Quarta-feira, 23 de Abril de 2014

[Word of Mouth] David Moyes, PR, digital e jornalismo

  

 

David Moyes, PR, digital e jornalismo

 

por: Carlos Martinho

Editor de Conteúdos da GCI

 

Ontem, às 13h42, o Financial Times publicou no site um artigo do seu colunista de futebol, Simon Kuper, sobre a saída de David Moyes do Manchester United, oficializada quatro horas antes. O artigo, uma espécie de obituário desportivo há muito previsto, divaga sobre o falhanço do treinador escocês naquela que é “a empresa britânica que mais atenção da imprensa recebe”, o Manchester United.

 

Kuper, autor de referência para quem gosta de futebol, revela que Moyes falhou porque, ao contrário de Sir Alex Ferguson, não tem vocação para as public relations. “Gerir um clube [destes] é, em grande parte, um trabalho de public relations. (…) Moyes chegou de um clube mais pequeno, o Everton, e não tinha o estatuto para renovar a equipa. Depois, quando os seus jogadores mais velhos vacilaram, deixando o United no sétimo lugar, a sua própria imagem (PR) falhou”, explica Kuper.

 

Segundo o autor, Moyes não teve coragem, ou a qualidade de comunicação, para confrontar os veteranos numa batalha de PR. Por outras palavras: quem é David Moyes ao pé de Rio Ferdinand, Ryan Giggs – sobretudo estes dois -, Patrice Evra, Nemanja Vidic ou Michael Carrick?

 

O artigo pode ser lido aqui e explora outros temas ligados à comunicação e imagem, como o rosto perplexo de Moyes quando as câmaras de TV o procuravam depois de um golo sofrido, em contraste com a raiva contagiante de Ferguson, um génio das PR.

 

No entanto, o que é mais notável neste artigo de Simon Kuper – e é, na verdade, o que me traz ao PiaR – é a forma da sua veiculação e não o conteúdo. Como referi, o artigo foi colocado online às 13h42 de ontem. Hoje, o Financial Times repescou-o para a sua edição impressa – e logo para a capa.

 

O artigo de Kuper recebe honras de primeira e segunda página, ainda que estivesse há várias horas disponível online – não estava barrado pela paywall, curiosamente. Ou seja, o FT colocou em prática a tão anunciada primazia do digital sobre a edição impressa – o jornal poderia ter “guardado” o artigo de Kuper para publicar na edição impressa e, então, espalhá-lo pelo digital, mas escolheu a via inversa.

 

Esta decisão vem na sequência da estratégia apresentada pelo FT em Outubro, que dá prioridade à edição online: desde o início do ano que grande parte da redacção do FT está alocada à produção noticiosa para online e os artigos são publicados para coincidir com os picos de tráfego. Deixam de existir também as horas de fecho tradicionais – será que a percentagem de divórcios nesta classe vai finalmente descer? – e todos tiveram de mudar os seus horários de trabalho, incluindo paginadores e designers.

 

Se o FT queria, com esta estratégia, ser menos reactivo, está a consegui-lo. A saída de David Moyes poderá ter sido o ponto de partida para uma nova forma de pensar o digital por parte de um dos porta-aviões da imprensa mundial. Outros certamente se seguirão, mal – e se – se comprove que este é o caminho certo.

 

Simon Kuper termina o seu artigo com uma afirmação, no mínimo, curiosa: “O maior problema do Manchester United não é Moyes, mas sim o dinheiro”. Na imprensa, o maior problema também não é a ameaça dos conteúdos digitais, como muito dizem, mas sim a forma como os media abordam ou contornam os seus desafios. E para isso, em vez de desinvestir, é preciso pensar estrategicamente os conteúdos. Dos colossos aos de nicho. 

publicado por Alexandre Guerra às 15:33
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Segunda-feira, 21 de Abril de 2014

As mamas e as mini saias das cerimónias ligadas ao futebol e afins.

Uma pertinente reflexão de João Tocha, daqui.

 

As mamas e as mini saias das cerimónias ligadas ao futebol e afins.
Quando comecei a acompanhar as andanças do futebol reparei numa prática primária e engraçada. Sempre que havia a apresentação de uma competição, um sorteio ou uma cerimónia transmitida pelas televisões eram colocadas estrategicamente ao lado dos troféus, dos jogadores, dos palcos, dois ou quatro pares de mamas bem apertadas dentro de um vestido curto, onde as pernas e as ancas também sobressaíam. 
Há 10, 9 e 8 anos dei comigo a pensar nas diversas perspectivas e dimensão deste fenómeno promo-comunicacional.
Se o acto de comunicação era abrilhantado pelo Troféu apresentado, pelas estrelas do futebol ou pelos dirigentes que usariam da palavra qual o papel das mamas e das pernas?
Se o objectivo era passar as mensagens dos dirigentes, qual o papel das mamas e das pernas?
Se os patrocinadores queriam ver as suas marcas em evidência, qual o objectivo das mamas e das pernas?
Se o futebol ( e as diversas modalidades) e as suas estrelas influenciam comportamentos e divulgam valores sociais, quais os valores e o papel para a mulher que as marcas querem transmitir?
Sempre que fui escutado fui alterando este comportamento colocando os diversos atributos nos lugares devidos: os argumentos singulares do futebol em evidência, as marcas a valerem por si e as mamas nos lugares adequados (até por respeito a todos os intervenientes e às suas proprietárias).
Ontem, na cerimónia de entrega do Troféu na Luz, lá reparei que elas voltaram à cena. Não sei se as pessoas repararam bem na taça, nos patrocinadores, nas medalhas ou nas mamas comprimidas que as transportavam.
Sei que há práticas que se impuseram ao longo de décadas sem que as pessoas parem para pensar sobre a eficácia e ou os valores do que estão a fazer e a transmitir.
Umas leituras sobre neuropublicidade ou sobre o ruído e sobreposição de mensagens ajudaria os patrocinadores e os decoradores de cerimónias oficiais a perceberem se o que fazem é proveitoso e acrescenta algo.
Por fim, e se as mulheres estão em maioria, então comecem a meter uns gajos também, e descascados.
De qualquer modo pertenço àquela escola que aprecia belas mulheres e homens bem vestidos e onde os atributos da elegância vão sendo descobertos e realçados normalmente e não atirados para a cara das pessoas como peças de carne num talho de segunda categoria. 
A questão que coloco é se as marcas patrocinam aquele tratamento ostensivo e discriminatório da mulher? Se vendem mais produtos assim? Se a marca é mais memorizada? Se os dirigentes e as suas mensagens sobressaem mais no acto? 
A bola tem curvas e argumentos que não precisam de mais condimentos dentro das quatro linhas.

