Segunda-feira, 29 de Junho de 2009

Quando o interesse do director se sobrepõe ao interesse dos leitores

Rui Tavares, colunista do Público, e José Manuel Fernandes, director daquele jornal, envolveram-se num invulgar “combate" de argumentos na edição de hoje daquele diário.

 
A propósito do manifesto dos “28” e da respectiva réplica surgida dias depois, Rui Tavares escreveu hoje um violento artigo contra os critérios editoriais do Público, nomeadamente do seu director, pela forma como foi tratado todo o processo noticioso relativo àqueles dois documentos, que veiculam posições diferentes sobre os grandes investimentos públicos que estão neste momento em projecto.
 
Embora não sendo tão directo, Rui Tavares é claro na mensagem do seu texto, ao deixar explícito que José Manuel Fernandes tomou uma decisão editorial desequilibrada por causa da sua formatação ideológica face a esta temática.
 
Para Rui Tavares terá havido um favorecimento no tratamento editorial do manifesto dos “28”, enquanto o outro documento terá sido desvalorizado pelo próprio jornal. Tavares utiliza uma série de argumentos para sustentar a sua ideia.
 
Provavelmente, alertado por algum editor durante o fecho, José Manuel Fernandes leu o texto e viu-se perante acusações internas duras, algo muito raro ao longo destes anos de reinado à frente do Público.
 
Apesar de ter “por regra não responder a colunistas no dia em que estes escrevem”, como o próprio admite, José Manuel Fernandes não se coibiu de, em editorial, responder a Rui Tavares na própria edição.
 
E, na opinião do autor destas linhas, José Manuel Fernandes esteve mal. Não pela resposta em si, mas pelo timing da mesma.
 
A verdade é que José Manuel Fernandes poderia ter dado uma réplica (o que é saudável, refira-se), mas numa edição posterior, sobretudo por duas razões:
 
Primeiro, dava espaço ao leitor para apreender a mensagem veiculada por Rui Tavares, que no seu exercício de livre expressão escreveu um artigo de opinião; Segundo, o director do Público demonstraria capacidade de encaixe e colocar-se-ia no mesmo patamar de Tavares para um “combate" de argumentos de igual para igual.
 
Ao invés, José Manuel Fernandes interpretou o texto de Rui Tavares como um ataque à sua pessoa. Descurando por completo os interesses do leitor e do próprio jornal, e recorrendo das suas prerrogativas enquanto director, não resistiu à tentação de responder na mesma edição em que Tavares opinava.
 
José Manuel Fernandes não terá tido bom senso nem demonstrado elegância na forma como lidou com um artigo de opinião mais crítico vindo do interior do próprio Público. A questão aqui não se prende com o conteúdo das ideias em debate, mas apenas com a forma de como foi dada a réplica pelo director de um jornal a um artigo de opinião.
 
PS: Presume-se que o Rui Tavares tenha adoptado este tom tão crítico, talvez, por já estar de malas feitas para Estrasburgo, perspectivando assim o fim da sua colaboração com o Público.
 
publicado por Alexandre Guerra às 22:11
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