Sexta-feira, 27 de Fevereiro de 2015

Sessões de Leitura

De há uns tempos para cá tem-se tornado moda realizar aquilo a que resolveram chamar “conferências de imprensa sem direito a questões”. E as aspas aqui são para citação mas, sobretudo, porque aquilo é mesmo para colocar entre aspas.

Se na política isto está a tornar-se habitual, eu até consigo compreender. Há um determinado assunto sobre o qual o partido (ou determinado agente político) quer emitir uma declaração, tomar uma posição, e chama a imprensa para o fazer. Mas como a posição política foi tomada ali entre dois cafés e uma conversa de corredor, não convém dar espaço para questões, não vá perceber-se a fragilidade da mesma. Ou então, porque o assunto da tomada de posição não interessa a ninguém e não se quer dar espaço para perguntas sobre o que interessa a toda a gente mas sobre o qual não se quer falar.

É preciso passar uma imagem de dinamismo ao eleitorado ou, na maioria das vezes, acalmar as hostes internas e tem que se fazer o papel de ler uma coisita para as câmaras.

Mas esta semana vi a moda estender-se a outros quadrantes. Uma instituição pública, a propósito de um grave incidente, resolve convocar a comunicação social para uma conferência de imprensa. Antes da mesma começar alguém anuncia que a pessoa x irá ler um comunicado e que não há espaço para questões dos jornalistas.

article-2338778-1A3E679B000005DC-374_634x422.jpgO que eu gostava de perceber, pois não consigo profissionalmente entender, é porque raio marcaram então a “conferência de imprensa”? Se era para a pessoa x ler um comunicado de imprensa, não era mais útil para todos enviar o dito para as redacções? Ainda por cima era um comunicado com dados factuais. Não havia tomadas de posição que justificassem a presença de jornalistas. E, ainda por cima, o leitor do comunicado não era um grande leitor.

Meus senhores. Isto não são “conferências de imprensa”. São sessões de leitura. E qualquer dia os jornalistas deixam de ir perder tempo a estas sessões de leitura (até porque a maioria deles lê melhor). E, nesse dia, percebem que afinal até era bom quando eles vinham e faziam perguntas que nos deixavam esclarecer melhor o tal do comunicado que se leu.

Pessoalmente, para sessões de leitura, prefiro as que faço todas as noites ao meu filho...

publicado por Telmo Carrapa às 13:39
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Segunda-feira, 23 de Fevereiro de 2015

A obsessão com a cobertura mediática

Um colega meu deu-me a conhecer este texto do Ragan’s PR Daily sobre a obsessão com a cobertura mediática. Kevin York, o autor, lembra que a definição de Relações Públicas não diz nada sobre “cobertura mediática” e que no início da profissão as “media relations” eram um meio e não um fim em si mesmas:

“The PR industry wasn’t founded on getting coverage. Most versions of the profession’s history include two-way communication with the public, along with informing, educating and influencing audiences. Though many early PR practitioners used media coverage as a tactic, coverage was a means to an end. It helped them reach people.”.

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E mesmo a cobertura mediática deve ser vista em função dos públicos. Não enquanto número de notícias:” If coverage appears in a publication your target audience doesn’t actually read, it doesn’t count as coverage. Target the reader, not the publication or the journalist. “.

Costumo dizer que às vezes vale mais uma breve no sítio certo que dez páginas no sítio que não vai fazer mossa nenhuma. Este artigo diz o mesmo.

“The PR industry lost its creativity—and some of its business relevance—when it became too reliant on media coverage. Media is still a valuable communications tactic, but it’s just one piece of our job, one tool in our arsenal.”, deixa em jeito de conclusão o autor.

publicado por Telmo Carrapa às 11:05
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Sexta-feira, 1 de Agosto de 2014

Comunicação de Oportunidade (Ou será de oportunismo?...)

Gosto de tomadas de posição! Gosto mesmo. Daquelas em que alguém diz que foi prejudicado por alguma coisa. E que não pode ser assim. E gosto mais quando o faz audivelmente e tem eco na comunicação social. No fundo, é também para isso que trabalhamos.

 

E quando as tomadas de posição servem para uma promoçãozita, em cima de um tema que é altamente mediático, então ainda melhor.

 

Vem esta reflexão a propósito da tomada de posição da “Adega Monte Branco”. Muito indignados por “a utilização desta sua denominação pode colocar em causa as trocas comerciais colocando em risco o seu bom nome e do seu produto".

 

Acredito que os responsáveis devem estar indignados por esta usurpação judicial do nome há muito tempo (afinal o processo “Monte Branco” já existe há algum tempo) mas só agora é que tiveram coragem para se manifestarem publicamente. Quer dizer… Acredito?… Vou fazer de contas que sim.

