver. E aqui, muitos actores da área política em Portugal, ainda não perceberam os custos significativos de uma má comunicação. Não perceberam que numa sociedade cada vez mais exigente, não há espaço para amadorismos. Um político não tem necessariamente de brilhar, não pode é cometer erros. 

 

Um consultor de comunicação não deve ser contratado para fazer milagres, tal como de um treinador de futebol nunca se deve esperar que transforme um jogador mediano num génio da bola. Porém, isso não quer dizer que este mesmo jogador não seja vitorioso nas organizações onde esteja inserido. O mesmo acontece com políticos. Quantos não houve que de carisma tinham pouco, e de genialidade ainda menos, e não foi por isso que deixaram de fazer Política ao mais alto nível. Com trabalho e profissionalismo, pode-se chegar lá. Mas o inverso também pode ser verdade: o talento está lá, mas depois falta todo o apoio profissional para desenvolver e trabalhar esse mesmo talento. Normalmente, isso acaba naquilo que se chama "passar ao lado de uma grande carreira".

 

Os políticos devem perceber que uma má comunicação não acarreta apenas custos políticos, implica também custos para Portugal, que se reflectem na forma como as pessoas percepcionam todo o sistema político e os actos daqueles que as governam.

publicado por Alexandre Guerra às 16:14
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Domingo, 7 de Setembro de 2014

Com mais espectáculo nas estradas mais as marcas saem a ganhar

 Rodríguez (esq.), Contador (cent.) e Valverde (dir.) nos quilómetros finais na mítica subida dos Lagos de Covadonga/Foto: La Vuelta

 

O final da etapa deste Domingo da La Vuelta, na mítica subida dos Lagos de Covadonga, explica bem por que é que o ciclismo é uma modalidade que ganha cada vez mais adeptos e espaço nas televisões de todo o mundo. Explica também por que é que grandes marcas continuam a investir parte dos seus orçamentos de marketing no patrocínio de equipas.

 

Hoje, tranquilamente sentado no sofá, o telespectador viu um extraordinário cenário e um desempenho emocionante por parte de Alberto Contador, de Alejandro Valverde e de Joaquin Rodríguez que, de contra-ataque em contra-ataque, galgaram os quilómetros finais.

 

As marcas que lá estavam saíram todas a ganhar.

publicado por Alexandre Guerra às 20:40
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Quarta-feira, 3 de Setembro de 2014

Uma rentrée jornalística turbulenta

A rentrée jornalística está a ser turbulenta, com várias movimentações ao nível das cúpulas de alguns jornais. Há quem diga que não vai ficar por aqui e é muito provável que este sector venha a conhecer mais novidades nos próximos tempos. Quem sabe, a criação de novos projectos ou a reformulação de outros já existentes.

 

Para já, as novidades que se conhecem referem-se ao DN, ao semanário Sol, ao jornal i e ao Record. Porém, é expectável que mais coisas aconteçam nestes meios, por exemplo, ao nível da dinâmica entre o DN e o JN ou entre o Sol e o i. Refira-se que, embora seja praticamente inexistente comercialmente, o i é um produto muito interessante e que poderá ter futuro se for bem pensado e orientado.   

 

Quanto ao Record, tem a dupla vantagem de se alimentar do filão do futebol (bem mais rentável do que o da política ou da economia) e de ter a poderosa Cofina por trás. 

 

À parte destes meios, também outros deverão (ou deveriam) vir a passar por algumas mudanças.

 

Além disso, vai ser muito interessante ver se o projecto Expresso Diário se afirmará categoricamente, porque, caso contrário, corre o risco de morrer ainda durante o primeiro ano da sua existência. 

 

Por outro lado, o Observador terá nos próximos meses uma fase importante do seu crescimento, já que parece estar a "entrar bem" num tipo de leitor mais jovem e urbano. Mas a questão principal é perceber se aquele projecto terá capacidade financeira para se manter operacional, independentemdente das receitas, sem compromoter a sua qualidade. 

publicado por Alexandre Guerra às 13:15
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Terça-feira, 29 de Julho de 2014

Quando a Via Verde faz perder tempo, está a manchar a sua reputação

 

A Via Verde Portugal tem sido, durante os últimos anos, uma das bandeiras tecnológicas deste País. Empresa inovadora numa tecnologia que se revelou de grande utilidade no âmbito da "gestão do pagamento electrónico de serviços". Uma tecnologia que, entre outras coisas, proporciona maior comodidade e permite a poupança de tempo a quem anda por essas auto-estradas fora e, desde há uns tempos, também nas ex-Scuts. As suas virtudes são inquestionáveis. É sem dúvida um excelente produto, com notoriedade reconhecida.

