Domingo, 8 de Dezembro de 2013

“As PR têm de ser mais ambiciosas e puxar pelo seu lado criativo”

Auditório principal do Cinema São Jorge durante o Eurobest 2013/Foto: Eurobest

 

O PiaR esteve este ano no Festival Eurobest, que pela terceira e última vez se realizou em Lisboa, e não podia perder a oportunidade de falar com Colin Byrne, uma das grandes referências internacionais das Public Relations, com quase 30 anos de experiência, nomeadamente em Public Affairs e campanhas políticas. Byrne é CEO da Weber Shandwick para o Reino Unido e região EMEA.

 

Byrne esteve no Eurobest 2013 enquanto presidente do júri na categoria de PR e, apesar da sua preenchida agenda, aceitou de imediato o convite que o PiaR lhe fez para uma conversa bem cedo no Tivoli, no último dia de festival.

 

Por motivos de força maior [leia-se gripe], acabou por ser o Rodrigo o único privilegiado deste poleiro a falar com Byrne. E, daquilo que o Rodrigo contou, parece ter sido uma conversa imperdível… Sobretudo, porque Byrne desafia a imagem estereotipada um pouco acinzentada dos “patrões” da comunicação. A boina e o estilo cool dão-lhe um registo altamente descontraído e genuinamente interessado em estar à conversa com alguém que ele não conhecia de lado algum, de um blogue do qual nunca tinha ouvido falar.

 

Para lá do simpático convívio social entre dois profissionais da comunicação, o mais importante da conversa entre o Colin e o Rodrigo foram algumas das considerações que o CEO da Weber teceu em relação ao sector das Public Relations.

 

O PiaR deixa aqui alguns excertos dessa conversa.

 

Colin Byrne

 

Rodrigo: Alguns festivais de criatividade, como Cannes ou o Eurobest, abriram-se às PR, mas aquilo a que se assiste é que há agências de advertising a ganharem os prémios de PR. Porquê? Prémios nunca foram o nosso foco? O "problema" está na criatividade do nosso sector?

 

Colin: Temos prémios e eventos apenas dedicados às PR, como os Sabre, mas olhando para Cannes ou para o Eurobest, que têm uma outra dimensão e realidade, a Publicidade (as pessoas e agências) sempre teve o seu foco, está no coração da sua actividade, na criatividade. Agora, nos últimos anos, as PR começam a valorizar a criatividade. Por exemplo, este ano na Weber Shandwick criámos a função de Chief Criativity Officer.

 

Depois, as pessoas da Publicidade são melhores a contar as histórias das suas campanhas. É o que fazem… e fazem bons filmes.

 

O trabalho das PR é mais below the line, menos visível. O trabalho das PR é mais difícil de contar e muito dele, especialmente ao nível corporate, é confidencial e não podemos andar a falar dele. Mas as coisas estão a mudar.

 

E as agências, as pessoas da publicidade trabalham para e com o director de marketing, que são mais focados e valorizam mais os prémios. Mas as coisas estão a mudar, as PR estão a saber ocupar o território da criatividade, especialmente em digital e consumo, e há jovens acabados de tirar um curso, que há 10 anos iriam para Publicidade (ou para Jornalismo), e hoje vêm para as PR.

 

As PR devem focar-se nos festivais e prémios?

 

Claro que sim, mas não apenas pelos prémios, sobretudo pelos festivais em si mesmo. Pela realidade de partilha de conhecimento e experiências: para aprender, para estar com outras áreas e beber deste “mix” de culturas, de ideias, de mentalidades. Cannes sim. Eurobest também. Participem. Envolvam-se. As PR têm de ser mais ambiciosas e puxar pelo seu lado criativo.

 

Deixando a luta entre Publicidade e PR em festivais e prémios, como vês a luta no dia a dia?

 

A Publicidade sempre conseguiu mostrar/demonstrar melhor o seu trabalho. Sempre conseguiram demonstrar melhor os resultados. O desafio está na medição, na demonstração do ROI, e isso tem que mudar. Tem que haver mais criatividade e mais números, mais informação. Temos que aprender a trabalhar com números. É o único caminho… e em digital, que não é território de ninguém. É mesmo fulcral. Neste momento as agências de PR já contratam especialistas em research e data analysis. E se em termos corporate ainda podemos ir por outras opções, pois o trabalho é mais "silencioso", em consumo é mesmo preciso ter medição e poder demonstrar que as PR influenciam comportamentos e vendas.

 

Ao contrário da realidade anglo-saxónica, em Portugal, o sector das PR não é valorizado, como se constatou ainda há uns dias quando uma empresa, neste caso pública, lançou um concurso para a contratação de uma agência de comunicação com valores inacreditáveis para os serviços solicitados. Trata-se de um sector "personalizado", em que mesmo as grandes agências são conhecidas e escolhidas pelo seu dono.

