Terça-feira, 25 de Novembro de 2008

Chinese Democracy: a lógica da comunicação sobrepõe-se ao marketing

 

O já "histórico" álbum Chinese Democracy dos Guns N'Roses (só o Axl e o Dizzy se mantêm na actual formação) é um sucesso em termos de comunicação. Do Los Angeles Times à BBC World, passando pelo The Guardian, até à TIME ninguém se inibiu de comentar a chegada ao mercado do mais caro disco de sempre em termos de produção.

 

Tal acontecimento foi sendo alimentado ao longo dos últimos meses, tornando o lançamento daquele "produto" no MySpace um recorde de audiência. Interessante também a relação entre o Dr. Pepper e os GN'R observada pelo Buzzofias no âmbito de uma estratégia de comunicação integrada para potenciar o lançamento do álbum.

 

E o mais curioso de tudo isto é que ao contrário de outras grandes bandas ou fenómenos musicais, como os U2, Madona, ColdPlay, etc, a Geffen terá investido muito pouco em marketing, já que todo o lançamento do álbum se baseou praticamente na estratégia de comunicação.

 

Se não, repare-se... Mesmo para as pessoas mais atentas ao mercado musical foi praticamente impossível ouvir numa rádio um single de apresentação ou encontrar um cartaz com o anúncio do novo álbum. É certo que já há algum tempo os GN'R andavam a tocar alguns temas novos, mas nunca um single chegou ao circuito comercial das rádios, de modo a promover o álbum.

 

Apenas ontem e depois de ter adquirido o álbum, o autor destas linhas pôde ouvir os primeiros acordes do Chinese Democracy em condições. E apenas dias antes se vislumbrou a capa do mesmo. Na própria FNAC do Chiado, o álbum está algo "escondido". Algo raro para os dias que correm e que rodeiam os grandes lançamentos... 

 

Voltando à comunicação, a China, através do Partido Comunista, já se pronunciou sobre o álbum (melhor publicidade que esta não existe), considerando-o "venenoso". O chefe da diplomacia de Pequim optou por um tom mais suave, desvalorizando o conteúdo do álbum, classificando-o de demasiado barulhento e ruidoso.

 

Gostos à parte, é inegável que o Chinese Democracy se tornou num fenómeno de comunicação, onde tudo o que possa ser dito apenas contribuirá para reforçar o seu estatuto de "histórico" junto dos amantes da música. 

 

Para os profissionais da comunicação, fica um exemplo de como trabalhar o lançamento de um "produto" sem recorrer praticamente ao marketing.

 

publicado por Alexandre Guerra às 16:58
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