 

O problema é quando essa boa reputação fica manchada com uma simples ida a uma das suas lojas para resolver um problema técnico. Neste caso em concreto, tratou-se de uma deslocação à loja do Saldanha (uma das três que servem a grande área metropolitana de Lisboa). 

 

Depois de ter recebido um e-mail da Via Verde para se deslocar a uma das suas lojas para trocar o equipamento, visto que este estava avariado, o autor destas linhas foi até à loja do Saldanha e tirou a senha da "assistência técnica" (havia outras opções e filas de espera). Eram 11h59 e a senha tinha o número 65. No monitor, a opção escolhida ainda ia no 45. Contas feitas, o autor destas linhas foi atendido às 12h57, praticamente uma hora depois.

 

Ou seja, vendo bem as coisas, todo o tempo que andou a "poupar" ao utilizar os corredores da Via Verde nas portagens e nos parques de estacionamento com aquela tecnologia foi "gasto" numa cadeira de uma loja daquela empresa à espera que chamassem pelo número 65. 

 

O autor destas linhas teve este desabafo com a senhora que atendia e perguntou-lhe se costumava ser sempre assim. E a resposta foi clara: "Sim, de manhã à noite, todos os dias." E aqui este poleiro voltou a questioná-la: "E a administração da Via Verde acha isso normal? Nunca ouviu falar de bom serviço ao cliente?" Mas aqui já não houve resposta, apenas um encolher de ombros.  

 

Este episódio só veio reforçar ainda mais a convicção deste poleiro: Há uma coisa que muitas empresas em Portugal ainda não perceberam... tudo é comunicação e tudo afecta a reputação de uma organização. 

publicado por Alexandre Guerra às 14:56
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Domingo, 20 de Julho de 2014

Sem vedetismos nem snobismos

Ao ouvir a convidada de Rita Ferro no programa "Conta me tudo" deste Domingo na Antena 3, este poleiro ficou a conhecer mais uma história de vida que foge aos standards do quotidiano da maioria das pessoas. Com 31 anos, Mariana Moura Santos, designer de media digital, lá foi contando o seu percurso profissional... Do mestrado na Suécia ao trabalho no Reino Unido, passando pelas palestras na América do Sul às novas funções em Miami. Além da perseverança e resiliência, Mariana contou um episódio que acabou por lhe abrir as portas no jornal britânico The Guardian. E o curioso deste episódio é que jamais poderia acontecer em Portugal.

 

Conta então a Mariana que, no âmbito de entrevistas que estava a fazer em Londres para um trabalho de mestrado, "teve a sorte" de estar três horas a falar com o director de tecnologia do The Guardian. E no seguimento dessa conversa, Mariana percebeu que naquele momento poderia haver a possibilidade de concretizar um sonho: fazer parte da equipa do jornal britânico na área das tecnologias. O director acabou por convidar Mariana a estagiar no jornal e no fim da história, os dois acabaram por criar o Guardian Interactive Team. 

 

Aquilo que o autor destas linhas pensou de imediato ao ouvir esta história, foi tentar perceber se tal história seria possível acontecer entre uma estudante nas mesmas condições da Mariana e um director/editor de um jornal português. A resposta é clara: dificilmente. Além de um snobismo e arrogância muito característicos de uma boa parte das chefias da imprensa nacional (felizmente cada vez menos), quantos se dariam ao trabalho de ter uma conversa de "igual para igual" com uma estudante? 

 

Quem tem experiência de jornalismo e aqueles que, enquanto consultores de comunicação ou assessores, lidam com editores e chefias, provavelmente compreenderão o que aqui se escreve.  