 

foto daqui

publicado por Rodrigo Saraiva às 11:53
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Quinta-feira, 20 de Março de 2014

[Word of Mouth] Angola e os novos modelos de relação com o mercado

Angola e os novos modelos de relação com o mercado:

Os desafios de um país que vive o presente

 

Por: Miguel Jerónimo

Director de Comunicação na Lift Consulting, Angola

 

As semelhanças culturais entre Portugal e Angola parecem, à primeira vista, e para quem vem de fora, muitas. A língua portuguesa, talvez a maior herança dos portugueses neste país, aproxima-nos hoje mais do que nunca e coloca-nos numa posição privilegiada face aos países francófonos e anglo-saxónicos, cujos investimentos se sucedem a um ritmo impressionante. Também partilhamos alguns costumes e tradições que, com o tempo e com as novas gerações, vão desaparecendo e dando lugar a novas expressões sociais e culturais que têm ajudado o país a construir a sua identidade. Mas não existe nada mais que nos possa fazer pensar que Angola é hoje um reflexo do Portugal dinâmico e próspero (?) dos velhos tempos. A velocidade furiosa e visível da reconstrução, física e mental, desta nação não está a ser devidamente acompanhada pelas empresas portuguesas em Angola ou multinacionais controladas pelas subsidiárias portuguesas, que insistem em seguir os mesmos modelos de relacionamento com os seus públicos que são usados em Portugal.

 

O seu actual desafio passa por perceber que modelos de relação com o mercado devem adoptar, tendo em conta o padrão invulgar de crescimento que Angola está seguir e o consequente desenvolvimento dos seus públicos, de forma a tornarem-se ainda mais competitivas?

Este movimento de mudança na forma de agir perante os diversos públicos, sejam eles clientes ou potenciais clientes, investidores, colaboradores, fornecedores, associações industriais ou media, tem sido lentamente alimentado por algumas multinacionais em Angola, a maioria gerida a partir das suas sedes ou subsidiárias dos EUA, Brasil, África do Sul ou Emirados Árabes Unidos, que se mostram mais preparadas para gerir e acompanhar a mudança. Uma consequência que resulta do crescimento que estes países viveram e vivem, em diferentes escalas.

 

 

A verdade é que melhoria da qualidade de vida da generalidade da população angolana e a emergência de uma classe média, com poder de compra, que procura um padrão de vida mais moderno e sofisticado, tem vindo a alterar os hábitos de consumo. O mercado é regulado pelo que hoje é tendência e os movimentos de compra ganham novas dinâmicas a cada mês que passa. Infiel às marcas e cada vez mais exigente, o consumidor angolano procura acima de tudo viver o presente, com o que o mercado lhe oferece. Neste sentido, é fundamental que as empresas criem estratégias de relação com este público que façam as marcas acompanhar a curva da procura. Marcas com personalidades fortes, activas, criativas e comunicativas, que ajam no contexto do mercado angolano e dos padrões de consumo do momento, estarão melhor posicionadas para enfrentar este desafio e começar a desenvolver no seu público sentimentos de confiança e estima que garantam a compra e a fidelização. Aplicar em Angola as mesmas estratégias, planos de negócio, marketing ou comunicação desenhados originalmente para o mercado português é estar um passo atrás das empresas que realmente investem no conhecimento do mercado.

 

publicado por Virginia Coutinho às 09:32
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Sexta-feira, 14 de Março de 2014

Uma definição simples e acertada

Ao ler-se o texto do Nuno Roby Amorim no Word of Mouth, há uma frase que se destaca por sintetizar muito bem o papel de um assessor: "Não estou a vender nenhum produto estou a partilhar um bom tema o que é substancialmente diferente."

 

publicado por Alexandre Guerra às 12:49
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[Word of Mouth] Comunicação Emergente


 

Comunicação Emergente

 

por: Nuno Roby Amorim

Assessor de Imprensa Embaixada do Reino de Marrocos 

 

- “Como é que se chama o tipo com quem vamos falar esta manhã e o que é que ele faz?

 

A questão da jornalista no aeroporto da Portela naquela manhã poderia parecer normal caso eu não tivesse entregado previamente a todos os jornalistas um volumoso dossier com uma agenda completa da viagem, biografias de todas as personalidades com quem nos íamos encontrar e ainda uma explicação das instituições bem como a sua respectiva contextualização social, politica e económica. O caderno estava feito de uma forma suave e de fácil leitura com os temas a não excederem uma página A4. Mesmo assim deu para perceber que a maior parte dos membros da imprensa tinha desprezado toda essa informação.

 

Há alguns anos, quando foi coordenador de informação num canal televisivo e tinha que “distribuir” trabalho pela redacção, já me fazia na altura muita impressão enviar alguém para um serviço e ter que lhe explicar o enredo desse mesmo serviço. Alguma parte da redacção não tinha lido os jornais do dia, ouvido a rádio ou acompanhado o seu próprio canal.

 

Quando há cerca de quatro anos me convidaram para fazer a comunicação de um país emergente em Portugal através da sua representação diplomática pareceu-me um trabalho altamente cativante e facilitado pelas excelentes relações bilaterais entre os dois países. Enganei-me redondamente. A imprensa portuguesa desconhece quase tudo o que se passa para além das suas fronteiras. Quando esta mesma comunicação social se aventura na análise ou simples reportagens sobre realidades distantes vem ao de cima uma mão cheia de lugares comuns, vulgaridades, inexactidões, informações repetidas e retiradas de outras fontes e sobretudo conteúdo atrasado e desfasado da realidade.

 

 

 

publicado por Rodrigo Saraiva às 09:08
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Segunda-feira, 18 de Novembro de 2013

[Word of Mouth] sobre o II Global PR Summit


 

Cinco dias em Miami ...

 

por: Salvador da Cunha

Fundador e CEO Grupo Lift. 

 

O Rodrigo Saraiva desafiou-me a contar a história dos cinco dias que passei com dois colegas do Grupo Lift em Miami, para participar no II Global PR Summit, promovido pelo Holmes Report.

No ano passado também já tinha estado, mas fui apanhado nas malhas do Furacão Sandy e não pude assistir à maior parte da conferência. Este ano estive na qualidade de orador, com objectivos concretos e trabalho de casa feito.

Além dos principais aspectos de conteúdo, de que falarei adiante, falo-vos da viagem e de alguns dos objectivos que nos propusemos no Grupo Lift em relação a este Fórum Global:

  1. Conhecer de perto o mercado norte-americano e algumas das empresas de serviços de marketing, especialmente nas áreas de Relações Públicas, Comunicação Digital e Word of Mouth;
  2. Entender os fenómenos de economia partilhada naquele país, que começam a ser ultra-relevantes e a levantar acesas polémicas, nomeadamente pelas associações hoteleiras do estado de Nova Iorque;
  3. Ter tempo e condições para reflectir sobre as várias hipóteses de modelo de internacionalização da WOM, a empresa de Word of Mouth marketing do Grupo Lift, cuja plataforma tecnológica está pronta e testada para abrir em qualquer país do mundo, em qualquer língua e alfabeto (o projecto beta, bem sucedido, na Grécia). Passar alguns dias fora dos locais e rotinas habituais de trabalho fazem verdadeiras maravilhas.

