Terça-feira, 1 de Março de 2011

Word of Mouth - Luís Spencer Freitas

 

Microblogging – o irmão dos Blogs

 

por: Luís Spencer Freitas

Web Strategist @ The Grand Union Portugal

 

Confesso ter um gozo pessoal quando leio sobre a morte dos meios. Os anúncios da morte da Televisão, da Imprensa, enfim, dos meios intitulados “tradicionais” são sempre fascinantes, pois lembram-me sempre os senhores de gabardine e cabelo despenteado no meio de Nova Iorque que anunciam a aproximação do fim do Mundo. Existe uma necessidade de filtragem nos meios que diga à Sociedade que devem parar de olhar para um meio e prestar atenção ao novo. Por várias vezes eu abordei o tema da Imprensa e da literatura em geral à luz destes alarmismos – e repito o que disse sempre: nenhum meio está a morrer, estão simplesmente a evoluir.

 

Recentemente cruzei-me com um destes casos – o anúncio da morte dos Blogs. Desde 2008 que surgem os cavaleiros do Apocalipse do Blogging que indicam que, com o surgimento do microblogging e das redes sociais em geral, os blogs perderam a sua importância e relevância. Neste caso especifico, estou a falar de uma instituição de renome, o New York Times. Apesar de não assumir, a meu ver, uma posição absoluta quanto a esta afirmação, existe uma certa aura de “DANGER DANGER” para os blogs. Se olharmos para dados dos Estados Unidos, sabemos que as visitas do Blogger, serviço de blogging da Google, teve menos visitas em Dezembro do que no período homologo no ano anterior em cerca de 2%. No entanto, globalmente cresceram 9%. Da mesma forma, services mais flexiveis como o Wordpress não sofreram mudanças significativas ao seu crescimento – talvez por terem sabido integrar as ferramentas sociais com perícia e ainda a própria natureza dos bloggers presentes em cada uma das plataformas.

 

Os Blogs e as plataformas de microblogging – entendam-se Twitter e Facebook, que não se limitando a microblogging, são entendidas por muitos enquanto concorrentes directos dos Blogs – servem propósitos claramente diferentes. Existe uma migração efectiva de alguns bloggers para as redes sociais pelas razões mais óbvias – é mais fácil ter leitores do que andar a recrutar pela Web fora, não requer o mesmo tipo de investimento de tempo e é, muitas vezes, mais sustentável ao nível de trabalhar temáticas (shares automáticos de feeds de outros utilizadores). No entanto, sou da mesma opinião que a Elisa Page, dona do blog Blog Her - quando indica que os serviços de microblogging não permitem a exploração de um tema de forma tão aprofundada e complexa que, por norma, encontramos nos blogs. Poderá haver quem argumente contra isto referindo as zonas de notas no Facebook, mas na realidade, sabemos que não são utilizadas nem percebidas pelas maioria dos utilizadores enquanto zonas de aprofundamento de temas que não podem sobreviver no curto espaço de um Post.

 

 

Podemos constar que existe uma migração de bloggers amadores para as redes sociais. Isto porque estes bloggers nunca tencionaram utilizar o blog com a mesma intensidade que os bloggers profissionais. Como mencionei num artigo anterior, eu acredito que existe uma mão invisível que filtra naturalmente a importância e influência dos utilizadores online. O mais provável é que os serviços de microblogging tenham sido o catalista da concretização desse efeito. Sabemos que, quem escreve em blogs, tem um set of mind diferente de quem acredita que uma rede social poderá ter uma concretização semelhante, na medida em que têm outro tipo de objectivo – por norma, quem escreve no blog preocupa-se mais com a criação de temáticas contínuas e exploradas, onde podem dar o seu cunho pessoal num espaço que não é um fórum público. Atenção – não estou a criticar quem escolhe sair dos blogs. Aliás, sempre acreditei que os Blogs de imagem + minitexto me pareciam pouco naturais. Dessa forma, os serviços como o Tumblr poderão fazer mais sentido para esses utilizadores. A conclusão é simples – os microblogs são apenas mais uma opção para a criação de conteúdo.

 

 

A criação de conteúdo em ambos os meios acaba por ter uma dinâmica diferente. Enquanto no microblogging existe uma lógica de croudsourcing aplicado às interacções sociais, nos blogs existe mais uma óptica de dissertação individual que, dependendo apenas de uma pessoa, nos dá uma visão mais completa da lógica pessoal. No microblogging conseguimos sentir o pulso a uma comunidade e nos blogs conseguimos sentir o batimento cardíaco de um individuo.

 

 

O mais interessante é quando constamos o quão bem casam os dois meios. Também num artigo anterior mencionei com o Twitter é uma plataforma fantástica para funcionar enquanto add on. Cada vez mais, os bloggers utilizam os serviços de microblogging, por um lado, como ferramentas de social bookmarking que agregam os interesses da sua área de forma exímia, e por outro lado, como forma de espalhar a existência do seu blog e aumentar as suas visitas.

 

 

Portanto, se me perguntam se os blogs estão a morrer, a minha resposta é simples – não. Estão a evoluir e a amadurecer, absorvendo os restantes meios para ganharem uma nova dimensão e percepção. O que poderão estar a perder em quantidade estarão a ganhar provavelmente na qualidade dos bloggers persistentes que acreditam ter ali a plataforma correcta para se exprimirem e explicarem a sua perspectiva. Acredito que, efectivamente, poderemos vir a observar um declínio no número de bloggers activos. Mas se observarmos o estudo da Pew Internet que considera que 10% da população online irá continuar a ter um blog, podemos concluir 1 em cada 10 pessoas escreve num blog. Isto é fantástico na óptica de termos 1 em cada 10 pessoas a criar conteúdo no mundo e a exprimir a sua opinião. E com a integração dos restantes serviços, estes utilizadores ganharam não só uma forma nova de se publicitarem, como também as ferramentas sociais que permitem estender a presença do seu blog para um fórum público onde poderá ser discutido pelos seus leitores. Antes de se tentar matar um meio, deveríamos tentar perceber como este ainda é relevante. Antes de chegarmos a adultos, temos de ser crianças.

 

 

publicado por Rodrigo Saraiva às 16:34
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2 comentários:
De Armando Alves a 1 de Março de 2011 às 22:32
“Is
[Error: Irreparable invalid markup ('<insert-what-you're-clueless-about-here>') in entry. Owner must fix manually. Raw contents below.]

“Is <insert-what-you're-clueless-about-here> dead?”

ou uma das receitas mais fáceis para conseguir pageviews.
De Luis Spencer Freitas a 2 de Março de 2011 às 15:28
if (article=cataclysm)
{
absolute statement on the death of a mainstream subject that could cause some major changes without actually thinking about it twice
}
then
{
lots of visits and retweets!
}
else
{
too much research to be bothered about.
}

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