 

A primeira vez que o autor destas linhas, então como jornalista, teve uma clara percepção da diferença de comportamentos entre as "estrelas" desta praça, quase inacessíveis, e repórteres de referência internacional, foi há já uns bons anos no Médio Oriente. Primeiro, em Gaza, com Miguel Ángel Bastenier, um nome incontornável do El País. Na altura, em 2002, o autor deste poleiro ficou supreendido pela simpatia e disponibilidade que Bastenier demonstrou para com este, então, jovem jornalista. Sem vedetismos nem snobismos, Bastenier fez sempre questão de manter uma relação de igual para igual. Ora, só quem desconhece profundamente os comportamentos de algumas "vedetas" do nosso jornalismo, estranhará esta comparação.

 

Mas este poleiro poderá fazer ainda uma outra referência. Ainda no mesmo ano, mas desta vez em Ramallah, o autor destas linhas lembra-se da simplicidade com que a conhecidíssima Barbara Plett, da BBC, convivia com os restantes colegas de profissão, sem qualquer presunção ou arrogância.

 

Duas histórias relembradas por este poleiro a propósito da conversa de três horas que a Mariana teve com um director de um dos mais prestigiados jornais do mundo.

publicado por Alexandre Guerra às 14:45
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Sábado, 12 de Julho de 2014

...e já lá vão seis anos a "PiaR"

 

 

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publicado por Alexandre Guerra às 19:17
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Quinta-feira, 19 de Junho de 2014

Os jornais acabaram enquanto negócio. Agora é preciso pensar em mecenato

O anúncio feito pela administração da Controlinveste, no passado dia 11, relativo a "um processo de redução de efectivos no total de 160 postos de trabalho o qual inclui um despedimento colectivo que abrange 140 colaboradores e um conjunto de negociações para rescisão amigável de contrato abrangendo cerca de 20 postos de trabalho", não deixou de ser uma amarga surpresa, mesmo tendo em conta as dificuldades que todo o sector da comunicação social tem atravessado nos últimos anos. 

 

E a surpresa deve-se, sobretudo, à dimensão dos números, com mais de 60 jornalistas envolvidos pertencentes a vários meios da Controlinveste, numa altura em que se pensava que os ajustes mais dramáticos dos principais grupos de comunicação social já tinham sido efectuados. Efectivamente, nos últimos anos, todos os jornais, televisões, rádios e agências noticiosas viveram períodos conturbados, com despedimentos colectivos, ajustes no seu quadro profissional, reformas antecipadas e, em muitos casos, renegociação salarial.

 

Essa foi uma realidade que o próprio autor deste poleiro foi acompanhando em inúmeras conversas de corredor com jornalistas, fotógrafos, editores, directores, paginadores, entre outros. Mas, depois dessa "tempestade", e com as redacções mais "magras", "leves" e "baratas", também se notava que as coisas começavam a estabilizar, com a sensação de que "o pior já tinha passado". Não se perspectivavam, assim, mais despedimentos massivos, como aquele que foi anunciado agora pela Controlinveste. Um número absurdo, tendo em conta que só o DN e o JN vão ficar com menos 44 jornalistas. E, por exemplo, a TSF com menos sete. 

 

Além da dimensão humana deste problema, a questão principal tem a ver com a falta de enquadramento em termos de paradigma com que estas alterações e despedimentos são feitos. Ou seja, está-se perante meras operações contabilísticas, sem qualquer sustentação naquilo que deveria ser o modelo do jornalismo no futuro e do negócio que o sustenta. Isso acontece em parte porque ainda não se sabe bem qual o caminho que o jornalismo deve seguir e, muito menos, que esquema de financiamento o pode viabilizar.

 

Como alguém dizia a este poleiro num almoço recente, fazer depender hoje em dia um projecto jornalístico de receitas de publicidade e de vendas em banca (ou por assinatura) é receita para o desastre... Como, aliás, se viu com projectos editoriais recentes em Portugal, que foram lançados cheios de pujança, mas alicerçados em modelos obsoletos e que, rapidamente, se viram confrontados com a dura realidade dos números. 

