Segunda-feira, 14 de Maio de 2012

A China enquanto potência online

 

(Artigo de Virgínia Coutinho, originalmente publicado no Mktonline.)


 

A China tem-se afirmado, nas últimas décadas, como uma potência e um dos motores fundamentais da economia global.


Desde as reformas económicas dos finais da década de 70 que o crescimento do país tem sido alucinante. Com um crescimento médio anual de 9,9%, entre 1978 e 2011, que se prevê que passe para 8,6% no período de 2011 a 2015, a China está entre os países com maior e mais rápido crescimento do mundo. O seu PIB representa hoje 13,61% do PIB mundial e a sua população, superior a 1,3 mil milhões de habitantes, corresponde a cerca de 20% da população mundial.


O ano de 1978 foi ainda importante para o empreendedorismo chinês. As reformas económicas de então impulsionaram o empreedendorismo e, hoje, a China tem um dos ambientes empresariais mais competitivos, o que se tem refletido na sua capacidade de inovação. 


É habitual ouvir-se que “a Índia pensa e a China produz”, no entanto, os dados contrariam essa afirmação. Na verdade, a China, cujo investimento em inovação ultrapassa o investimento total da Europa, foi o país que registou, em 2010, o maior número de patentes, muitas das quais na área da tecnologia e do digital. Mais do que uma mera máquina produtora, esta potência tem demonstrado que sabe investir em conhecimento e que a sua posição económica não será temporária!


Estima-se que, em 2045, a China, o maior detentor da dívida norte-americana, seja a maior economia mundial, substituindo os Estados Unidos.

Hoje ninguém duvida do importante papel que a China desempenha no panorama económico e financeiro mundial e nas repercursões que qualquer decisão estratégica terá ao nível global. Porém, há outras áreas em que a influência da China se estende cada vez mais. A evolução da Internet e da área digital do país merece também especial atenção, considerando o possível impacto global que estas disciplinas terão. Só em 2011, o número de utilizadores de Internet já era superior a 500 milhões, 28 dos quais aderiram no último semestre desse ano.


A nível global, os chineses representam já cerca de 23% dos utilizadores da Internet, um número bastante elevado, principalmente se tivermos em conta que a penetração da internet é de apenas 38,3%, por oposição aos 78,2% dos Estados Unidos da América.  Estima-se que, dentro de 3 anos, a China terá 701 milhões de utilizadores de Internet, o que será superior à soma dos utilizadores da Índia, Estados Unidos, Brasil, e Japão.


Dos actuais utilizadores, sabe-se que 50% têm perfil nas redes sociais, o que faz da China o país com maior número de utilizadores de redes sociais, estimando-se que, em 2014, este número ascenda aos 414 milhões, o correspondente a 63% dos utilizadores de Internet do país. O Facebook, rede social que reúne já mais de 900 milhões de utilizadores em todo o mundo, está bloqueado no país, e as redes sociais mais relevantes são o Tencent QZone, Tencent Weibo, Sina Weibo e o Renren. Redes que têm cerca de 175 e 600 milhões de utilizadores.


Esta crescente utilização das redes sociais irá refletir-se também ao nível do conteúdo online. Numa web onde “o conteúdo é rei”, aponta-se que, em 2015 (já daqui a 3 anos!), a maior parte do conteúdo disponível online esteja em mandarim. Parte da explicação para este fenómeno está relacionada com o facto de se estimar que nesse ano a população chinesa chegue aos 1.39 mil milhões de habitantes.  Por outro lado, e segundo alguns estudos, os chineses são dos utilizadores que criam e partilham mais conteúdo na Internet. Cerca de 76% dos utilizadores chineses de Internet são “criadores” (designação dada aos utilizadores da Internet que publicam um blog, produzem conteúdo para blogs, fóruns, fazem upload de vídeos, publicam páginas web)  por oposição aos apenas 24% dos europeus ou 23% dos norte-americanos. Este comportamento pode ser explicado por factores culturais, já que a China tem uma cultura colectivista.


Tratam-se de números que revelam a importância deste mercado. Estamos a falar de um crescimento acelerado e de milhões de novos utilizadores de Internet, que poderão modificar o panorama online.


Com preços competitivos, uma grande capacidade de inovação (e de clonagem), as empresas chinesas têm sido uma ameaça para os vários sectores económicos tanto europeus como americanos. Imaginemos agora quando as mesmas estiverem (mais) preparadas para esta (r)evolução digital e tiverem maior capacidade de utilizar o online para agirem numa escala global.

 

publicado por Virginia Coutinho às 19:40
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