 

A problemática custos/preços baixos é uma realidade noutros países. Infelizmente, combate-se com "concorrência" de agências pequenas, muitas de apenas uma pessoa e quando o trabalho é apenas de media relations isso é uma realidade ainda mais difícil de esconder esconder. Porém, quando envolve outras áreas, como digital, criatividade, em que é preciso uma equipa, com outras valências e mais pessoas, isso já não é bem assim e aí as grandes agências têm mais espaço de manobra de fazerem vingar a sua posição e preço e poder mostrar o seu real valor.

 

Não esquecer que o negócio das PR começou com pessoas. Edelman, Burston, Shandwick... As grandes multinacionais começaram por ser a agência “daquela” pessoa. E as agências não se podem esquecer onde e como nasceram. Isto é um negócio de pessoas. O Edelman e o Al Golin (o da Golin Harris) ainda hoje trabalham junto de clientes.

publicado por Alexandre Guerra às 17:00

editado por Rodrigo Saraiva às 21:55
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Quinta-feira, 5 de Dezembro de 2013

Os portugueses finalistas do Eurobest 2013

Radio

Categoria "Travel, Entertainment & Leisure"

Agência: Fuel Lisboa

Projecto: Pink Hollywood

 

Film

Categoria "Entertainment & Leisure"

Agência: Fuel Lisboa

Produtora: SYNC Lisbon

Projecto: Pride Heart 

 

Categoria "Fundraising & Appeals"

Agência: MSTF Partners Lisbon

Produtora: Garage Films Lisbon

Projecto: First Time

 

Design

Categoria "Stationery"

Agência: MSTF Partners Lisbon

Projecto: Tell a Story

 

Promo & Activation

Categoria "Best New Product Launch/Re-Launch/Shopper Marketing)"

Agência: O Escritório Estoril

Projecto: A Small Demonstration

publicado por Alexandre Guerra às 13:37
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Quarta-feira, 4 de Dezembro de 2013

Portugal, um país que encara a crise de saltos altos

 

"Portugal is walking the crisis in high heels."

 

Rodney Collins, director da McCann Truth Central para a região EMEA, durante uma apresentação no Festival Eurobest 2013, a propósito da capacidade de Portugal de afirmação internacional e exportadora na indústria do calçado em pleno ambiente de crise. 

publicado por Alexandre Guerra às 19:59
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Responder à "crise" com "partilha", dizem os especialistas da criatividade

Amostra do trabalho de Rupert Bryan, realizador da Motion Picture House, que esteve esta manhã no Festival Eurobest 2013  

 

Dos primeiros seminários realizados na 25ª edição do Festival Eurobest, a decorrer entre Quarta e Sexta-feira no Cinema São Jorge, em Lisboa, há dois conceitos que saltam de imediato à vista: "crise" e "partilha". A "crise" porque, nos dias que correm, é um factor incontornável para todos os profissionais que desenvolvem criatividade para marcas, instituições ou qualquer outro tipo de entidades. Sendo impossível fugir a essa realidade, é então preferível conhecê-la [a crise] melhor para que os homens da criatividade possam encontrar soluções que permitam acrescentar valor na "indústria da comunicação".

 

E terá sido Rodney Collins, director da McCann Truth Central para a região EMEA, que mais directamente pegou no tema ao fazer uma apresentação chamada "Creativity in Crisis", na qual divulgou em primeira mão um estudo feito em seis países (Portugal, Tunísia, Espanha, Itália, Chipre e Grécia), precisamente sobre a percepção que as pessoas têm da crise e como estas têm reagido perante a actual conjuntura.

 

Porque só compreendendo essas dinâmicas é possível responder à pergunta feita por Collins: "De onde vem a criatividade em tempos de crise?" E é na resposta a esta questão que se chega ao conceito de "partilha". Durante a apresentação, o director da McCann Erickson foi dando vários exemplos, em diferentes países, da criatividade assente na "partilha" de ideias, de valores, de marcas, de objectivos, etc. Para Collins está-se a viver "the new age of sharing".

 

Num seminário anterior, Rupert Bryan, da Motion Picture House, também chamava a atenção para a importância da concretização de "parcerias fortes" no processo criativo. Sobretudo nestes tempos, os criativos têm que meter o "ego" na gaveta e não ter medo de parcerias entre profissionais.   

publicado por Alexandre Guerra às 15:11
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Segunda-feira, 18 de Novembro de 2013

[Word of Mouth] sobre o II Global PR Summit


 

Cinco dias em Miami ...