Tendo estes objectivos em vista, a primeira decisão foi não ficar hospedado num hotel, mas sim testar a plataforma Airbnb.com que nos permite arrendar casas/apartamentos em praticamente todo o mundo e alugar um carro (aqui não conseguimos sair do modelo tradicional do rent a car). Estas duas opções foram vitais para melhor conhecer Miami (700 km em cinco dias), tendo ainda tempo para assistir ao jogo dos Boston Celtic contra os Miami Heat, (em que os primeiros viraram o jogo quando faltavam apenas 0,6 segundos, com um cesto de três pontos) e visitar as ilhas Keys no dia seguinte. Isto porque o custo do arrendamento de uma moradia, ficou pelo mesmo preço de um quarto no hotel da conferência.

Sobre a conferência, e não falando das tradicionais queixas de que as Relações Públicas ainda não se sentam na mesa do grandes (mas também já não cabem na mesa dos pequenos) saíram algumas conclusões interessantes como tendência mundiais:


1. CRIATIVIDADE. Esta é, provavelmente, a mais interessante das tendências visíveis nas agências de comunicação: a integração de disciplinas mais criativas como o Design e mesmo a publicidade (ainda que em conceitos de earned media e owned media, e não tanto de paid media), que ao se juntarem às tradicionais áreas de assessoria de imprensa, organização de eventos e comunicação digital, provocam a segunda grande tendência:


2. INTEGRAÇÃO. É uma das recentes exigências de alguns dos clientes mais vanguardistas. Acabar com os silos na comunicação e encontrar agências que sejam verdadeiros parceiros nas várias áreas da comunicação, mas ao mesmo tempo especialistas em cada uma delas. O objectivo é desenvolver campanhas verdadeiramente integradas na origem (agência), sem que o cliente tenha de despender um esforço brutal na coordenação global de várias agências e na integração das campanhas. E se custar menos, melhor… 
Para as agências o desafio é desenvolver modelos que permitam ter verdadeiros especialistas in house, sem afectar a rentabilidade, por oposição a consultores generalistas que depois não conseguem operacionalizar as estratégias defendidas (isto acontece muito quando, por exemplo, um publicitário propõem uma conferência de imprensa ao cliente, sem fazer ideia do que está a falar).


3. BIG DATA. Conhecer as audiências, os hábitos de consumo, as percepções em relação às marcas e aos comportamentos das empresas, quem influencia quem, o que verdadeiramente influencia o Stakeholder e provoca comportamentos de suporte positivos, é o novo paradigma da tecnologia ao serviço do marketing e da comunicação. Alguém dizia, no entanto, «it’s only Big Data, if you can do something really big with it».
Para ajudar a gerir a reputação de um cliente é essencial saber o que ele pensa sobre a empresa e o seu grau de convicção. Só assim se podem montar estratégias de comunicação eficazes.


4. SOCIAL. É evolução do digital. Promover o earned/owned media em detrimento do Paid Media, utilizando conteúdos específicos e emocionais, nas várias plataformas disponíveis: sites, aplicações mobile, redes sociais, blogues, influenciadores, embaixadores, parcerias co-branded, celebridades e muitas outras formas de fazer passar mensagem a quem interessa, que forma que interesse.


5. CONTEÚDOS. Os conteúdos são uma das chaves essenciais para esta nova realidade social. Têm de ser de leitura rápida. Muito relevantes. Gráficos. Emocionais. Os clientes já não podem continuar a ignorar e a dizer que não têm orçamento para Vídeos, Infografias, Fotografias porque são este tipo de conteúdos que são partilháveis e virais. Já ninguém lê um relatório de sustentabilidade social de 300 páginas, ou um press release de cinco páginas.


6. PARTILHA. É de facto a grande tendência. Produzir conteúdo relevante e partilhável. A economia da partilha, que tanto tem dado que falar nos estados Unidos, também está no marketing e na comunicação. Brand Lovers, influenciadores, embaixadores, celebridades, jornalistas, partes interessadas. Se o produto for relevante, a marca apaixonante e o conteúdo interessante, todos querem saber, experimentar e partilhar. E estas partilhas podem assumir progressões geométricas verdadeiramente impressionantes. E aqui o mensageiro é crucial na credibilização da mensagem. 



publicado por Rodrigo Saraiva às 09:30
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Terça-feira, 20 de Agosto de 2013

[Word of Mouth] O país das aparências


 

O país das aparências

 

por: Fernando Moreira de Sá

Consultor de Comunicação

 

A escrita de discursos políticos por terceiros é uma profissão quase tão antiga como a outra. Todos sabem quem escreve os discursos de Obama, quem escrevia os de Aznar (e também se sabia quando era o próprio, para mal dos seus pecados e alegria dos humoristas), já para nem lembrar Sarkosy e se vamos continuar a dar exemplos seria uma sucessão interminável que nem algumas listas telefónicas.

 

O mesmo se passa em Portugal, certo? Errado, segundo as leis do politicamente correcto. No nosso quadradinho das falsas aparências semelhante surge como forte hipótese criminal. Na verdade, a esmagadora maioria dos políticos portugueses, tal como nos outros países, recorrem aos chamados "speechwriter". Só não se assume. Obviamente, existem excepções, as tais que confirmam a regra. Vou ser franco, alguns recorrem a verdadeiros "speechwriter" enquanto outros preferem o Miguel ou a Maria que tiveram mais de 60% nos exames de português. O que, embora possa não parecer, acaba por fazer toda a diferença. Porém, não se pense que são apenas os políticos. O mesmo se diga quanto a empresários, artistas e outras espécies sempre que necessitam de intervir publicamente.

 

Tudo isto a propósito da polémica (?????) peça da "Vespa" do Diário de Notícias. Na sua edição do passado domingo (18 de agosto, página 10) a "vespa" descreve o diálogo no facebook entre António Cunha Vaz e o João Gonçalves. Ainda Pedro Passos Coelho estava nos primeiros minutos do seu discurso e já o consultor de comunicação António Cunha Vaz afirmava, na sua página de facebook, estar na presença do melhor discurso de sempre do Primeiro-ministro levando João Gonçalves a comentar o seguinte: "Mas o homem mal começou a falar, António. Que notável presciência", tendo tido como resposta do autor:"João, pois, por que será". Ora, foi esta resposta que levou a "Vespa" a concluir que o discurso em causa tinha sido escrito por António Cunha Vaz. Ignorando, se de forma propositada ou não desconheço, que mais tarde o autor do post tivesse esclarecido que não tinha sido ele.

 

Não seria nenhum crime se tivesse sido ACV a escrever o tal discurso. Estou certo que já o fez com outros clientes como, certamente, os autores deste blogue que são, igualmente, consultores de comunicação o fizeram com alguns dos seus clientes. Eu já o fiz e faço com muito prazer e não me caíram os parentes na lama (nem aos clientes). Faz parte do nosso trabalho e em nada se está a inovar. O problema é outro.

