Quarta-feira, 15 de Julho de 2009

Word of Mouth "especial aniversário" - Rodrigo Moita de Deus

 

 

 

A revolução da banda larga

 

por: Rodrigo Moita de Deus

 

Junho 2010. Esta é a data apontada pela Microsoft para que os consumidores, média global, passem mais tempo online que à frente da televisão (3.4 dias por mês). E faz sentido. Em 2009 existiam já 1634360 de acessos fixos à internet por banda larga e 2378800 de acessos móveis. Aproximadamente 5 milhões de acessos. Em Fevereiro de 2009 o portal Sapo tinha 996 mil visualizações (Netpanel Fevereiro de 2009). O jornal Nacional da TVI uma média de 818 mil espectadores (Audiências Marketest Fevereiro de 2009). 

 

A internet vive em silenciosa euforia a glória anunciada em 1995. É, certamente, o trauma da bolha de 2001 que inibe celebrações mais entusiásticas. A expressão Web 2.0 faz sentido. É uma segunda vida. Mais pujante e eficaz que nunca. Uma segunda vida que, mais do que o passar do tempo, só a banda larga justifica. O salto foi tecnológico. Mais na capacidade de transmissão de dados da rede que no hardware de recepção ou nos hábitos dos consumidores.

 

A internet a 100k permitia pouco mais que a visualização de texto. A 200k permitia a visualização de imagens em baixa definição. A 700k permitia música. A mais de 1 mega permitiu a visualização de vídeo. Com 5 mega é agora possível fazer streaming de emissões com razoável qualidade de recepção. É possível analisarmos imagens em alta definição com razoável rapidez ou jogarmos com adversários de cinco continentes em simultâneo. Consequência disso mesmo, ainda em 2008, o número de consultas de vídeos ultrapassou finalmente o número de downloads de músicas.

 

Hoje temos ofertas comerciais a 100 megas. Em breve, com as redes de nova geração em fibra óptica, vamos vulgarizar esta velocidade. Levará um pouco mais de tempo para que os produtores de conteúdos consigam aproveitar ao máximo o potencial desta capacidade de rede.

 

Junho de 2010 é um marco. Um símbolo. Porque tudo já mudou. Longe de mim anunciar a morte da televisão. Tal como a televisão não matou a rádio. Tal como a rádio não matou os jornais. O mesmo estudo revela que a televisão não vai baixar as suas audiências. No duelo com a internet a vitória foi do hardware. No computador posso gravar, filmar, ouvir música, ler, consultar informação, armazenar dados e até…ver televisão. Num aparelho de televisão posso…ver televisão. Ou seja, é possível por televisão na internet e um pouco mais difícil por internet na televisão.

 

Mesmo as mais recentes versões de IPTV poucas novidades trazem. A ideia de que a box se pode tornar numa espécie de centro de entretenimento doméstico pode ser ultrapassada pela simples capacidade de interligação do computador. De resto está a playstation3 mais próxima desse conceito de centro de entretenimento que as boxs dos nossos operadores. O aumento da capacidade média de rede para os 50 megas vai permitir o streaming de canais de televisão (queiram os canais de televisão transmitir numa segunda plataforma).

 

E apesar destes dados, apesar destes números, a internet continua a ser um dos media com menos investimento e com pior remuneração de conteúdos. O que não deixa de ser curioso. Como pode um media com tão fraco investimento nos seus conteúdos (por comparação) revelar estas taxas de crescimento? E o que será deste media quando tiver níveis de investimento semelhantes aos da televisão?
 

publicado por Rodrigo Saraiva às 16:26
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