Quinta-feira, 23 de Julho de 2015

Erros atrás de erros

Ao ler o Público de hoje, 23 de Julho, confirma-se, mais uma vez, a perda de qualidade de um jornal que já teve os seus momentos. Das notícias que mereceram uma leitura mais atenta, pelo menos duas apresentavam falhas inaceitáveis: na secção local, na página 15, numa notícia sobre o SATU de Oeiras, é citada o nome de uma fonte, mas sem que se refira qual o cargo ou função da mesma; na página 42, na área do desporto, começa-se a ler entusiasticamente um artigo sobre a etapa de ontem do Tour e, abruptamente, a frase é cortada. Claramente um erro de paginação. Seria menos mau, se estivéssemos perante uma vez sem exemplo, mas o problema é que não estamos.

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publicado por Alexandre Guerra às 12:15
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Sexta-feira, 2 de Maio de 2014

(Mais uma) Opção editorial errada e incompreensível

 

Mais uma primeira página do Público que desafia as mais básicas regras que regem o bom jornalismo

 

Compreensivelmente, em termos editoriais, todos os jornais generalistas (CM, JN, DN e i) optaram hoje por chamar para a primeira página uma grande fotografia do Benfica no jogo de ontem com a Juventus. Foi uma opção correcta. Não se trata de uma questão subjectiva nem de gosto, mas sim de um critério técnico noticioso. Tão simples quanto isso. 

 

Ora, o Público, mais uma vez, desafiou essa lógica jornalística e enveredou por critérios editoriais, no mínimo, estranhos. Qualquer estudante de jornalismo identificaria, sem problemas, onde está o erro da primeira página do Público de hoje. Ao remeter a vitória histórica do Benfica para uma pequena chamada de primeira página, o Público violou regras básicas que regem o jornalismo.

 

Então, perguntará o leitor deste post, se o erro é tão evidente, por que é que aquela decisão foi tomada pela sua direcção? O PiaR não sabe a resposta a isso, mas talvez alguém da direcção do Público possa esclarecer.

publicado por Alexandre Guerra às 15:06
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Domingo, 1 de Dezembro de 2013

Critérios editoriais incompreensíveis

O jornal Público há muito que deixou de ser uma referência no jornalismo português. Não há outra forma de o dizer. Na opinião deste poleiro, isso não se deve tanto às restrições financeiras que o sector da imprensa tradicional atravessa, mas antes à linha editorial que aquele diário tem seguido nos últimos anos. 

 

Uma linha editorial que reflecte as limitações jornalísticas da sua directora. Na verdade, o PiaR nunca percebeu por que razão Belmiro (ou qualquer outro Azevedo) terá escolhido Bárbara Reis para assumir a direcção daquele diário. Na altura, em Agosto de 2009, este autor escrevia neste blogue o seguinte: "Não obstante as eventuais qualidades profissionais de Bárbara Reis ou de Miguel Gaspar, estes dificilmente serão os nomes que o Público precisa para se tornar novamente um jornal de qualidade e de referência como em tempos foi."

 

Não só esta afirmação veio revelar-se certeira (e não era difícil acertar), como Bárbara Reis nem sequer conseguiu "arrumar" a casa como devia ter feito, deixando, por um lado, sair bons jornalistas ao mesmo tempo que foi convivendo com "grandes repórteres" que nunca saem em reportagem e "vedetas" completamente desactualizadas.

 

Além disso, Bárbara Reis tem manifestado um profundo desrespeito por regras básicas do jornalismo, tratando, por vezes, de uma forma menor temáticas absolutamente incontornáveis, em prol de temas que vão de encontro à vontade de uma corrente arrogante e elitista que ainda se faz sentir nos corredores do Público. Talvez nos tempos áureos do Vicente Jorge Silva se compreendesse essa tal arrogância, onde tudo era "à grande" e, de facto, o Público era composto por uma redacção de luxo (e também de vícios que vieram a ser fatais para o jornal). 

 

A primeira página do Público deste Domingo é mais um exemplo dessa deriva e irresponsabilidade editorial. Na Sexta (soube-se ontem), morreram, pelo menos, seis portugueses num acidente aéreo na Namíbia. Uma notícia destas teria grande destaque em qualquer primeira página de qualquer jornal do mundo se envolvesse cidadãos seus (como aliás o fizeram o Jornal de Notícias, o Diário de Notícias e o Correio da Manhã), mas o que faz o Público? Remete a notícia para uma pequena "chamada", enquanto o grande destaque vai para uma foto com Pedro Burmester e para mais uma história sobre a "crise". 