 

por: Salvador da Cunha

Fundador e CEO Grupo Lift. 

 

O Rodrigo Saraiva desafiou-me a contar a história dos cinco dias que passei com dois colegas do Grupo Lift em Miami, para participar no II Global PR Summit, promovido pelo Holmes Report.

No ano passado também já tinha estado, mas fui apanhado nas malhas do Furacão Sandy e não pude assistir à maior parte da conferência. Este ano estive na qualidade de orador, com objectivos concretos e trabalho de casa feito.

Além dos principais aspectos de conteúdo, de que falarei adiante, falo-vos da viagem e de alguns dos objectivos que nos propusemos no Grupo Lift em relação a este Fórum Global:

  1. Conhecer de perto o mercado norte-americano e algumas das empresas de serviços de marketing, especialmente nas áreas de Relações Públicas, Comunicação Digital e Word of Mouth;
  2. Entender os fenómenos de economia partilhada naquele país, que começam a ser ultra-relevantes e a levantar acesas polémicas, nomeadamente pelas associações hoteleiras do estado de Nova Iorque;
  3. Ter tempo e condições para reflectir sobre as várias hipóteses de modelo de internacionalização da WOM, a empresa de Word of Mouth marketing do Grupo Lift, cuja plataforma tecnológica está pronta e testada para abrir em qualquer país do mundo, em qualquer língua e alfabeto (o projecto beta, bem sucedido, na Grécia). Passar alguns dias fora dos locais e rotinas habituais de trabalho fazem verdadeiras maravilhas.

Tendo estes objectivos em vista, a primeira decisão foi não ficar hospedado num hotel, mas sim testar a plataforma Airbnb.com que nos permite arrendar casas/apartamentos em praticamente todo o mundo e alugar um carro (aqui não conseguimos sair do modelo tradicional do rent a car). Estas duas opções foram vitais para melhor conhecer Miami (700 km em cinco dias), tendo ainda tempo para assistir ao jogo dos Boston Celtic contra os Miami Heat, (em que os primeiros viraram o jogo quando faltavam apenas 0,6 segundos, com um cesto de três pontos) e visitar as ilhas Keys no dia seguinte. Isto porque o custo do arrendamento de uma moradia, ficou pelo mesmo preço de um quarto no hotel da conferência.

Sobre a conferência, e não falando das tradicionais queixas de que as Relações Públicas ainda não se sentam na mesa do grandes (mas também já não cabem na mesa dos pequenos) saíram algumas conclusões interessantes como tendência mundiais:


1. CRIATIVIDADE. Esta é, provavelmente, a mais interessante das tendências visíveis nas agências de comunicação: a integração de disciplinas mais criativas como o Design e mesmo a publicidade (ainda que em conceitos de earned media e owned media, e não tanto de paid media), que ao se juntarem às tradicionais áreas de assessoria de imprensa, organização de eventos e comunicação digital, provocam a segunda grande tendência:


2. INTEGRAÇÃO. É uma das recentes exigências de alguns dos clientes mais vanguardistas. Acabar com os silos na comunicação e encontrar agências que sejam verdadeiros parceiros nas várias áreas da comunicação, mas ao mesmo tempo especialistas em cada uma delas. O objectivo é desenvolver campanhas verdadeiramente integradas na origem (agência), sem que o cliente tenha de despender um esforço brutal na coordenação global de várias agências e na integração das campanhas. E se custar menos, melhor… 
Para as agências o desafio é desenvolver modelos que permitam ter verdadeiros especialistas in house, sem afectar a rentabilidade, por oposição a consultores generalistas que depois não conseguem operacionalizar as estratégias defendidas (isto acontece muito quando, por exemplo, um publicitário propõem uma conferência de imprensa ao cliente, sem fazer ideia do que está a falar).


3. BIG DATA. Conhecer as audiências, os hábitos de consumo, as percepções em relação às marcas e aos comportamentos das empresas, quem influencia quem, o que verdadeiramente influencia o Stakeholder e provoca comportamentos de suporte positivos, é o novo paradigma da tecnologia ao serviço do marketing e da comunicação. Alguém dizia, no entanto, «it’s only Big Data, if you can do something really big with it».
Para ajudar a gerir a reputação de um cliente é essencial saber o que ele pensa sobre a empresa e o seu grau de convicção. Só assim se podem montar estratégias de comunicação eficazes.


4. SOCIAL. É evolução do digital. Promover o earned/owned media em detrimento do Paid Media, utilizando conteúdos específicos e emocionais, nas várias plataformas disponíveis: sites, aplicações mobile, redes sociais, blogues, influenciadores, embaixadores, parcerias co-branded, celebridades e muitas outras formas de fazer passar mensagem a quem interessa, que forma que interesse.


