A Starbucks foi obrigada a ceder à pressão da opinião pública britânica, que parece ter esgotado a paciência com o regime fiscal escandalosamente generoso da "city" para com as grandes multinacionais que ali operam e facturam milhões anualmente.
A polémica arrastava-se há meses, com a Starbucks (e outras empresas) a ser confrontada com o facto de ter pago impostos (IRC) insignificantes quando comparados com as receitas. Aliás, o próprio primeiro-ministro britânico, David Cameron, tinha criticado no Fórum Económico Mundial em Davos, no passado mês de Janeiro, a baixa contribuição fiscal de algumas grandes empresas internacionais a operar em Inglaterra.
O regime fiscal da "city" para estas empresas permitiu que, por exemplo, a Starbucks pagasse apenas 8,6 milhões de libras em IRC desde que chegou a Inglaterra em 1998, sendo que nos últimos três anos não chegou sequer a contribuir com nada. A empresa alegava que não tinha lucro no Reino Unido, apesar das vendas da Starbucks em 15 anos de actividade já estarem acima das 3 mil milhões de libras.
Mas veja-se o caso da Amazon britânica, que em 2011 facturou 3,35 mil milhões de libras. Em IRC pagou apenas 1,8 milhões. Embora apresente números menos díspares, mesmo assim a Google inglesa pagou em 2011 aos confres de Sua Majestade a quantia de 6 milhões de libras face a vendas de 395 milhões.
Os tempos de austeridade que se vivem, mesmo em Inglaterra, e de enormes sacríficos para as populações, obrigaram, este Domingo, a Starbucks a anunciar em comunicado que, após o descontentamento manifestado pelos consumidores em Dezembro passado, já pagou ao longo deste ano 5 milhões de libras e que pagará outros tantos no segundo semestre. Em 2014 pagará mais 10 milhões de libras.
As contribuições são irrelevantes se se tiver, por exemplo, em consideração a taxa de IRC actualmente em vigor em Portugal. Mas, seja como for, é um primeiro passo para atenuar algum descontentamento dos consumidores e que demonstra uma resignação inteligente da Starbucks perante uma realidade que não lhe deixava margem para tomar outro caminho.
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