 

 

Quem tiver visto esta primeira página nas bancas este Domingo nem se terá apercebido que na Sexta (soube-se ontem) morreram seis portugueses num acidente aéreo.

 

publicado por Alexandre Guerra às 14:32
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Terça-feira, 18 de Junho de 2013

"Profissão, repórter." Será mesmo?

Público, 18 de Junho de 2013


Com uma ou outra excepção – mas de gente que já nem sequer exerce a profissão de jornalismo –, em Portugal não existem repórteres de conflito ou de guerra. Daqueles com tarimba e espírito de aventura, que inspiram e que devolvem toda a dignidade e nobreza ao jornalismo, e não daqueles “queixinhas” e que estão sempre a centrar a “história” em si. Daqueles que, humildemente, servem a sua profissão como uma missão e não apenas como um lugar assalariado, alimentando vaidades, egos e interesses corporativos.

 

É preciso notar que não há jornalismo de excelência sem reportagem e não há reportagem sem repórteres. E se os princípios gerais orientadores de um qualquer repórter podem ser considerados comuns, já as características necessárias para um jornalista fazer da cobertura de cenários de conflito e de guerra a sua vida são ímpares. Aliás, basta ver o espírito e a vida de sacrifício de algumas das maiores referências mundiais neste tipo de jornalismo. Este poleiro dá apenas o exemplo do luso-sul africano, João Silva, sobre quem já escreveu algumas vezes.  

 

Este autor nunca mais esquece o patético episódio do Iraque, há uns anos, onde uma “excursão” de jornalistas nacionais sem qualquer vocação e preparação para aquele tipo de cenário acabou por acabar com um tiro no rabo dessa grande “repórter” de guerra chamada Maria João Ruela. E a partir daí, essa foi a história jornalística do Iraque que os portugueses passaram a conhecer. Aliás, Ruela passou de imediato à condição de estrela. Mas enfim… adiante.

 

O exemplo de João Silva e de outros repórteres daquele calibre devia envergonhar alguns jornalistas “vedeta” que por aqui andam nas redacções deste burgo, pavoneando-se com um “estatuto” intocável, que rapidamente é desconstruído quando confrontado com a realidade dura do terreno. Aqui, quando as coisas “aquecem” um pouco mais, esses “grandes repórteres” transforma-se em autênticos “meninos”.

 

O sacrifício e a coragem ficam no quarto de hotel e a missão jornalística é rapidamente esquecida, para dar lugar a um jornalismo de curiosidades e banalidades, com muita exposição do próprio jornalista, onde em muitos casos ele próprio se torna o centro da história.

 

Paulo Moura, esse “grande repórter” do Público (que noutros tempos já assinou alguns trabalhos de grande qualidade), espelha hoje em dia essa tendência. A sua patética crónica “Profissão, repórter”, assinada esta Terça-feira, é o corolário de um caminho que aquele jornalista tem vindo a percorrer e que só podia acabar em desastres como estes: “Nas imagens pode ver-se como lutei destemidamente contra as forças da repressão (exactamente como fazem os cidadãos turcos quando são apanhados assim nas malhas da autoridade).” Como se não bastasse, conclui: “Em jeito de conclusão, direi que estes polícias tiveram muita sorte. Se eu não estivesse um pouco atordoado pelo gás, tê-los-ia corrido todos à chapada.”  

 

O autor deste poleiro nem sequer discute o número de regras jornalísticas que aqui foram violadas, mas é confrangedor ver a criancice em que Paulo Moura caiu.

 

E isso leva a outra questão que o autor deste poleiro tem discutido com alguns jornalistas: Por que razão é que são sempre os mesmos jornalistas a serem destacados para estes serviços? Mesmo quando o seu trabalho há muito se tornou um mar de banalidades.

 

Voltando àquela crónica, é lamentável que se pretenda passar para o leitor uma janela da realidade que não corresponde à verdadeira natureza dos acontecimentos. Porque, o que aquilo que o jornalista oferece é um relato da “sua” realidade. E essa nunca será a realidade do terreno.  

 

É preciso notar a forma estridente como se descreve o que se passa em Istambul, efectivamente uma “brincadeira de crianças”, quando comparado com outros cenários bem mais “quentes”. Aliás, esta mania de hiperbolizar alguns acontecimentos em palcos mais agressivos é outro dos vícios que se tem verificado em reportagens dos meios de comunicação social nacionais.