 

Ao contrário do que acontece, por exemplo, nos Estados Unidos e nalguns países europeus, em Portugal este tipo de trabalho é quase secreto. Quase. Faz lembrar a maçonaria em Portugal: é vista como uma sociedade secreta mas todos a conhecem e a lista dos seus membros até surge publicada nos jornais. Segredos de polichinelo. 

publicado por Rodrigo Saraiva às 08:53
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Quinta-feira, 8 de Agosto de 2013

[Word of Mouth] Políticos, Marketing Pessoal vs Personal Branding?


 

Políticos, Marketing Pessoal vs Personal Branding?

 

por: Henrique Silva

Personal Branding Coach

 

Temas que começam a ser falados em Portugal, e que convém não estragar!
"De pequenino se torce o pepino" e "há que separar o trigo do joio".


- Personal Branding está enraizado na autenticidade. Trata-se de discernir o que te torna único e valioso, a fim de seres bem-sucedido. Para descobrires a tua marca pessoal, precisas de te conhecer, teus público-alvos e teus concorrentes/colegas, através de técnicas específicas.

- Marketing pessoal é simplesmente sobre a embalagem e como comunicar o que você tem para oferecer, em vez de a definir. Trata-se de aplicar todas as formas que te tornam visível e comprometido com o teu público-alvo. Este é o lugar onde o plano de comunicação está no foco do serviço.

 

O desenvolvimento de uma marca pessoal é baseado na Autenticidade, no que a Pessoa é, o que a torna única, sendo necessário uma viagem profunda ao seu Eu. Essa viagem não é um ”fast trip” mas os resultados que se extraem são congruentes, fortes e dão uma “solid trip” para a vida pessoal e profissional. Em atual campanha política para as autárquicas 2013 os eleitores assistem ao frenesim do desfilar dos candidatos nas ruas das cidades, em todos os eventos, inaugurações, manifestações coletivas das terras, à facilidade do sorriso, ao aperta aí o “bacalhau”, às conversas de circunstância, à utilização das redes sociais para “likarem” o que os eleitores vão partilhando, para dar a entender, uma real preocupação com a vida das pessoas.

Caros políticos, o povo já vos conhece, nem as altíssimas taxas de abstenção, as manifestações na rua, com o exemplo claro do Brasil, com o povo a sair para a rua a dizer basta de Corrupção, Desonestidade, Falsidade, com o povo a gritar por Transparência, Honestidade, Preocupação Verdadeira em encontrar soluções que conduzam a uma vida melhor, os senhores parecem ver essa realidade. Continuam continuamente a insistir no Marketing Eleitoral e no Marketing Pessoal, em detrimento do desenvolvimento de Marketing Politico, um processo de médio/longo prazo, integrado com Personal Branding que conduz a uma Marca Pessoal Autêntica e que começa bem antes de apenas a 6 meses das eleições, inicia-se quando desejarem ser verdadeiros com vós mesmos. Surge a questão, qual a importância do Personal Branding na Politica? Na minha opinião, toda, num meio muito afetado pela perceção dos eleitores como Falso, Desonesto, Descrente, surgir figuras políticas autênticas com eles próprios e percecionados como tal pelos eleitores fará toda a diferença, ou não? E você, Sr.º político, o que acha?

publicado por Rodrigo Saraiva às 19:11
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Segunda-feira, 29 de Julho de 2013

[Word of Mouth] A fusão inesperada


 

A fusão inesperada

 

 

por: Carlos Martinho

editor de conteúdos na GCI

 

“Uma grande notícia para dois homens – Maurice Levy, CEO da Publicis, e John Wren, CEO da Omnicom – mas desconcertante para 130 mil colaboradores e centenas de clientes”. Mais coisa, menos coisa, era assim que, no sábado à noite, alguém se refira no Twitter à fusão entre estas duas gigantes dos serviços de marketing.

 

Primeira conclusão da fusão Publicis/Omnicom: esta é uma das mais surpreendentes notícias de sempre da indústria do marketing e estava fora dos radares do mais optimista, visionário e ingénuo analista de mercado. Primeiro, porque se tratam de duas culturas completamente diferentes, a proteccionista francesa e a controladora norte-americana. O que sairá daqui?

 

Em segundo lugar, porque durante anos se falou numa possível aquisição da Havas – outra das holdings do top six, também francesa – pela Publicis, mas o negócio nunca se realizou.

 

Em terceiro, porque, como notou o CEO da Havas, David Jones, os clientes querem agências mais ágeis e empreendedoras, e não “burocracia e processos complexos”. Este será um argumento interessante para as holdings/agências mais pequenas lucrarem com a fusão.

 

Finalmente, porque o timing é muito interessante mas pouco habitual: um pacato fim-de-semana de férias, uma péssima altura para deixar os banhos caribenhos com a família para apanhar um avião. A maioria dos clientes – e certamente muitos dos executivos e gestores da Publicis/Omnicom – terão sido avisados do negócio pelos media, o que não deixa de ser arriscado para a reputação da futura holding.

 

A francesa Publicis é liderada desde 1987 por Maurice Levy, de quem terá partido a sugestão para a fusão, há cinco meses. Tem uma forte presença em França e no continente europeu, com agências como Leo Burnett, Publicis, Saatchi & Saatchi, Barte Bogle Hegarty (BBH), Fallon, VivaKi, Digitas, Starcom, ZenitOptimedia, Razorfish, MSL… A delicadeza da fusão para os seus clientes locais obrigou a que o negócio fosse anunciado em Paris. Nos Champs-Élysées.

 

A Omnicom é a típica multinacional norte-americana, que domina o mercado local e detém agências como BBDO, TBWA, DDB, OMD, Fleishman-Hillard, Porter Novelli ou Interbrand.

 

Apesar de tudo, as duas holdings podem complementar-se – a Omnicom tem uma visão tradicional da publicidade; a Publicis é fortíssima no digital. Veremos se os reguladores concordam.

 

Portugal

É difícil prever as consequências desta fusão para o mercado português. Em publicidade, Omnicom e Publicis estão presentes com as suas maiores agências, assim como em planeamento de meios. Mas, nesta indústria, é normal que uma determinada holding detenha quatro ou cinco agências no mesmo mercado. Ou melhor, era normal.

 

Em PR, a especificidade do nosso mercado, liderado por consultoras locais, não antevê grandes mudanças. Das principais marcas de PR da nova holding – MSL, Kekst, FleishmanHillard, Ketchum, Porter Novelli e Cone –, apenas a Porter Novelli está presente em Portugal de forma independente. Haverá espaço para a criação de uma nova super-agência? Teoricamente, sim, mas não será fácil de a implementar no terreno.

 

Colosso global

A nova holding já tem nome – Publicis Omnicom Group – e terá dois co-CEO nos primeiros 30 meses: Levy e Wren. Depois, Wren – 61 anos e uma década mais novo que Levy – deverá liderar o grupo, mantendo-se o septuagenário francês como chairman não-executivo.

 

Com $23 mil milhões de receitas, a holding ficará sedeada na Holanda, mantendo os escritórios operacionais em Paris e Nova Iorque. O grande objectivo será poupar $500 milhões em sinergias operacionais, o que já provocou a reacção de sir Martin Sorrell, CEO da até agora líder WPP: “Será interessante ver como [a nova holding] poderá poupar $500 milhões em sinergias, sem despedimentos”.