 

Acho que a Adega do Monte Branco se deveria juntar à Herdade do Monte Branco, à Confeitaria Monte Branco e, porque não, às autoridades francesas e italianas para criarem uma associação dos prejudicados pelo processo Monte Branco e lutarem pela alteração do nome do referido processo.

 

Ou então, como alternativa, podem sempre aproveitar para se promoverem um bocadinho à boleia do mesmo. Mas não, isto não. Nem pensar…

publicado por Telmo Carrapa às 10:10
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Quarta-feira, 26 de Março de 2014

Bingo de anúncios de novas agências

Aqui há uns tempos circulava pelos mails e, depois, pelos Faces e blogues, uma coisa que se chamava “Bingo das Reuniões”, destinada a levar-se para as ditas e marcar os clichés que eram ditos até se preencher o cartão.

Agora, numa altura em que, como diz o meu amigo e parceiro de blogue, Rodrigo Saraiva, todas as semanas ficamos a conhecer uma nova agência de comunicação, divirto-me com o “bingo dos anúncios de novas agências”.

A lógica é a mesma do outro “bingo”: leio as notícias sobre a nova agência que se anunciou e assinalo as mensagens comuns a todos estes anúncios.

- É uma “agência criativa de comunicação”? Check!

- Tem um “conceito que alia a criatividade à consultoria de comunicação”? Check!

- Faz aquilo que ninguém mais faz (sendo criativa, obviamente), como “comunicação de marcas e produtos, institucional e financeira, comunicação digital, produção de conteúdos, assessoria de imprensa e organização de eventos”? Check!

- Faz “parcerias estratégicas com as marcas e empresas que representamos”? Check!

- “Criando novos conceitos, acções e ferramentas de comunicação”? Check!

BINGO!!!

(Para ilustrar este texto utilizei algumas frases do último anúncio de nova agência que li. Mas se tivesse utilizado outro qualquer, as frases não seriam muito diferentes…)

publicado por Telmo Carrapa às 18:25
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Terça-feira, 11 de Março de 2014

Dúvida do dia

O que faz um meio especializado em marketing e comunicação colocar no seu site como notícia a inauguração da nova sede da Polícia Judiciária? (ok, salientando o autor do projecto de arquitectura...) Definitivamente, há razões que a minha razão desconhece...

publicado por Telmo Carrapa às 15:57
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Terça-feira, 18 de Fevereiro de 2014

Esquizofrenia comunicacional?

Estes dois jornais foram publicados hoje.

Ambas as fotos foram tiradas no SISAB Portugal.

O "objecto" das notícias é o mesmo (tema e protagonista).

Eu sei que tenho problemas de leitura, mas parece-me que a mensagem transmitida em cada uma delas é completamente oposta à outra ("disponível para falar" mas "rejeita apelo (...) para um entendimento").

Isto levanta-me algumas questões: Os jornalistas ouviram mal? Foram ditas coisas diferentes em momentos diferentes? Há nuances linguísticas no discurso, perceptíveis apenas a mentes iluminadas? Ou apenas que está disponível para falar, só para poder transmitir directamente que rejeita entendimentos?

Será que é isto que se chama adaptar a mensagem ao público-alvo? (que claramente não sou eu)

Ò dúvidas...

publicado por Telmo Carrapa às 15:46
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Sexta-feira, 7 de Fevereiro de 2014

Wag the dog

To 'wag the dog' means to purposely divert attention from what would otherwise be of greater importance, to something else of lesser significance. By doing so, the lesser-significant event is catapulted into the limelight, drowning proper attention to what was originally the more important issue. The expression comes from the saying that 'a dog is smarter than its tail', but if the tail were smarter, then the tail would 'wag the dog'.

Wag the Dog - Manobras na Casa BranceO filme que a imagem retrata é, para mim, um “obrigatório” para quem trabalha em comunicação (política ou não). Adaptado da obra homónima de David Mamet, "Manobras na Casa Branca" (“Wag the Dog” no original), conta a história de, a menos de duas semanas das eleições, um escândalo que ameaça a candidatura do presidente a um segundo mandato. Mas antes do escândalo poder causar danos irreversíveis, um misterioso homem é chamado à Casa Branca para resolver o problema.

 

Conrad Brean (Robert DeNiro) tem como profissão manipular a imprensa e, através dela, o povo americano. Brean consegue desviar as atenções do escândalo do presidente para uma história mais importante: uma guerra. Com a ajuda de Stanley Motss (Dustin Hoffman), um famoso produtor de Hollywood, e da sua equipa, Brean reúne uma equipa de crise única, que vai orquestrar um conflito global diferente de todos os que já se viram na CNN.

 

A que propósito me lembrei deste filme? Nem sei. Mas desde que a história das praxes começou (não negando a importância de um debate sobre as mesmas), não tenho ouvido críticas contundentes ao Ministro da Educação…

publicado por Telmo Carrapa às 09:30
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