A Sky Real Lives, um canal da rede Sky do Reino Unido, emitiu esta noite as polémicas filmagens em formato de documentário (presume-se, a julgar pelos clips disponíveis) dos últimos dias e minutos da vida de Craig Ewert.
Aos 59 anos, e sofrendo uma doença degenerativa ao nível neurológico, Ewert decidiu por fim à sua vida na clínica Dignitas, em Zurique, o único local no mundo onde a lei permite que uma pessoa possa recorrer à morte assistida por um médico independentemente do seu estado de saúde.
Perante o sofrimento que a sua doença lhe provocava, Ewert já não aguentava mais as dores e a sua vida, mas ao mesmo tempo decidiu explicar às pessoas a razão por detrás da sua trágica decisão.
O realizador canadiano e laureado com um Óscar, John Zaritsky, teve acesso exclusivo à clínica Dignitas para poder filmar e captar a essência da mensagem de Ewert.
O assunto foi abordado na Câmara dos Comuns pelo próprio primeiro-ministro, Gordon Brown, que referiu que o assunto deveria ser tratado com a maior sensibilidade, apelando ao bom senso da estação televisiva e alertando as entidades reguladoras britânicas para estarem atentas a eventuais violações da lei.
O documentário foi intencionalmente para ar no dia em que se celebrou o 60º Aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos, enquadrado no debate sobre a problemática da eutanásia e do direito reclamado por muitos de poderem ser livres de escolher o dia e a hora em que querem morrer.
Além do debate sociológico, este é também um caso que deve ser avaliado numa vertente comunicacional. Tratanto-se supostamente de informação, Ewert recorreu ao meio por excelência de comunicação de massas para transmitir uma mensagem.
Mas, é aqui que começa a surgir um dilema...
Veja-se o seguinte cenário: Existe uma organização ou associação defensora do direito à eutanásia ou suicídio assistido empenhada na sua causa, à semelhança de tantas outras ligadas a variados assuntos. Aquela organização decide intensificar as suas acções através de uma campanha de lobby e de public affairs junto de entidades decisoras, recorrendo também à comunicação como forma de mobilizar os "públicos-alvo" na defesa dos seus interesses.
Para tal, contrata uma empresa de consultoria de comunicação à qual lhe pede que monte uma estratégia. A "agência" aceita o desafio do seu cliente e apresenta uma proposta com várias ideias, entre as quais uma que contempla uma peça de televisão na qual o jornalista acompanhe o doente desde a fase terminal até á altura em que os médicos o declaram como morto. A proposta refere ainda que o próprio doente é o "speaker" disponível. O objectivo é precisamente comunicar e sensibilizar os públicos-alvo.
Será que o cenário acima descrito é puro devaneio da mente do autor destas linhas? Talvez, mas a verdade é que antes de ontem, tal exercício especulativo parecia muito mais absurdo.
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