 

Alguns analistas frisam que esta operação cria em Sorrell uma pressão extra para voltar às compras. Algo que este, aliás, tem feito regularmente. Em cima da mesa estará o grupo Interpublic (IPG), que passou a terceiro maior grupo de comunicação e ainda não reagiu à fusão.

 

O negócio poderá efectivar-se entre o último trimestre de 2013 e o primeiro de 2014. Se for realmente concretizado, virará a indústria de cima para baixo. Nada será como dantes.

 

Segundo a Adage, Coca-Cola, Pepsi, AT&T, Sprint, T-Mobile e Verizon são alguns dos potenciais clientes-conflito. Ainda assim, este número será muito maior, se analisado mercado a mercado. Será esta uma oportunidade para as agências mais pequenas reforçarem o seu portfólio de clientes? Possivelmente, sim.

imagem do Diário Económico

publicado por Rodrigo Saraiva às 12:04
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Quarta-feira, 31 de Outubro de 2012

[Word of Mouth] Agências de Comunicação: percepções e realidades.

 

 

Agências de Comunicação: percepções e realidades.

 

por: João Tocha

Director Geral da First Five Consulting

(artigo publicado na Meios e Publicidade)

 

 

Há uma crise de percepção sobre as mais-valias dos serviços prestados por uma consultora de comunicação e imagem. O papel, a função, os objectivos e a utilidade real das empresas de comunicação não estão clarificados para uma parte significativa dos líderes de empresas, de instituições públicas e privadas e das organizações em geral. As causas para esta percepção errada assentam, em primeiro lugar, no posicionamento, na actuação e na forma como as próprias empresas comunicação e os seus líderes têm agido.

 

Oiço, com regularidade, desabafos de desencanto quanto ao trabalho das agências de comunicação e de frustração quanto aos resultados alcançados. Alguns clientes chegam a contratar várias empresas ao mesmo tempo. Outros alocam os serviços de quadros competentes de agências, em regime de trabalho a tempo inteiro, dentro das próprias estruturas. E a insatisfação mantém-se.

 

Perante este discurso pergunto-lhes: O que pretendem da comunicação? Que metas tinham? Como estão organizados?

A resposta está, invariavelmente, focada em notícias negativas que não foram evitadas ou na falta de cobertura pelos media de actos, comunicações, realizações que os próprios clientes consideram muito importantes.

 

As empresas de comunicação e os seus líderes contribuem, em alguns momentos, para este estado de coisas quando ultrapassam a sã concorrência entre elas e entram em despiques estéreis, em ataques guerrilheiros, para denegrirem concorrentes. O vale tudo não aproveita a ninguém.

Por outro lado, o posicionamento restritivo do lado da notícia por parte de muitos profissionais desta área, se bem que importante, não dá a ampla potencialidade da parceria positiva de uma agência para com um cliente.

 

A comunicação é global e o conselheiro de comunicação global está apto e preparado para aferir as necessidades comunicacionais globais de qualquer organização, o posicionamento ideal e a oportunidade de qualquer acção ou campanha de comunicação. Ele sabe como monitorizar os resultados face aos objectivos delineados. Falando claro: um consultor de comunicação global está apetrechado tecnicamente e possui conhecimentos que o habilitam a aferir acções de comunicação interna e externa: publicidade, marketing directo, assessoria de imprensa, redes sociais, encontros e reuniões, design, relações públicas, eventos e cerimónias, conteúdos, imagem pessoal, preparação e análise de estudos de opinião, etc. Tudo comunica e como tudo comunica é a agência de comunicação e de conselho global que deve estar preparada para ajudar o seu cliente a  saber reger esta orquestra com muitos instrumentos.

Não se trata de substituir-se a qualquer profissional de áreas de negócio distintas e específicas, mas de ser capaz de avaliar e encontrar a estratégia, o eixo e o posicionamento adequados para atingir os objectivos através da comunicação. Não concebo a utilidade desta profissão de outra forma.  Mas, do lado do cliente, há que ganhar a consciência de que nenhum fornecedor externo se pode substituir na função de direcção de comunicação e, muito menos, à organização, fazendo o que só ela deve fazer.

 

Um líder, uma direcção e um director de comunicação devem saber quais as necessidades de comunicação e a que disciplinas e profissionais devem recorrer para as suprir. Tirar partido das capacidades de cada um dos fornecedores de serviços de comunicação, sabendo o que podem e devem exigir. Isto pressupõe um briefing completo e exaustivo e objectivos claros e mensuráveis para poderem ser controlados. Esta é uma condição básica de sucesso.

Não há agência que resolva os problemas de comunicação de qualquer cliente que não saiba o que quer.

 

Hoje vivemos uma crise de percepção sobre o papel das agencias de comunicação e numa falta de conhecimento, para alem do superficial, sobre o que é a comunicação nas empresas, nas organizações, nos partidos, nos governos. E nós não temos sabido, com o nosso trabalho, dignificar e valorizar o nosso sector. Era bom que todos pensássemos um pouco nisto:

agências e clientes.

publicado por Rodrigo Saraiva às 11:59
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Segunda-feira, 22 de Outubro de 2012

[Word of Mouth] As doenças e a cura do jornalismo português

 

 

As doenças e a cura do jornalismo português

 

por: Rui Catalão

Jornalista

 

A capacidade de convencer os públicos falhou. A transição para o digital fracassou. A gestão das empresas de media ajudou a agravar a situação. Os jornalistas cometeram o pecado de olhar o país e o mundo do cimo de uma fortaleza. A realidade escureceu, a credibilidade fugiu, o dinheiro desapareceu – não necessariamente por esta ordem. Portugal também caiu, é certo.

 

Por estes dias, um debate entre jornalistas tem sempre um ar pesado, difícil de respirar. A Casa de Imprensa, onde algumas dezenas se juntaram no sábado, para discutir os sinais evidentes de crise, não foi excepção. Há um certo sentimento de luto, por muito que o jornalismo não tenha morrido. Está doente, sim, a precisar de cura para várias doenças crónicas. E o processo de investigação para chegar a esse(s) antídoto(s) tem tanto de hercúleo como de tormentoso.

 

São os despedimentos sucessivos. Estão por todo lado há anos e anos, agora chegaram em força ao “Público” – Ricardo Alexandre, jornalista da Antena 1, arranjou uma definição para o futuro do jornal: o “Público remanescente”. Hoje em dia, na verdade, todo o jornalismo português é uma remanescência do que já foi.

 

São os cortes na Lusa, que comprometem não só a agência, mas a rede que dela se alimenta. Em cada redacção, a assinatura da Lusa equivale ao trabalho de quantos jornalistas? Dez? Vinte? Em alguns casos 30? Sim, por aí. As palavras de José Manuel Barroso, antigo presidente do conselho de administração da agência, criam desconforto na plateia. Fala de direcções politizadas num passado que também foi seu, mas ainda de problemas de dimensão. “O número de jornalistas da Lusa cresceu em demasia.”