 

Este poleiro recorda acontecimentos recentes, de manifestações em Lisboa, em que os relatos dos “repórteres” no local eram no mínimo ridículos e desproporcionados, tendo em conta ao que se passava efectivamente no terreno.

 

Paulo Moura assume em título a profissão de “repórter”. Mas, será mesmo? Porque ser repórter é precisamente o contrário daquilo que o próprio descreve na sua crónica… Ser um verdadeiro repórter implica sacrifício e dedicação. Poderá implicar, literalmente, apanhar nas “trombas”, ser roubado ou humilhado… Mas no final, “o” repórter, sem “queixinhas” e “lamentos”, levanta-se e reage para contar a história que interessa. E essa história nunca envolve o jornalista.

 

Declaração de interesses: Este autor, enquanto foi jornalista, experimentou, por sua conta e risco, a vivência em cenário de conflito, nomeadamente por duas vezes no Médio Oriente, em 2001 e 2002, em plena intifada de Al Aqsa, nuns dos piores momentos do conflito israelo-palestiniano. Da primeira vez, chegou a estar dois meses a viver em Bir Zeit, na Cisjordânia e não em qualquer hotel em Jerusalém ou Telavive. Da segunda, foram apenas alguns dias, regressou à Faixa de Gaza e furou um bloqueio a Ramallah, durante o bombardeamento à Mukata de Yasser Arafat. Apontamentos noticiosos foram muitos e escritos. Quanto a histórias pessoais, foram algumas, é certo, mas essas ficaram para contar aos amigos.

publicado por Alexandre Guerra às 17:07
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Segunda-feira, 14 de Setembro de 2009

A confirmação...

 

 

A agitação que se vive na direcção do Público já tinha sido abordada pelo PiaR há uns dias, confirmando-se agora a informação então avançada. Em declarações o jornal Sol, da passada Sexta-feira, é o próprio José Manuel Fernandes, director do Público, a admitir a possibilidade da sua saída.

 

publicado por Alexandre Guerra às 10:59
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Quinta-feira, 27 de Agosto de 2009

Até quando aguentará a actual direcção do Público?

 

O que ainda há uns dias era um rumor que circulava nalguns corredores, passou agora para o domínio público, noticiando-se hoje eventuais mudanças no jornal Público para o próximo mês de Setembro. 

 

A notícia vem corroborar a informação que chegara aos ouvidos do autor destas linhas, de que a actual direcção encabeçada por José Manuel Fernandes estaria de saída. Confirma-se ainda que o nome de Bárbara Reis é uma possibilidade para ocupar aquele lugar.

 

No entanto, a informação hoje divulgada traz uma novidade chamada Simone Duarte, que seria contratada para a chefia de redacção. Por outro lado, o artigo não refere um nome que já tinha sido mencionado como possível eleito a subir na hierarquia do jornal: Miguel Gaspar.

 

Quando interpelado há uns dias com esta possibilidade, José Manuel Fernandes terá negado qualquer afastamento da direcção do Público, uma posição que pelos vistos manteve ao Jornal de Negócios. Porém, a posição do actual director parece ser cada vez mais insustentável, sobretudo face às dificuldades que o jornal tem vindo a enfrentar de há uns anos a esta parte, sem se ter conseguido inverter uma tendência negativa constante.

 

Além do descalabro editorial e comercial (gerando um gigantesco buraco financeiro), o Público tornou-se ingovernável, com muita contestação interna à própria direcção,  com pessoas afastadas que não deviam ter sido e com outras valorizadas que não o deviam ter sido. Outros casos houve, em que a experiência de jornalistas com mérito foi esbatida por opções de direcção altamente discutíveis. 

 

Perante este cenário, a questão não reside tanto em saber se a actual direcção vai cessar funções, mas antes quando será anunciada essa decisão. Por isso, e nas actuais circunstâncias, é pertinente perguntar-se até quando aguentará José Manuel Fernandes à frente dos desígnios do Público.

 

Seja como for, caso a actual direcção venha a abandonar as suas funções, é também importante referir que as opções conhecidas não geram grandes motivos de satisfação. Com a excepção de Simone Duarte, que este autor desconhece por completo, os nomes que circulam por aí mais parecem adequar-se a uma equipa liquidatária do que propriamente a uma task force com capacidade de fazer rejuvenescer um projecto jornalístico.

 

Não obstante as eventuais qualidades profissionais de Bárbara Reis ou de Miguel Gaspar, estes dificilmente serão os nomes que o Público precisa para se tornar novamente um jornal de qualidade e de referência como em tempos foi.

 

publicado por Alexandre Guerra às 16:10
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