5. CONTEÚDOS. Os conteúdos são uma das chaves essenciais para esta nova realidade social. Têm de ser de leitura rápida. Muito relevantes. Gráficos. Emocionais. Os clientes já não podem continuar a ignorar e a dizer que não têm orçamento para Vídeos, Infografias, Fotografias porque são este tipo de conteúdos que são partilháveis e virais. Já ninguém lê um relatório de sustentabilidade social de 300 páginas, ou um press release de cinco páginas.


6. PARTILHA. É de facto a grande tendência. Produzir conteúdo relevante e partilhável. A economia da partilha, que tanto tem dado que falar nos estados Unidos, também está no marketing e na comunicação. Brand Lovers, influenciadores, embaixadores, celebridades, jornalistas, partes interessadas. Se o produto for relevante, a marca apaixonante e o conteúdo interessante, todos querem saber, experimentar e partilhar. E estas partilhas podem assumir progressões geométricas verdadeiramente impressionantes. E aqui o mensageiro é crucial na credibilização da mensagem. 



publicado por Rodrigo Saraiva às 09:30
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Quinta-feira, 14 de Novembro de 2013

PR Summit 2013

 

Desde segunda-feira que tem estado a decorrer em Miami um dos mais, talvez o mais, importantes eventos de Public Relations a nível mundial, o PR Summit organizado pelo Holmes Report.

Para ver e saber, apreender e aprender, muito do que por lá se passa é ver o site do Holmes Report ou no twitter seguir a tag #PRSummit.

Eu para já só digo que a minha primeira resolução para 2014 é estar presente na próxima edição.

Do que me foi possível saber há, pelo menos, dois portugueses presentes. O Salvador da Cunha da Lift, que até foi orador num painel, e a Ana Ximenes da Inforpress.

publicado por Rodrigo Saraiva às 12:58
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Quarta-feira, 13 de Novembro de 2013

Comunicadores de Excelência

Agora que se aproxima o Natal fica já uma sugestão de prenda. Mas na verdade, acho que não devem esperar pela época natalícia.

O Renato Póvoas desta vez não escreveu um livro. Mas é dele a responsabilidade deste “Comunicadores de Excelência” estar nos escaparates. Uma iniciativa com apoio da APCE.

Um conjunto de textos, de cases, de várias empresas e marcas, nacionais e internacionais, a operar em Portugal, que da comunicação externa à interna, da responsabilidade social ao social media, demonstram muito do que se vai fazendo na Comunicação neste nosso país. E não só, pois ainda há 3 comunicadores lusos que trabalham em outras geografias a contribuir para este apanhado. E para além destes casos o livro é complementado com um muito interessante prefácio do João Adelino Faria.

Uma leitura que vale a pena.

E este livro é ele próprio um interessante projecto de comunicação. Não apenas pelo abdicar das receitas em favor de um projecto universitário, mas também por ser um inteligente projecto de promoção e networking da Guess What, agência do duo Renato Póvoas e Jorge Azevedo, dois dos profissionais (e empresários) deste sector por quem nutro grande simpatia e respeito e admiração profissional.

E convém recordar o que aquiaqui foi dito sobre o primeiro livro do Renato.

publicado por Rodrigo Saraiva às 10:49
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Quarta-feira, 18 de Setembro de 2013

Por mais milhões gastos em comunicação e marketing, a EDP nunca terá os consumidores do seu lado

A EDP é daquelas empresas que por mais milhões de euros que gaste em estratégias de public relations e de marketing nunca terá os consumidores do seu lado. E porquê? Porque o serviço que a eléctrica nacional presta (até há bem pouco tempo, monopolista) é pago a peso de ouro pelos cidadãos, que se sentem literalmente "explorados" sempre que olham para os inúmeros items da factura. Por mais que a EDP se esforce para surgir aos olhos da opinião pública como uma empresa sustentável e responsável, os consumidores portugueses não embarcam nessa conversa.

 

Primeiro, porque a empresa não proporciona aos consumidores um serviço propriamente diferenciador, em relação àquele que é oferecido por outra qualquer eléctrica do mundo, que justifique os elevados preços praticados em Portugal. Segundo, a EDP é, ironicamente, uma companhia que aposta forte na comunicação e no marketing institucional, mas é desastrosa no contacto directo com o cliente.    

 

Terceiro, os consumidores sabem hoje em dia que estão a pagar muito mais do que a electricidade, efectivamente, consumida. Estão a pagar, na verdade, todos os mecanismos que têm permitido à EDP valorizar-se junto dos mercados e dos accionistas, através de inúmeras operações, muitas delas de retorno duvidoso e que, nalguns casos, estão a alimentar uma "bolha" que um dia poderá rebentar. 