 

É a venda da Controlinveste, proprietária do “DN”, do “JN”, d’”O Jogo” e da TSF, a aparentes desconhecidos. E aí é Adelino Gomes, um dos promotores da carta aberta “Pelo jornalismo, pela democracia”, a acertar na descrição. “São 150 anos de história do jornalismo português que vão ser alienados a um grupo sem rosto.”

 

É o fecho de inúmeras publicações, das revistas de automóveis à imprensa regional e local.

 

O diagnóstico é duro.

publicado por Rodrigo Saraiva às 09:44
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Terça-feira, 17 de Abril de 2012

Word-of-Mouth - Pedro Faleiro

 

 

O poder do título de imprensa…

 

…chega ao marketing institucional.

 

 

por: Pedro Faleiro

Consultor em Comunicação

 

 

Os títulos em notícia são um elemento chave para captar a atenção do leitor. Todavia, penso que na imprensa escrita este elemento tem levado a muitos disparates.

 

Não poucas vezes, ao ler uma notícia constata-se que o título apenas foi escrito daquela forma porque dava jeito.

 

Dá jeito a certas notícias, que de outra forma não tinham substancial e robustez para serem publicadas. Dá jeito porque, com jeitinho, até se consegue fazer uma chamada de capa. Dá jeito porque essa capa pode ser o mote para mais uns pozinhos na circulação paga.

 

Não invariavelmente, quando se tenta perceber junto do autor da notícia o que o motivou a optar pelo título traiçoeiro a culpa, essa madrasta, recai sempre no editor.

 

 

Haveria muito para dizer sobre este assunto mas o mesmo apenas serve de introdução ao que me traz a este fórum.

 

Hoje constatei que o poder do título chegou ao Marketing Institucional.

 

Atente-se à imagem e compare-se o título e a primeira frase da notícia em destaque na Newsletter Carris n.º11.

 

Graças ao título ficamos a saber que a melhor empresa para se trabalhar em Portugal em 2012 é a 37ª.

 

Apenas um apontamento de um passageiro atento.

publicado por Alexandre Guerra às 13:10
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Segunda-feira, 23 de Janeiro de 2012

Word-of-Mouth - Miguel Reis

 


 

Consumo: 10 L(ikes) / 100km

 

por: Miguel Reis

Account na Parceiros de Comunicação

 

  

Há uma mística no mundo automóvel. É inegável. A eterna combinação homem - máquina move paixões. A procura da afinação perfeita. Os cabelos ao vento, a liberdade. O domínio absoluto.

 

Há um brilho que fica nos olhos sempre que (re)vemos Steve McQueen em Bullitt.

 

Algo mexeu connosco quando vimos o MadMax. pela primeira vez. Há algo que nos faz sentir vivos quando vemos a volta perfeita de Airton Senna em Donington Park. Mais recentemente em Death Proof ou nos vídeos virais da DC Shoes centrados na arte de condução do Ken Block. Estes e tantos outros episódios ajudaram a posicionar o automóvel como um objecto de culto e respeito e a construir heróis em seu redor.

 

Mas como será o futuro? Será que os teenagers de hoje ainda sentem esta adrenalina? Será que a relação de idolatração se mantém?

 

De acordo com este artigo da Business Insider, a relação dos teenagers norte-americanos face aos automóveis tem vindo a mudar. Há cada vez menos jovens a adquirir a licença de condução e conduz-se cada vez menos no país de forma geral. A culpa tem fundamentos económicos, pois claro, mas uma análise ao tema revela uma curiosa tendência que demonstra o impacto das redes sociais em sectores tão emotivos como o automóvel. Refira-se que este impacto é ainda mais supreendente pela ligação histórica do país ao mundo automóvel... olhe-se para o peso da GM ou Ford no país.

 

O estudo refere que esta tendência deve-se também à internet. A deslocação já não é assim tão essencial para manterem contacto com os amigos. A vida dos jovens é vivida online. A sociabilização faz-se cada vez mais ao computador, no telemóvel, tablets e afins, sem que tenha de haver uma deslocação física. As 4 rodas são substituídas pelas 2 mãos.

 

O consumo vai deixar de ser feito em gasolina, mas em tempo e não será medido em litros, mas em likes. Será esse o preço a pagar para manter e reforçar a estrutura sociológica do grupo.

Será em likes que os teenagers visitam os seus amigos, os seus ídolos e os seus heróis.

 

Curiosamente, o Facebook, esteve presente na Consumer Electronics Show onde apresentou  uma versão da rede social optimizada para automóveis. A nova versão do Facebook foi desenvolvida em conjunto com a Mercedes e vai ser integrada no sistema de navegação de alguns modelos da fabricante automóvel alemã.

 

Times of change...

 

publicado por Rodrigo Saraiva às 09:15
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Segunda-feira, 26 de Dezembro de 2011

Word-of-Mouth - João Gomes de Almeida

 

O que irá acontecer às marcas na websocial em 2012?

 

por: João Gomes de Almeida

Social Creative Barman, na BAR, claro.

 

As marcas começarão a investir no Google +

 

Este foi o ano em que nasceu o grande concorrente do Facebook. O funcionamento é userfriendly e as políticas de privacidade estão muito aperfeiçoadas em relação ao Facebook.

 

Recentemente, permitiu a entrada das marcas e mesmo em Portugal conseguiu que elas aderissem em força à rede. Durante o próximo ano, teremos a integração de publicidade no Google+ e novas funcionalidades estarão disponíveis para utilizadores e marcas. Este será um ano Plus na websocial.

 

A ativação do on-line ocorrerá no off-line

 

Flash mobs virais, qr codes, mupis interativos, geolocalização, passatempos, publicidade de TV e anúncios de imprensa, tudo servirá para as marcas ativarem as suas redes sociais através do off-line, percebendo que podem capitalizar nas ruas e principalmente nos pontos de venda, a sua presença no on-line, gerando posteriormente brandawareness.

 

Paralelamente, mobile será uma verdadeira trend para a comunicação de todas as marcas e produtos.

 

Nova Timeline do Facebook irá forçar à profissionalização das páginas

 

O ano de 2011 chegou ao fim com uma nova timeline para os perfis (pessoais). No entanto, as páginas (empresariais) continuam na mesma. Tudo aponta para que 2012 seja o ano do nascimento de uma nova timelinetambém para as páginas.

 

Isto obrigará as marcas a profissionalizarem ainda mais a gestão dos seus Facebooks, adaptando-se rapidamente a um novo paradigma de funcionamento desta rede social.

 

Marcas vão acordar para as potencialidades do Twitter, Blogues e Foursquare

 

O Twitter é atualmente a rede dos influenciadores e dos utilizadores de redes sociais que se fartaram da massificação ocorrida no Facebook, sendo o melhor meio para veicular informação e medir a reputação das marcas. A blogosfera continua a crescer e começou este ano a profissionalizar-se em vários sectores, como por exemplo na moda e no desporto. O Foursquare cresceu no nosso país e a venda de smartphones aumentou, principalmente de aparelhos Android, o que fará de 2012 um óptimo ano para a websocial de geolocalização.