 

E nesse mesmo almoço discutiram-se novas formas de negócio que possam viabilizar os jornais e o jornalismo num futuro próximo. E um desses modelos passa por uma espécie de mecenato. Uma possibilidade também observada por João Miguel Tavares num artigo recente do Público. No fundo, parte-se do princípio que tem de haver um investimento financeiro sem uma lógica de lucro inerente (e até mesmo a "fundo perdido"), já que quando uma entidade, seja de que natureza for, decide apoiar uma orquestra, uma equipa de ciclismo, uma exposição ou um projecto escolar não espera dali um retorno monetário. O que está em causa é um outro tipo de "retorno", que pode ser cultural, social ou de outra índole.

 

Este é apenas um caminho que o jornalismo e os jornais poderão vir a seguir nos próximos anos. Para já, ainda não foi encontrada a fórmula que garanta a sua viabilidade saudável para o futuro.

publicado por Alexandre Guerra às 23:15
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Domingo, 8 de Junho de 2014

As mensagens para lá do óbvio

Cena do início de "2001: A Space Odyssey" 

 

O bom cinema, através da sua linguagem artística e conceptual, tem a virtude de comunicar muito para além do óbvio, para lá daquilo que fica retido num primeiro momento. Só o cinema de qualidade superior permite que cada filme se torne num processo de descoberta e redescoberta constante.

 

Todos os grandes filmes devem ser vistos mais do que uma vez, porque há de lá estar sempre mais alguma coisa que da última vez passou despercebida. E o desafio é ir descodificando esses momentos, procurando entrar na cabeça do realizador e perceber qual a mensagem que quereria passar. 

 

Nalguns casos são mensagens subliminares intencionais que, de forma mais ou menos óbvia, fazem parte de uma narrativa. Mas noutros casos, são apontamentos artísticos subtis que, não tendo uma mensagem implícita ou explícita, podem ajudar a reforçar a dimensão quase mitológica de um determinado filme.

 

Ao rever um dos grandes filmes de Stanley Kubrick, "Full Metal Jacket" (1987), o autor destas linhas foi (ainda) surpreendido com uma imagem que nunca tinha reparado: o misterioso e famoso "monólito" de "2001: A Space Odyssey" (1968), a grande obra prima daquele realizador.

 

Numa cena do "Full Metal Jacket" em que o personagem "Cowboy" está prestes a morrer, depois de ter sido atingido por uma "snyper" vietnamita", os seus colegas de pelotão deitam-no no chão e colocam-se à sua volta, e é quando se vê no horizonte algo que se assemelha ao monólito. Uma cena extraordinária e motivadora de imediato de todo o tipo de extrapolações. 

 

Questionado pela revista Rolling Stone em 1987, Kubrick disse tratar-se de uma "amazing coincidence". Coincidência ou não, só a genialidade de homens como Kubrick e filmes como "2001: A Space Odyssey" e "Full Metal Jacket" conseguem suscitar um interesse constante em relação à mensagem que tentam passar... por mais anos que passem.   

 

publicado por Alexandre Guerra às 16:45
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Sexta-feira, 6 de Junho de 2014

Os bastidores de uma campanha à portuguesa observados pelo Observador

Poderá não ser do interesse de todos os consultores de comunicação, e muito menos do grande público, mas é um registo delicioso para todos os que gostam e trabalham em comunicação política, aquele que o Observador dá a conhecer. Dois trabalhos de reportagem de invulgar qualidade para os dias que correm, assinados por Miguel Pinheiro e Gonçalo Bordalo Pinheiro, que retratam os bastidores da campanha das europeias da Aliança Portugal e do PS.

 

PS: O autor deste poleiro confessa que já há algum tempo não lia nada com tanto entusiasmo na imprensa portuguesa.

publicado por Alexandre Guerra às 16:26
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Quarta-feira, 4 de Junho de 2014

A música que os assessores de Ronald Reagan nunca perceberam

  

Faz hoje 30 anos que foi lançado o álbum "Born in the USA", o primeiro grande sucesso comercial de Bruce Springsteen e que o catapultou para um outro nível de notoriedade. Estava-se em plena campanha presidencial e Ronald Reagan preparava a sua reeleição para a Casa Branca, através de um discurso em que apelava aos valores conservadores e republicanos da América. 