 

A aposta cega nas "renováveis" desprovida de um paradigma energético sustentável, o avarento plano nacional de barragens, fruto de uma relação de interesses entre o Estado e a eléctrica  -- em que os males ambientais e económicos superam claramente as virtudes energéticas --, as inúmeras aquisições comerciais milionárias feitas pela EDP por esse mundo fora, nomeadamente no mercado americano -- e que têm aumentado a dívida colossal da empresa --, criaram a ideia artificial de que a EDP é uma empresa portentosa.

 

Há uma certa elite económica e política, altamente alinhada e comprometida com os "interesses" do Estado, que tem contribuido para esta efabulação, não deixando de enaltecer os grandes feitos da EDP, esquecendo-se daquilo que devia ser o essencial: o consumidor português.

 

E neste ponto é interessante comparar os mercados da energia e o das telecomunicações, sobretudo as abordagens da EDP e da PT/MEO aos consumidores no que à comunicação e marketing diz respeito. É justo dizer que a dinamização do mercado das telecomunicações trouxe benefícios para os consumidores em termos de preço final e de qualidade dos serviços. Alguns desses serviços, aliás, reconhecidos internacionalmente como inovadores.   

 

Por exemplo, se o leitor estiver atento à comunicação e ao marketing dos produtos do universo PT/MEO verá que se centram no preço e nos elementos diferenciadores da marca. São mensagens muito concretas e focadas em produtos para o consumidor. Preços de pacotes explicados ao cêntimo, promoções, serviços, etc.

 

Já a comunicação e o marketing da EDP assentam em mensagens vagas, ideias genéricas, recorrendo-se muitas vezes a conceitos como "responsabilidade" ou "sustentabilidade" e a imagens harmoniosas de idosos, de famílias felizes, de paisagens idílicas, e por aí fora.  Mas, depois de tudo "espremido" não se encontra qualquer oferta concreta de valor acrescido para o consumidor. Mesmo ao nível da comunicação mediática, a maior parte das notícias da EDP prendem-se com a vertente institucional e financeira do negócio (cotação em bolsa, aquisições, fusões, relações com a China Three Gorges, operações de "charme", entre outras) e não com os produtos direccionados para o consumidor, que na verdade não existem. 

 

É uma estratégia que serve um determinado propósito, como já aqui foi referido, mas que se distancia por completo daquela que, por exemplo, foi seguida pela PT/MEO e que proporcionou uma relação bem mais benéfica e próxima com os consumidores. 

 

Alguns analistas começam, agora, a levantar o véu sobre o verdadeiro universo EDP. E quanto ao consumidor, este limita-se a questionar: Se a EDP é uma empresa assim tão grande e inovadora, por que é que isso não se reflecte naquilo que é mais importante, ou seja, energia mais barata para as pessoas?

 

A resposta é simples: a estratégia de gestão da EDP não está focada no bem estar do consumidor, mas sim na satisfação plena dos seus accionistas e investidores. É uma opção aceitável (mas condenada ao fracasso) numa empresa privada, mas imoral numa companhia que cresceu à sombra do Estado e num mercado monopolista.  

 

É por isso que a estratégia de comunicação e de marketing da EDP não visa informar o consumidor do valor acrescido que a empresa lhe possa dar (porque não dá), mas sim criar uma espécie de "distracção" para que seja incutida nas pessoas uma percepção (errada) de que a eléctrica nacional tem muita coisa a oferecer aos seus clientes, quando na verdade não tem nada. Ainda esta Quarta-feira lia-se no Público uma notícia que espelha na perfeição aquilo que é a EDP nos dias de hoje.

publicado por Alexandre Guerra às 15:38
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Segunda-feira, 19 de Agosto de 2013

depois da Judite, vamos ao Lorenzo. E à comunicação.

A Virgínia aqui e o Alexandre aqui já falaram sobre a Judite. Mas o PiaR, tendo o âmbito que tem, não pode deixar de falar do Lorenzo. Tendo em conta que fazer uma festa milionária e trazer a Pamela são ingredientes bastante suficientes para conseguir mediatismo e agora até com direito a directo num telejornal em prime time, não posso deixar de confessar que já me questionei se o jovem Lorenzo não teria contratado uma agência de comunicação. Ou se terá alguém a trabalhar directamente consigo. Mas depois de ver a sua prestação junto de Judite, caso tenha algum profissional a trabalhar com ele, é notório que é alguém com bons skills de assessoria mediática, mas fraquinho como consultor de comunicação.

publicado por Rodrigo Saraiva às 10:32
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Segunda-feira, 12 de Agosto de 2013

mais uma agência no mercado

Depois de anunciada a fusão dois grupos Omnicom e Publicis estou certo que todos os players do marketing, publicidade, PR e afins, em todas as geografias do mundo, começaram a pensar em qual seria o impacto no seu sector e no seu mercado.