 

Tudo isto e a saturação que os consumidores têm das marcas no Facebook, irá força-las a testarem novas campanhas e formas de comunicar nas outras redes sociais.

 

 

O sucesso das marcas na websocial será a Criatividade

 

O ano que agora acaba foi marcado pela afirmação das marcas nas redes sociais. Atualmente, a grande maioria já está no Facebook e opta por começar a profissionalizar a sua gestão, quer com recurso a agências, quer fazendo-o internamente. Muitas recorreram a passatempos para aumentar os seus seguidores nas redes e perceberam que a boa gestão das mesmas implica bom conteúdo.

 

Qual o nextstep? A criatividade. Num panorama em que a postura das marcas se confunde na websocial, é cada vez mais importante que estas consigam inovar e estar mais próximas dos seus seguidores.

 

O lema será sair da confusão. A criatividade será o bom caminho para as marcas em 2012 na websocial.

 

publicado por Rodrigo Saraiva às 09:03
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Quarta-feira, 23 de Março de 2011

assessores e consultores, podia ser um word-of-mouth

"A guerra dos verbos na Comunicação", um interessante texto do amigo Rodrigo Capella, demonstrando a realidade brasileira e as diferenças entre assessor e consultor.

 

publicado por Rodrigo Saraiva às 11:01
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Quarta-feira, 9 de Março de 2011

EUPRERA Spring Symposium 2011

Eis o primeiro feedback que encontro sobre este evento que decorreu em Lisboa. Como não podia deixar de ser, no blog do Bruno Amaral que participou activamente no evento.

 

Com muita pena minha não tive tempo para dar mais atenção (e até participar) no simpósio da EUPRERA, mas estando curioso pelo que por lá se terá passado deixo o desafio ao Bruno para um word-of-mouth a dar nota sobre tudo o que por lá se passou. Espero que a resposta não seja um "what happens in Vegas ..." ;-)

 

 

publicado por Rodrigo Saraiva às 11:44
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Sexta-feira, 4 de Março de 2011

“O valor de uma organização não é financeira”, Anne Gregory em palestra organizada pela APCE

Nota: O PiaR não conseguiu estar presente neste evento, organizado pela APCE e que decorreu na sede do Santander Totta, mas conseguimos encontrar uma enviada especial. O nosso obrigado à Liliana.

 

Por: Liliana de Almeida

 

A Associação Portuguesa de Comunicação de Empresa (APCE) promoveu, no dia 2 e Março, um encontro intimista com Anne Gregory, directora do Centre for Public Relations Studies da Leeds Metropolitan University.

 

Foi uma “conferência” interessante na qual a oradora abordou os desafios das PR tendo em conta o panorama económico europeu. Iniciou por realçar que vivemos num período repleto de desafios políticos e económicos, consequência de uma crise iniciada pelo colapso dos Lehman Brothers, facto que se traduziu nas dificuldades financeiras que se fizeram (e fazem, acrescento) sentir na banca por toda a Europa. Por sua vez, os países europeus enfrentam problemas financeiros que conduzem à crise política e toda esta bola de neve se transforma em avalanche e abre portas para a crise social em que a Europa está mergulhada.

 

Certo é que, afirmou Anne Gregory, as oportunidades que existiram outrora não estão disponíveis para a geração de hoje. E realçou que como consequência dos “desperdícios”, hoje “vamos ter de trabalhar até mais tarde, mais velhos, enquanto os mais novos desesperam à procura de emprego”. “É ridículo!”, sublinhou.

 

Segundo esta oradora, a comunicação está no centro de todas as soluções que são necessárias realizar com um último objectivo: a união de interesses. E enunciou quatro factores condutores a ter em conta: time compression (o conhecimento adquirido na última década foi largamento superior ao conseguido no último século); complexidade (o conhecimento dos assuntos aumenta necessariamente a sua complexidade, a tudo está inter-relacionado e a própria tecnologia leva a decisões políticas e dentro das ameaças existentes a mais temida pelos Governos é o ciberterrorismo); a interdependência da aldeia global; o contexto. “Nenhum Governo isolado pode lidar com todos estes factores. Mas há que pensar que a união faz a força”, afirmou Anne Gregory apelando ao desenvolvimento daquilo que denominou de “responsabilidade global”.

 

A convidada da APCE defendeu que tudo aquilo que uma organização faz é comunicação com os seus públicos-alvo e sublinhou que a reputação “é uma forma de medição do desempenho organizacional, à semelhança das PR”.

 

Anna Gregory disse algo curioso: “Um novo conceito de gestão das organizações é definido pela comunicação.” E dentro daquilo que considera ser as good communications (éticas e efectivas) salientou quatro atributos:

 

  1. Marca: a importância dos valores e da missão e a forma como a organização as operacionaliza dão o significado à marca.
  2. Liderança: objectivos e visão organizacional, tendo em atenção que, disse, “a tomada de decisão deve ser feita na base de uma organização e não no topo”. Além disso, referiu ser imperativo que haja um alinhamento entre os valores da marca na organização e a realidade, para que os colaboradores conheçam e partilhem da visão da organização.
  3. A comunicação como uma competência essencial (enquanto membros de uma organização todos somos seus comunicadores, somos os representantes do seu sistema).
  4. Planeamento (estratégia, planeamento, execução, aferição de resultados).

 

Depois de apresentar os quatro níveis de contribuição para a comunicação (sociedade, corporativo, stakeholders e funcional) Anne Gregory salientou que o ROI em termos de comunicação deve ser a avaliação equilibrada entre os factores reputação, relacional e cultural. “O valor de uma organização não é financeira”, afirmou.

 

Após a apresentação houve um período para perguntas e respostas, das quais destaco duas situações.

 

Estar ou não presente nas redes sociais. Anne Gregory acredita que é melhor estar e participar. Na sua opinião “uma organização beneficia da sua presença nas redes sociais ao conseguir concentrar e «controlar» a informação num sítio dedicado, ao invés de ter informação dispersa nos social media sem qualquer tipo de controle”. Além disso, acrescentou que a presença nos social media é uma mais-valia para as organizações dado que esta tem acesso fácil à percepção que os seus públicos-alvo/stakeholders têm sobre si.

 

A outra situação diz respeito à reputação de uma organização que é, atrevo-me a dizer, mal-amada por muita gente. Como mudar este cenário? Como melhorar a sua reputação? Segundo Anne Gregory a resposta é flexibilidade. “Os colaboradores podem ser assertivos no trabalho que realizam, mas têm de ser formados para serem flexíveis. Em cinco casos podem «perdoar» três e não podem esquecer que comunicam a organização.” Afinal, é uma questão de flexibilidade.

 

Deixo aqui este meu contributo, mas reconheço que falta alguma informação. Por isso, agradeço a quem esteve presente que a acrescente e que critique algo que, eventualmente, aqui reportei de forma menos correcta.