 

Com uma icónica capa (fotografia de Annie Leibovitz) e um espírito menos "dark" de que o anterior álbum "Nebraska", rapidamente houve quem visse naquele álbum, e sobretudo na música Born in the USA, uma espécie de ode ao "american way of life" na sua vertente mais tradicionalista.

 

Alguns círculos mais conservadores e membros do próprio staff de Reagan não hesitaram em fazer uma "colagem" dos valores defendidos pelo Presidente à mensagem transmitida pela música. Reagan chegou mesmo a materializar essa estratégia numa declaração pública proferida durante um acção de campanha, em que dava a entender que poderia haver alguma proximidade entre o que o Presidente defendia e aquilo que o "Boss" escreveu nas suas canções.

 

De certa forma, essa ideia resistiu aos tempos e muitas pessoas olham para a música "Born in the USA" como uma espécie de hino patriótico. Mas, efectivamente não é. Não só Bruce Springsteen nunca teve qualquer proximidade a Ronald Reagen, como a letra daquela música está longe de representar aquilo que muitos pensam que representa.   

 

Ainda hoje a BBC News referia-se à música "Born in the USA" com uma das letras pior interpretadas de sempre. E de facto, a música é sobre o regresso de um soldado americano aos EUA após ter estado na guerra do Vietname, e retrata as dificuldades que enfrenta na reintegração na sociedade.

 

Além de todos aqueles que nunca voltaram do Vietname, a música chama a atenção para a forma dramática como os veteranos de guerra regressaram a casa, encontrando um país que parecia não ter lugar para eles. A maioria eram pessoas da classe operária que tinham abandonado os seus trabalhos para integrarem as forças armadas e irem combater numa guerra em nome da sua pátria. No regresso aos EUA apenas encontram desemprego e desespero.

 

Há quem veja esta música como um lamento profundo da crise da classe operária dos EUA, que desde a década de 70 começou a sofrer as consequências da desindustrialização da América, nomeadamente no sector automóvel.

 

O problema de alguns conservadores e dos assessores de Reagan que retiraram leituras desta música é que se agarraram apenas ao refrão do Born in the USA.

 

Walter Mondale, o candidato rival presidencial, ainda tentou aproveitar-se da situação ao atacar Reagan, e afirmando que era ele que contava que o apoio de Bruce Springsteen. Algo que foi de imediato desmentido pelos "public relations" de Bruce.

 

Em Novembro desse ano, Reagan vencia as presidenciais de forma avassaladora para um segundo mandato na Casa Branca.

 

publicado por Alexandre Guerra às 15:32
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Sexta-feira, 30 de Maio de 2014

Ricardo Costa, director do Expresso, vs Ricardo Costa, irmão do político

A "carta a um irmão político" de Ricardo Costa é um documento bonito, emotivo e sincero. É um tipo de registo raro no jornalismo em Portugal. O problema é que a questão não é aquilo que Ricardo Costa agora pensa, sente ou perspectiva, mas, sim, o que a realidade e as contingências da política ditarão nos próximos tempos. E aí, outros sentimentos, dilemas e dúvidas poderão surgir.

 

Muito provavelmente, há de chegar o dia em que Ricardo Costa, o director do Expresso, se irá "confrontar" com o outro Ricardo Costa, o irmão do político. É uma questão interessante e que não é de fácil resolução. Para já, Ricardo Costa materializou aquilo que lhe vai na alma e na razão numa espécie de carta de intenções para com os leitores do Expresso e para com o seu irmão.  

 

Porém, e na modesta opinião deste poleiro, tendo em conta as regras do "jogo" do jornalismo e da comunicação política, o instinto de Ricardo Costa foi certeiro quando se disponibilizou para abandonar o cargo de director do Expresso. Num gesto de compreensível confiança, a administração da Impresa recusou. Assim sendo, logo se verá se as convicções de Ricardo Costa resistirão à truculenta lógica político-partidária portuguesa.

publicado por Alexandre Guerra às 15:01
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Quarta-feira, 28 de Maio de 2014

LPM de regresso à blogosfera

O regresso de Luís Paixão Martins à blogosfera é, por si só, um acontecimento que merece toda atenção deste poleiro. Quanto ao conteúdo da A Teoria do Q, há certamente muito e bom para acompanhar daqui em diante.