 

O Carlos Martinho já aqui nos deu o prazer de analisar o impacto (ou não) desta fusão em Portugal, nomeadamente em PR.

 

Embora, tal como o Carlos, pense que nada se alterará, o mais normal seria que as surpresas viessem desse universo de empresas. Confesso que já sabia da novidade, mas aguardei pelo anúncio público. Eis que é do universo WPP que vem a notícia para a reentre, a abertura da Young&Rubicam PR, que terá ao leme o Luis Rosendo.

 

A primeira nota de interesse desta notícia passa pelo facto de o grupo WPP já ter presença de PR em Portugal, através da Hill&Knowlton e que é das poucas multinacionais com escritório próprio por cá, o que não deixa de ser um sinal positivo de aposta da WPP no nosso mercado.

 

E é também curioso que esta nova agência se apresente como afiliada da Burson-Marsteller, que até chegou em tempos a ter escritório próprio em Portugal mas depois ficou apenas com acordos de filiação, primeiro com a C&C e nos últimos anos com a Lift.

 

Temos assim mais um player. Veremos ao que vem e o que irá conseguir. Um abraço de “break a leg” ao Luis Rosendo.

publicado por Rodrigo Saraiva às 17:03
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Segunda-feira, 29 de Julho de 2013

[Word of Mouth] A fusão inesperada


 

A fusão inesperada

 

 

por: Carlos Martinho

editor de conteúdos na GCI

 

“Uma grande notícia para dois homens – Maurice Levy, CEO da Publicis, e John Wren, CEO da Omnicom – mas desconcertante para 130 mil colaboradores e centenas de clientes”. Mais coisa, menos coisa, era assim que, no sábado à noite, alguém se refira no Twitter à fusão entre estas duas gigantes dos serviços de marketing.

 

Primeira conclusão da fusão Publicis/Omnicom: esta é uma das mais surpreendentes notícias de sempre da indústria do marketing e estava fora dos radares do mais optimista, visionário e ingénuo analista de mercado. Primeiro, porque se tratam de duas culturas completamente diferentes, a proteccionista francesa e a controladora norte-americana. O que sairá daqui?

 

Em segundo lugar, porque durante anos se falou numa possível aquisição da Havas – outra das holdings do top six, também francesa – pela Publicis, mas o negócio nunca se realizou.

 

Em terceiro, porque, como notou o CEO da Havas, David Jones, os clientes querem agências mais ágeis e empreendedoras, e não “burocracia e processos complexos”. Este será um argumento interessante para as holdings/agências mais pequenas lucrarem com a fusão.

 

Finalmente, porque o timing é muito interessante mas pouco habitual: um pacato fim-de-semana de férias, uma péssima altura para deixar os banhos caribenhos com a família para apanhar um avião. A maioria dos clientes – e certamente muitos dos executivos e gestores da Publicis/Omnicom – terão sido avisados do negócio pelos media, o que não deixa de ser arriscado para a reputação da futura holding.

 

A francesa Publicis é liderada desde 1987 por Maurice Levy, de quem terá partido a sugestão para a fusão, há cinco meses. Tem uma forte presença em França e no continente europeu, com agências como Leo Burnett, Publicis, Saatchi & Saatchi, Barte Bogle Hegarty (BBH), Fallon, VivaKi, Digitas, Starcom, ZenitOptimedia, Razorfish, MSL… A delicadeza da fusão para os seus clientes locais obrigou a que o negócio fosse anunciado em Paris. Nos Champs-Élysées.

 

A Omnicom é a típica multinacional norte-americana, que domina o mercado local e detém agências como BBDO, TBWA, DDB, OMD, Fleishman-Hillard, Porter Novelli ou Interbrand.

 

Apesar de tudo, as duas holdings podem complementar-se – a Omnicom tem uma visão tradicional da publicidade; a Publicis é fortíssima no digital. Veremos se os reguladores concordam.

 

Portugal

É difícil prever as consequências desta fusão para o mercado português. Em publicidade, Omnicom e Publicis estão presentes com as suas maiores agências, assim como em planeamento de meios. Mas, nesta indústria, é normal que uma determinada holding detenha quatro ou cinco agências no mesmo mercado. Ou melhor, era normal.

 

Em PR, a especificidade do nosso mercado, liderado por consultoras locais, não antevê grandes mudanças. Das principais marcas de PR da nova holding – MSL, Kekst, FleishmanHillard, Ketchum, Porter Novelli e Cone –, apenas a Porter Novelli está presente em Portugal de forma independente. Haverá espaço para a criação de uma nova super-agência? Teoricamente, sim, mas não será fácil de a implementar no terreno.

