Segunda-feira, 10 de Janeiro de 2011

Word of Mouth - Fernando Moreira de Sá (edição especial II)

 

A Morte do Assessor de Imprensa (em três capítulos).

 

 

por: Fernando Moreira de Sá

Consultor de Comunicação e Blogger

 

2. Do Pombo-correio ao Twitter – As Redes Sociais

 

Se no primeiro post escrevi sobre a diferença entre a comunicação de massas e das massas focando a mudança que tal provocou no papel do assessor de imprensa, desta feita são as “Redes Sociais” a provocar uma alteração profunda. É a segunda parte da trilogia.

 

Quando em 1999 surge o blogger, em 2004 o facebook e em 2006 o twitter, o assessor de imprensa tradicional começou a ver a vida a andar para trás e a tornar-se, rapidamente, uma espécie em vias de extinção.

 

Num século passamos do Pombo-correio da Reuters para o passarinho do Twitter e boa parte dos responsáveis de inúmeras instituições ainda nem se aperceberam da mudança – olham pela janela do seu escritório e julgam que as mensagens que a filha envia ao namorado voam na pata daquele pombo que acabou agora de passar. Hoje, quase cinco milhões de portugueses têm acesso à internet passando cerca de 15 horas por semana a navegar e 42% consideram a internet imprescindível (apenas 34% consideram da mesma forma a televisão)*. Segundo dados da Netscope de Julho de 2010, o número de visitas diárias a blogues do Sapo é superior ao número diário de circulação paga dos principais jornais diários portugueses. O caso do Facebook é tão flagrante e esmagador que nem vale a pena atirar com os números.

 

Volto a questionar: perante este cenário para que serve o assessor de imprensa tradicional? Melhor dito, será que uma qualquer instituição para comunicar com o seu público-alvo vai enviar um press? Uma nota informativa? Convocar uma conferência de imprensa? Levar meia dúzia de jornalistas a jantar? Organizar um curso de formação intensiva aos seus colaboradores sobre escrita jornalística?

 

Já sei, num ápice e seguindo uma velha tradição de incompetência muito nossa, a instituição vai contratar um expert em informática para lhe criar uma página no facebook, um blog corporativo e um site todo catita, daqueles que são actualizados quando o Rei faz anos. A seguir, pede ao assessor de imprensa que convoque os senhores jornalistas para mais uma maravilhosa conferência dos sentados explicando que criou umas coisas engraçadas na internet e já está preparada para este novo mundo das redes sociais. Ao estilo daqueles projectos digitais apoiados por fundos comunitários que foram criados como cogumelos no nosso país e que, depois de tudo bem espremido, o resultado foi: sites sempre desactualizados e nada “user-friendly”, incapacidade de criação de múltiplos espaços wi-fi de acesso gratuito, bases de dados criadas nessa altura e que nunca mais foram actualizadas e aquisição maciça de material informático rapidamente obsoleto. Em suma, amadores a tratar de coisas sérias com o dinheiro dos outros. Portugal no seu melhor.

 

Foi aqui, entre 1999 e 2006 (do nascimento do Blogger ao Twitter) que o assessor de imprensa tradicional começou a definhar. A sua função foi ultrapassada pelos acontecimentos. Em suma, morreu. Mesmo sabendo que persistem alguns. A extinção das espécies nunca é instantânea.

 

Porém, parte substancial do seu trabalho continua a ter de ser feito. Como? Quem?

 

(continua… amanhã)

 

publicado por Rodrigo Saraiva às 09:16
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