publicado por Alexandre Guerra às 11:56
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Terça-feira, 6 de Maio de 2014

Os euros por detrás da comunicação política das Europeias 2014

Alertado hoje pelo jornal Público, o PiaR ficou a saber que os partidos já apresentaram na Entidade das Contas do Tribunal Constitucional as verbas previstas para a campanha das eleições europeias do dia 25. Das verbas que os partidos pretendem gastar em marketing e em comunicação política, e que podem ser consultadas no site daquela entidade, há algumas particularidades interessantes quanto à sua distribuição nas diferentes rubricas. Por um lado, reflectem novas tendências comunicacionais, mas, por outro, demonstram que os partidos ainda apostam em formatos clássicos para transmitir a sua mensagem.

 

Das contas apresentadas é sem grande surpresa que a CDU se apresenta como o partido com maior orçamento, um milhão e 150 mil euros. O PS pretente gastar apenas menos 10 mil euros. Já a Aliança Portugal (PSD/CDS-PP) estima que sejam gastos 855 mil euros na sua campanha. Com um valor bastante inferior encontra-se o Bloco de Esquerda, tendo previstos 338 mil euros.

 

Ao analisar-se a forma de como os diferentes partidos pensam gerir as respectivas campanhas, chega-se à conclusão que quase todos eles privilegiam o formato clássico do comício. Por exemplo, o PS vai investir 615 mil euros na organização daquele tipo de iniciativas. Também o BE vai gastar quase metade do seu orçamento total em comícios, mais concretamente 150 mil euros. O mesmo valor que a CDU pretende gastar. Já a Aliança Portugal irá investir um pouco mais, quase 200 mil euros.

 

Numa lógica que mistura a habitual abordagem clássica do folheto e afins com as novas realidades digitais, a CDU e a Aliança Portugal vão dirigir parte substancal dos seus orçamentos para "publicidade, comunicação impressa e digital". Os comunistas pretendem gastar 410 mil euros e a Aliança Portugal 300 mil. Aqui, nesta rubrica, seria interessante perceber-se qual a distribuição das verbas, já que "publicidade e comunicação impressa" estão conotadas com uma certa forma obsoleta de fazer campanha, estando o futuro a apontar cada vez mais para a "comunicação digital".

 

Um dos aspectos mais interessantes que se retira da análise aos orçamentos dos partidos é a quase ausência de verbas para outdoors por parte da campanha da Aliança Portugal. Estão apenas destinados 9 mil euros, que é praticamente nada, tendo em conta os avultados investimentos que historicamente sempre se fez (e ainda se faz, embora cada vez menos) neste tipo de suporte. Mas, olhando também para os valores da CDU, constata-se que os comunistas pretendem gastar pouco mais do que 107 mil euros, um valor relativamente baixo quando comparado com o seu orçamento total.

 

Para a rubrica "concepção da campanha, agências de comunicação e estudos de mercado", a Aliança Portugal dedica uma verba interessante de quase 100 mil euros, um pouco mais do que o PS, que se fica pelos 92 mil euros. Não surpreendendo, a CDU e o Bloco de Esquerda não dedicam qualquer euro a esta rubrica. 

publicado por Alexandre Guerra às 13:54
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Sexta-feira, 2 de Maio de 2014

(Mais uma) Opção editorial errada e incompreensível

 

Mais uma primeira página do Público que desafia as mais básicas regras que regem o bom jornalismo

 

Compreensivelmente, em termos editoriais, todos os jornais generalistas (CM, JN, DN e i) optaram hoje por chamar para a primeira página uma grande fotografia do Benfica no jogo de ontem com a Juventus. Foi uma opção correcta. Não se trata de uma questão subjectiva nem de gosto, mas sim de um critério técnico noticioso. Tão simples quanto isso. 

 

Ora, o Público, mais uma vez, desafiou essa lógica jornalística e enveredou por critérios editoriais, no mínimo, estranhos. Qualquer estudante de jornalismo identificaria, sem problemas, onde está o erro da primeira página do Público de hoje. Ao remeter a vitória histórica do Benfica para uma pequena chamada de primeira página, o Público violou regras básicas que regem o jornalismo.