 

Colosso global

A nova holding já tem nome – Publicis Omnicom Group – e terá dois co-CEO nos primeiros 30 meses: Levy e Wren. Depois, Wren – 61 anos e uma década mais novo que Levy – deverá liderar o grupo, mantendo-se o septuagenário francês como chairman não-executivo.

 

Com $23 mil milhões de receitas, a holding ficará sedeada na Holanda, mantendo os escritórios operacionais em Paris e Nova Iorque. O grande objectivo será poupar $500 milhões em sinergias operacionais, o que já provocou a reacção de sir Martin Sorrell, CEO da até agora líder WPP: “Será interessante ver como [a nova holding] poderá poupar $500 milhões em sinergias, sem despedimentos”.

 

Alguns analistas frisam que esta operação cria em Sorrell uma pressão extra para voltar às compras. Algo que este, aliás, tem feito regularmente. Em cima da mesa estará o grupo Interpublic (IPG), que passou a terceiro maior grupo de comunicação e ainda não reagiu à fusão.

 

O negócio poderá efectivar-se entre o último trimestre de 2013 e o primeiro de 2014. Se for realmente concretizado, virará a indústria de cima para baixo. Nada será como dantes.

 

Segundo a Adage, Coca-Cola, Pepsi, AT&T, Sprint, T-Mobile e Verizon são alguns dos potenciais clientes-conflito. Ainda assim, este número será muito maior, se analisado mercado a mercado. Será esta uma oportunidade para as agências mais pequenas reforçarem o seu portfólio de clientes? Possivelmente, sim.

imagem do Diário Económico

publicado por Rodrigo Saraiva às 12:04
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Quinta-feira, 23 de Maio de 2013

Scandal :: 6 lições

O Alexandre não gostou do Scandal. Eu a cada episódio gosto mais. Por muito "folclore de cinema" que exista na realização, para quem trabalha em PR é uma série imperdível. Um follower mais atento consegue descortinar ali apontamentos muito interessantes. Por isso gostei de ler este artigo onde são enumeradas 6 lições retiradas da série. Gosto particularmente da 2 e da 4. Let's go gladiators

 

publicado por Rodrigo Saraiva às 15:51
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Quinta-feira, 2 de Maio de 2013

as PR na actualidade ... é tão isto

Gosto quando leio um artigo/post e chego ao fim a pensar "é mesmo isto!". Foi o que aconteceu ao ler este "Three Ways a PR Firm Can Help You". Recomendo a leitura. E recomendo a partilha, aos profissionais do sector mas também (e em especial) com quem está em funções de gestão de entidades, sejam estas de que âmbito forem, porque como aqui disse: tudo e todos precisam de trabalhar a comunicação.

 

 

publicado por Rodrigo Saraiva às 10:38
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Quinta-feira, 18 de Abril de 2013

gosto mesmo do que faço

publicado por Rodrigo Saraiva às 14:07
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Sexta-feira, 15 de Março de 2013

há crise?

publicado por Rodrigo Saraiva às 16:07
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Sexta-feira, 8 de Março de 2013

no dia da Mulher, fica uma sugestão

Fashion PR Girl Problems

 

 

publicado por Rodrigo Saraiva às 11:22
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Terça-feira, 15 de Janeiro de 2013

Dan Edelman (1920 - 2013)

 

“Pioneiro da indústria” das public relations. Foi desta forma que a PRWeek se referiu a Dan Edelman, que morreu esta Terça-feira com 92 anos, depois de ter dedicado grande parte da sua vida à credibilização e à inovação de um sector que ganhou notoriedade sobretudo nas últimas décadas.

 

Homem do jornalismo e da comunicação em geral, Dan Edelman viria a fundar a Edelman no ano de 1952, em Chicago, sendo um dos primeiros homens a perceber as virtudes do conceito de “engagement” entre jornalistas e as empresas/produtos.

 

Em apenas poucos anos, Dan começou a construir uma empresa que tinha características muito próprias e que a iriam distinguir de outras agências de public relations.

 

A par da inovação nos conceitos e nos métodos, talvez a principal característica de que Dan Edelman mais se orgulharia seria o carácter familiar da empresa. Aliás, este foi um lema que a Edelman sempre presou e fez questão de enaltecer.  

 

Essa lógica familiar, incutida por Dan, vai muito além da presença dos vários familiares Edelman nas estruturas da empresa, reflectindo-se também no próprio posicionamento independente no mercado internacional. Aliás, a Edelman, que em Portugal é representada pela sua afiliada GCI, orgulha-se de ser a maior consultora privada e independente de public relations do mundo.  

