No âmbito do tema abordado pelo Rodrigo no post anterior, dizia há dias o padre jesuíta Vasco Pinto Magalhães, em entrevista à Rádio Clube Português, que um dos problemas da Igreja continua a ser a comunicação.
A ausência dela ou a forma pouco adequada de como é feita tem prejudicado a Igreja na forma de se relacionar com os seus crentes. Além disso, as autoridades religiosas têm demonstrado alguma dificuldade em se adaptarem às novas realidades e suportes comunicacionais.
É verdade que, por exemplo, o Vaticano tem demonstrado alguns avanços neste campo, no entanto, são tímidos e estão longe de explorar satisfatoriamente as potencialidades das novas tecnologias e modelos de comunicação. Como, aliás, outras entidades, quer empresariais, institucionais ou estatais, já o fazem.
Tal como há uns anos, as organizações religiosas tiveram que se adaptar a novas formas de comunicação, com o surgimento de ferramentas como os telemóveis, os CD's, os computadores pessoais, as comunicações por satélite. No entanto, quando o fizeram já foi com bastante atraso em relação aos esforços que já estavam ser feitos por entidades governamentais e empresas.
Também hoje, as organizações religiosas estão a perder terreno no que diz respeito à comunicação em sentiddo amplo. Não existe um domínio dos canais disponíveis nem um modelo adequado às exigências comunicacionais das sociedades actuais.
A estudante de doutoramento Patricia Connolly, da Universidade do Ulster, escreveu recentemente um artigo em que analisa precisamente essa questão, a partir de um exemplo prático que envolveu a Igreja Católica na Irlanda do Norte.
O caso está relacionado com o abuso sexual de seis crianças e na forma desastrosa como o assunto foi gerido pelas autoridades religiosas. Devido à inexistência de uma estratégia de comunicação de crise, os efeitos negativos prolongaram-se durante um longo período.
Esta história assemelha-se a tantas outras que nos últimos anos vieram a público, com consequências devastadoras para a reputação e notoriedade da Igreja.
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