 

Então, perguntará o leitor deste post, se o erro é tão evidente, por que é que aquela decisão foi tomada pela sua direcção? O PiaR não sabe a resposta a isso, mas talvez alguém da direcção do Público possa esclarecer.

publicado por Alexandre Guerra às 15:06
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Quarta-feira, 23 de Abril de 2014

[Word of Mouth] David Moyes, PR, digital e jornalismo

  

 

David Moyes, PR, digital e jornalismo

 

por: Carlos Martinho

Editor de Conteúdos da GCI

 

Ontem, às 13h42, o Financial Times publicou no site um artigo do seu colunista de futebol, Simon Kuper, sobre a saída de David Moyes do Manchester United, oficializada quatro horas antes. O artigo, uma espécie de obituário desportivo há muito previsto, divaga sobre o falhanço do treinador escocês naquela que é “a empresa britânica que mais atenção da imprensa recebe”, o Manchester United.

 

Kuper, autor de referência para quem gosta de futebol, revela que Moyes falhou porque, ao contrário de Sir Alex Ferguson, não tem vocação para as public relations. “Gerir um clube [destes] é, em grande parte, um trabalho de public relations. (…) Moyes chegou de um clube mais pequeno, o Everton, e não tinha o estatuto para renovar a equipa. Depois, quando os seus jogadores mais velhos vacilaram, deixando o United no sétimo lugar, a sua própria imagem (PR) falhou”, explica Kuper.

 

Segundo o autor, Moyes não teve coragem, ou a qualidade de comunicação, para confrontar os veteranos numa batalha de PR. Por outras palavras: quem é David Moyes ao pé de Rio Ferdinand, Ryan Giggs – sobretudo estes dois -, Patrice Evra, Nemanja Vidic ou Michael Carrick?

 

O artigo pode ser lido aqui e explora outros temas ligados à comunicação e imagem, como o rosto perplexo de Moyes quando as câmaras de TV o procuravam depois de um golo sofrido, em contraste com a raiva contagiante de Ferguson, um génio das PR.

 

No entanto, o que é mais notável neste artigo de Simon Kuper – e é, na verdade, o que me traz ao PiaR – é a forma da sua veiculação e não o conteúdo. Como referi, o artigo foi colocado online às 13h42 de ontem. Hoje, o Financial Times repescou-o para a sua edição impressa – e logo para a capa.

 

O artigo de Kuper recebe honras de primeira e segunda página, ainda que estivesse há várias horas disponível online – não estava barrado pela paywall, curiosamente. Ou seja, o FT colocou em prática a tão anunciada primazia do digital sobre a edição impressa – o jornal poderia ter “guardado” o artigo de Kuper para publicar na edição impressa e, então, espalhá-lo pelo digital, mas escolheu a via inversa.

 

Esta decisão vem na sequência da estratégia apresentada pelo FT em Outubro, que dá prioridade à edição online: desde o início do ano que grande parte da redacção do FT está alocada à produção noticiosa para online e os artigos são publicados para coincidir com os picos de tráfego. Deixam de existir também as horas de fecho tradicionais – será que a percentagem de divórcios nesta classe vai finalmente descer? – e todos tiveram de mudar os seus horários de trabalho, incluindo paginadores e designers.

 

Se o FT queria, com esta estratégia, ser menos reactivo, está a consegui-lo. A saída de David Moyes poderá ter sido o ponto de partida para uma nova forma de pensar o digital por parte de um dos porta-aviões da imprensa mundial. Outros certamente se seguirão, mal – e se – se comprove que este é o caminho certo.

 

Simon Kuper termina o seu artigo com uma afirmação, no mínimo, curiosa: “O maior problema do Manchester United não é Moyes, mas sim o dinheiro”. Na imprensa, o maior problema também não é a ameaça dos conteúdos digitais, como muito dizem, mas sim a forma como os media abordam ou contornam os seus desafios. E para isso, em vez de desinvestir, é preciso pensar estrategicamente os conteúdos. Dos colossos aos de nicho. 

publicado por Alexandre Guerra às 15:33
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Terça-feira, 22 de Abril de 2014

A maior estrela da comunicação política da actualidade é, imagine-se, um idealista

David Axelrod, um consultor político idealista que sempre se deu bem com candidatos "ingénuos"

 

Foi um dos grandes estrategos não apenas da primeira vitória presidencial de Barack Obama em 2008 (e também em 2012), mas da euforia comunicacional que se gerou à volta daquela que era então a grande esperança para os Estados Unidos e para o mundo. Amigo íntimo de Obama do círculo de Chicago, David Axelrod tornou-se numa estrela mundial da comunicação política.