 

Uma das grandes virtudes de Dan Edelman foi a sua resiliência e capacidade de enfrentar e superar desafios, mantendo ao longo dos anos uma constante inovação de conceitos, paradigmas, abordagens e metodologias.

 

Como se pode ler no texto de homenagem da empresa, Dan estava sempre preparado para o próximo desafio e foi essa capacidade de antecipação que lhe permitiu ser pioneiro na área das públic relations

publicado por Alexandre Guerra às 22:47
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Quinta-feira, 27 de Dezembro de 2012

2012 foi o ano em que …

Mais uma vez faço o exercício de percorrer cronologicamente os posts do PiaR e fazer uma resenha do ano que finda. Ora vamos a isto.

 

 

 

Os oráculos das televisões somaram gralhas e mais gralhas. Quem não se lembra do “Car(v)alho da Silva” ou do “Paços Coelho”? E até do “Passos de Ferreira”.

 

As redes sociais, em especial o facebook, se assumiram como muros de lamentações e indignações. Sofreram (e sofrem) com isso várias marcas, diversos políticos, mas também outras pessoas.

 

Os media enganaram-se, confundiram-se e foram enganados. E 2012 foi o ano em que ficou “institucionalizada” a crise nos media e eventuais consequências e soluções. Exemplos aqui, aqui e aqui. E quando se analisa o sector, analisa-se a profissão.

 

Foi comemorado o primeiro Dia Mundial da Rádio. Um meio que parece ser aquele que melhor vai resistindo à crise dos media. E 2012 teve um momento de mudança do panorama nacional.

 

Os PR After Work, embora com menor cadência, mantiveram-se em agenda.

 

Através do Word-of-mouth continuámos a dar palco à opinião dos profissionais.

 

Casamentos no sector eram esperados, divórcios nem por isso.

 

O plantel aqui do poleiro produziu menos posts que em anos anteriores, mas não deixaram de andar agitados. Uns a darem palestras aqui ou ali, … ou a acompanhar eventos, como o Verge. E não se pode esquecer o papel central da Virginia na organização do Upload Lisboa.

 

Na comunicação política os olhares viraram-se para França e, claro, Estados Unidos. Até para Angola, embora menos.

 

A PRWeek voltou a olhar para Portugal.

 

O PiaR festejou 4 anos a piar.

 

O sector da comunicação foi também alvo de análise nos media.

 

Sim, muito mais aconteceu. Muito mais haveria para recordar. Para isso mesmo é que temos ali o Arquivo na barra da direita --»

E para além do arquivo do poleiro faço um rewind à memória e chego à conclusão que este ano o PiaR deixou passar diversos temas em branco. Este plantel tem que voltar a ganhar energias.

 

ah! E o mundo não acabou.

 

publicado por Rodrigo Saraiva às 14:31
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Segunda-feira, 17 de Dezembro de 2012

fala por ti

O Alexandre acha que Scandal é “escandalosamente mau”.

Percebo esta opinião pois ele confessa que só viu 10 minutos do primeiro episódio.

O inicio não foi grande coisa. aquele diálogo inicial a uma velocidade vertiginosa foi tudo menos natural. Ficou-se logo com uma percepção demasiado hollywoodesca da série.

Mas o Alexandre devia ter visto o episódio até ao fim.

Estou certo que Scandal não irá prender os profissionais da comunicação de forma tão emocional como acontecia com Mad Men, mas há ali conteúdo que vale a pena seguir.

Também é verdade que foi criada uma expectativa enorme e agora é preciso entrar na lógica do “dar desconto”.

 

Os gladiators in suits não são uma PR Agency convencional. São fixers, logo aquilo que mais veremos será aproximado de crisis management, com public affairs e media relations como ferramentas a utilizar quando necessárias. E no primeiro episódio foi isso que se viu, para além dos 10 minutos. E é isso que é interessante assistir nesta série.

 

Pelo que vi não posso concordar com o Alexandre. Scandal está longe de “escandalosamente mau”. Com os próximos episódios veremos se é série para me agarrar religiosamente ao ecrã.

publicado por Rodrigo Saraiva às 00:18
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Terça-feira, 11 de Dezembro de 2012

série morta, série posta

Nos últimos anos dedicámos muita da nossa atenção televisiva à série Mad Men. Embora retratasse a vida numa agência de publicidade, nos loucos anos 60, havia muito que nos inspirava e prendia aos episódios.

 

Agora chegou a nossa vez de ter nos canais nacionais uma série inspirada no “lado negro” da comunicação. Scandal! Venham eles.

publicado por Rodrigo Saraiva às 15:21
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