 

publicado por Rodrigo Saraiva às 10:04
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Terça-feira, 1 de Março de 2011

Word of Mouth - Luís Spencer Freitas

 

Microblogging – o irmão dos Blogs

 

por: Luís Spencer Freitas

Web Strategist @ The Grand Union Portugal

 

Confesso ter um gozo pessoal quando leio sobre a morte dos meios. Os anúncios da morte da Televisão, da Imprensa, enfim, dos meios intitulados “tradicionais” são sempre fascinantes, pois lembram-me sempre os senhores de gabardine e cabelo despenteado no meio de Nova Iorque que anunciam a aproximação do fim do Mundo. Existe uma necessidade de filtragem nos meios que diga à Sociedade que devem parar de olhar para um meio e prestar atenção ao novo. Por várias vezes eu abordei o tema da Imprensa e da literatura em geral à luz destes alarmismos – e repito o que disse sempre: nenhum meio está a morrer, estão simplesmente a evoluir.

 

Recentemente cruzei-me com um destes casos – o anúncio da morte dos Blogs. Desde 2008 que surgem os cavaleiros do Apocalipse do Blogging que indicam que, com o surgimento do microblogging e das redes sociais em geral, os blogs perderam a sua importância e relevância. Neste caso especifico, estou a falar de uma instituição de renome, o New York Times. Apesar de não assumir, a meu ver, uma posição absoluta quanto a esta afirmação, existe uma certa aura de “DANGER DANGER” para os blogs. Se olharmos para dados dos Estados Unidos, sabemos que as visitas do Blogger, serviço de blogging da Google, teve menos visitas em Dezembro do que no período homologo no ano anterior em cerca de 2%. No entanto, globalmente cresceram 9%. Da mesma forma, services mais flexiveis como o Wordpress não sofreram mudanças significativas ao seu crescimento – talvez por terem sabido integrar as ferramentas sociais com perícia e ainda a própria natureza dos bloggers presentes em cada uma das plataformas.

 

Os Blogs e as plataformas de microblogging – entendam-se Twitter e Facebook, que não se limitando a microblogging, são entendidas por muitos enquanto concorrentes directos dos Blogs – servem propósitos claramente diferentes. Existe uma migração efectiva de alguns bloggers para as redes sociais pelas razões mais óbvias – é mais fácil ter leitores do que andar a recrutar pela Web fora, não requer o mesmo tipo de investimento de tempo e é, muitas vezes, mais sustentável ao nível de trabalhar temáticas (shares automáticos de feeds de outros utilizadores). No entanto, sou da mesma opinião que a Elisa Page, dona do blog Blog Her - quando indica que os serviços de microblogging não permitem a exploração de um tema de forma tão aprofundada e complexa que, por norma, encontramos nos blogs. Poderá haver quem argumente contra isto referindo as zonas de notas no Facebook, mas na realidade, sabemos que não são utilizadas nem percebidas pelas maioria dos utilizadores enquanto zonas de aprofundamento de temas que não podem sobreviver no curto espaço de um Post.

 

 

 

 

publicado por Rodrigo Saraiva às 16:34
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Quarta-feira, 19 de Janeiro de 2011

João Duarte, um comunicador que puxa as PR para cima

O João Duarte é um competente profissional, com um percurso muito interessante. O João Duarte é mais um talento português que tem vingado profissionalmente. O João Duarte é daqueles Comunicadores que puxa o sector para cima. O João Duarte deveria ter mais reconhecimento dos seus pares.

 

O João Duarte, já eu tinha desafiado algumas vezes para um word-of-mouth aqui no PiaR, mas foram mais persuasivos e eficazes os vizinhos do Apanhado na Rede. O que interessa é que temos todos um post do João Duarte para ler com atenção sobre os novos desafios das Public Relations.

 

O João Alves Duarte, nunca o tinha visto designado assim, é actualmente o Responsável de Comunicação Institucional Internacional da Enel SpA, a maior empresa italiana na área da energia, mas estando fora de Portugal não deixa de manter fortes ligações, sendo Professor Convidado da Escola Superior de Comunicação Social no Mestrado em Gestão Estratégica das Relações Públicas.

publicado por Rodrigo Saraiva às 11:15
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Terça-feira, 11 de Janeiro de 2011

Word of Mouth - Fernando Moreira de Sá (edição especial III)

 

A Morte do Assessor de Imprensa (em três capítulos).

 

 

por: Fernando Moreira de Sá

Consultor de Comunicação e Blogger

 

3. A Comunicação Integrada e o Consultor de Comunicação

 

Após a exposição sobre a comunicação de e das Massas e o surgimento das Redes Sociais apresentando os factos que levam ao desaparecimento do assessor de imprensa tradicional e seguindo a velha máxima de “Rei morto, Rei posto”, convém esclarecer como se resolve a lacuna.

 

As redes sociais provocaram tamanha revolução na comunicação que podemos dividir o tempo comunicacional em duas eras: aRS (antes das Redes Sociais) e dRS (depois das Redes Sociais).

 

Na primeira o assessor de imprensa tradicional reinava. Na segunda ele desapareceu para dar lugar ao Consultor de Comunicação numa lógica de comunicação integrada. A nota informativa, a conferência de imprensa, a criação e manutenção dos diferentes instrumentos de comunicação digital da instituição (facebook, twitter, youtube, site institucional, etc.), as campanhas de publicidade e o marketing, a comunicação interna, a monitorização de todos os meios, as relações públicas, entre outras valências passam a estar integradas numa mesma filosofia de comunicação que não pode, em nome do seu sucesso, ser vista/criada/pensada de forma separada. Ora, por muito bom que seja nenhum ser humano o pode fazer sozinho. Ninguém consegue dominar tantas e tão diversificadas matérias a solo. Simultaneamente, o papel de proximidade entre o assessor de imprensa tradicional e o assessorado não se pode perder.

 

Por isso, hoje, o Consultor de Comunicação e as empresas do ramo são fundamentais para toda a comunicação da instituição, do cliente. Dotadas de vários especialistas nos diferentes “braços” elas substituem o velho assessor de imprensa tradicional através da figura do “consultor de comunicação” que mais não é do que o cérebro deste corpo que, no seu conjunto, vai permitir o correcto funcionamento de toda a comunicação agora perfeitamente integrada e composta por vários elementos especializados nos diferentes meios.

 

A necessidade de transformar a filosofia de comunicação das instituições no âmbito desta verdadeira revolução, passando a prioridade comunicacional de um só sentido (Instituição – OCS – Público) para uma comunicação múltipla (Instituição – Público; Instituição – OCS; Público – Instituição) vai obrigar a implementar esta nova lógica comunicacional empresarial de duplo sentido (Consultor/Empresa). Hoje, a instituição comunica para o seu público através das redes sociais e das campanhas publicitárias independentemente dos tradicionais media (que continuam a ser fundamentais mas que deixaram de ser “o único” meio) e é aqui que reside a mudança.

 

De repente…tudo mudou.

 

publicado por Rodrigo Saraiva às 09:31
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