 

Após ter reeleito Obama em 2012, Axelrod afastou das lides da Casa Branca para se dedicar sobretudo à sua empresa de consultoria, mas sem nunca deixar meter ao serviço do Presidente as suas “skills” comunicacionais. Agora, mais liberto das suas responsabilidades políticas, Axelrod tem aparecido por várias vezes nos meios de comunicação social a fazer a defesa de algumas políticas de Obama. Um trabalho que também tem desenvolvido nas redes sociais.

 

Embora em muitos aspectos seja um profissional da comunicação política como tantos outros, Axelrod tem alguns traços que o diferenciam num sector, por vezes, marcado por algum mimetismo. Sempre se assumiu como um homem de causas, algumas bastante progressistas, e partiu desta sua maneira de pensar e viver para trabalhar, sobretudo, campanhas de políticos afro-americanos nos Estados Unidos. Com bastante sucesso, diga-se.

 

Esta vertente é, aliás, uma das suas imagens de marca. Assim como a abordagem inovadora às novas tecnologias no âmbito da comunicação política. Como alguém escrevia no The Guardian, Axelrod tem mais razões para clamar créditos do que muitos outros.

 

Axelrod é, de certa forma, um idealista político e, talvez por isso, o seu trabalho só seja eficazmente compatível com candidatos dotados de um perfil específico. À luz desta lógica não será de estranhar a tímida experiência comunicacional que Axelrod teve com Mário Monti na campanha para as eleições gerais em Itália do ano passado. Monti pode ser tudo, menos um homem de paixões ou convicções. É sobretudo um académico e tecnocrata sem qualquer chama, aclamado apenas pelos “mercados” e por alguns ministros das Finanças.

 

Já mais sentido para Axelrod poderá fazer a recente contratação do Labour britânico. Soube-se há uns dias que Ed Miliband vai contar com os serviços de homem de Chicago para ajudar na campanha das eleições legislativas de 2015. “Usefully for Miliband, Axelrod has an impressive record with ingenue candidates, having first helped hone Obama as a distinctive post-Clinton era politician, when he ran for the Senate in 2004”, lia-se ainda no The Guardian.

 

Em declarações dadas por Axelrod é evidenciada a sua vertente mais idealista na forma como encara comunicação política, ao justificar a assinatura do contrato pelo facto de ter tido algumas “longas conversas” com Miliband, menos políticas e mais filosóficas, de como se poderá criar modelos económicos sustentáveis para o século XXI, com oportunidades alargadas.

 

Depois da experiência pouco entusiasmante em Itália, vai ser muito interessante acompanhar o trabalho a desenvolver por Axelrod em Inglaterra, um país com uma tradição comunicacional mais próxima da dos Estados Unidos, mas que tem na sua sociedade a matriz civilizacional europeia.  

publicado por Alexandre Guerra às 17:49
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Terça-feira, 15 de Abril de 2014

Banksy, um artista com algo a comunicar que fez da rua a sua tela

 Mobile Lovers, nome do mais recente mural de Banksy algures em Inglaterra

 

O anónimo Banksy, o  mais famoso artista de rua da actualidade, acaba de deixar mais uma marca da sua arte em local ainda desconhecido, provavelmente algures numa rua de uma cidade inglesa. A autenticidade do novo mural já foi confirmada pelo seu "PR agent." 

 

Mobile Lovers é o nome do novo trabalho daquele artista, que tem utilizado a sua arte para comunicar de forma subtil e, por vezes, irónica e sarcástica, as temáticas e tendências que afectam o quotidiano das sociedades modernas.

 

Neste mural, um casal de namorados, abraçados, mas em vez de olharem um para o outro, como seria natural, estão, antes, atentos aos seus telemóveis.  

 

 Uma perspectiva do enquadramento do mais recente mural de Banksy

publicado por Alexandre Guerra às 10:14
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