Assessores… e “compradores”
por: Nuno Nogueira Santos
Fui jornalista mais de 10 anos e sou assessor de imprensa há mais tempo do que isso. Trabalhei para três agências de comunicação e fundei uma recentemente. Já trabalhei com empresas e instituições grandes e pequenas, já comuniquei produto, desporto e política. Mas nunca tinha sido acusado de “comprar” jornais e jornalistas como há dias aconteceu.
Como assessor de imprensa de uma candidatura do PSD a uma câmara, esperava tudo, menos isso. Não apenas porque nunca o fiz, como – apesar toda a minha experiência –, nunca vi isso acontecer. Será que existe? Será que há agências de comunicação a comprar jornalistas, notícias, jornais?
Esta foi a primeira questão que coloquei quando um candidato socialista, adversário do candidato para o qual trabalho, primeiro o insinuou e depois o escreveu num comunicado com a chancela do PS e a sua assinatura, insultando-me profissionalmente a mim e a vários consagrados jornalistas e directores de órgãos de comunicação social.
Como jornalista, nunca ninguém me ofereceu dinheiro para “meter” esta ou aquela notícia no meu jornal ou rádio. E como assessor, nunca nenhum jornalista me pediu o que quer que fosse, além de informação. Nunca paguei a jornalistas. Escrevo-o aqui, com toda a certeza que ninguém me desmente.
Mas a questão levantada pelo tal candidato socialista à tal câmara municipal, deixou-me com a “pulga atrás da orelha”. As acusações desse político, que já foi deputado e mesmo secretário da Presidência da Assembleia da República, pareciam convictas e vinham na sequência de editoriais publicados na revista “Sábado” e nos jornais “Público” e “Grande Porto”, que criticavam a sua conduta como candidato autárquico. E aconteceram também na sequência de uma peça jornalística passada no “Jornal Nacional” da TVI onde ele era visado por alegadamente ter desenvolvido influências pouco lícitas para tirar dividendos eleitorais.
Perguntei-me então: se alguém acha que uma notícia, mesmo sendo verdadeira, por ser contra si ou beneficiar eleitoralmente terceiros foi “paga”, é porque saberá sobre a arte de “comprar” notícias, algo que eu desconheço.
Na verdade, esse tal candidato não se interrogou porque razão objectiva os dois directores de duas publicações nacionais credíveis e uma televisão levantavam questões pertinentes que correspondiam, ainda por cima, à verdade! Nem se perguntou como poderia, no futuro, não cometer os mesmos erros. Esse candidato do PS limitou-se a achar que uma notícia, apenas por lhe ser incómoda, tinha sido “encomendada”. Disse-o e escreveu-o, com toda a certeza e convicção.
Até este ponto deste meu “guest post”, que gentilmente os autores deste blog me convidaram a escrever, muitos julgarão que me limitarei a falar “no abstracto”, lançando um anátema sobre todos os candidatos socialistas a todas as câmaras, e que não vou dizer sobre quem estou a escrever. Mas enganam-se. O candidato socialista a que me refiro chama-se Artur Penedos, é cabeça de lista do PS às Autárquicas em Paredes e é assessor do Primeiro-Ministro José Sócrates.
O que saberá ele mais do que eu, que sou assessor de imprensa há tantos anos, em matéria de “comprar notícias” ou “condicionar jornalistas”? Talvez a resposta a esta pergunta nem esteja muito longe do candidato. Talvez a resposta a essa pergunta esteja mesmo em Paredes onde, subitamente, dois jornais foram comprados por uma S.A., ganhando ambos a mesma morada, a mesma redacção, o mesmo director, os mesmos telefones e os mesmos “jornalistas” e… claro, a mesma linha editorial cujo conteúdo me escuso a explicar mas que posso classificar como “escandaloso” (um deles era um dos mais antigos jornais da Região do Vale do Sousa e o outro era o único inteiramente dedicado a Paredes)
E não é que essa tal Sociedade Anónima não comprou os tais jornais senão pouco antes de Artur Penedos anunciar que era candidato à Câmara de Paredes? Agora, deixo-vos uma pergunta, porque dizer tudo também já pareceria mal: quem são os accionistas dessa tal S.A.?
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