Jornal da Noite de 27 de Janeiro de 2012
Tantos anos ao serviço do sindicalismo português e na hora da despedida Car(v)alho da Silva é traído pelas perversidades da dinâmica comunicacional.
Num registo agora mais a sério, está-se perante mais um momento infeliz na televisão portuguesa, desta vez na SIC, minutos antes de ir para o ar, precisamente, uma reportagem de vida daquele sindicalista.
É vergonhosa a forma como os rodapés e oráculos são tratados pelas televisões nacionais. Um atentado àquilo que deve ser o jornalismo televisivo e a informação de rigor, e que é cada vez mais recorrente, perante a passividade de editores e directores dos principais canais do País.
Em Outubro de 2010 falámos aqui da Carolina Enes e do movimento blogosférico em ajuda à elaboração da sua tese de mestrado. Entretanto a Carolina já é mestre e a Meios & Publicidade, na sua edição de 6 de Janeiro, dá destaque às conclusões a que a Carolina chegou ao "ouvir" dezenas de jornalistas e de profissionais de public relations.
Durante um jantar, há dias, com uma jornalista experiente e amiga já de alguns anos, ocasião normalmente aproveitada para se fazer uma espécie de balanço do "estado" do jornalismo, foi recomendado ao autor deste poleiro ler um texto do correspondente do El Mundo na Ásia, que parece ter provocado alguma turbulência na blogosfera e nas redes sociais, tal é a acutilância da sua prosa.
Putas y periodistas de David Jiménez toca nalguns pontos vitais para o futuro do jornalismo de qualidade (ou do pouco que resta em Portugal) e devia ser lido, sobretudo, pelos empresários e directores de jornais que têm poder de decisão nas políticas de contratação dos seus profissionais e responsabilidade na definição da estratégia de valorização do produto que vendem (informação e conhecimento).
Vasco Pulido Valente faz hoje 70 anos, aquele a quem o arquitecto Saraiva chamou em tempos de “monstro” (no bom sentido) da crónica portuguesa, pela sua dimensão inigualável na conversão da leitura da realidade política para a arte da escrita regular na imprensa.
Indiscutivelmente uma das referências da “opinião” política e social no pós 25 de Abril em Portugal, Vasco Pulido Valente é hoje, no entanto, um homem cansado nas ideias e previsível no seu comentário, esgotada a sua fonte inspirativa, o que é natural ao fim destes anos todos de exigência analítica e produção intelectual.
Em Fevereiro de 2008, o autor deste poleiro, escrevia, a propósito da “previsibilidade” de cronistas como Vasco Pulido Valente, que “muitas das vezes as ideias ou as observações iniciais são pertinentes, mas a forma de as trabalhar obedecem ao tal modelo de pensamento já esgotado e conhecido pelos leitores. Consequentemente, esfuma-se a capacidade de resolver de forma inovadora e surpreendente as questões (muitas vezes boas questões) colocadas à partida. Ora, o que se pede aos colunistas, sobretudo aos mais bem pagos, é que confrontem o leitor com algo de novo e em que nunca tenham pensado. É para isso que existem, de outro forma tornam-se irrelevantes no seu propósito”.
Como o próprio diz numa intensa entrevista feita pelo Pedro Lomba, publicada hoje no Público, “a decadência do corpo nunca vem sozinha. As pessoas perdem capacidade de concentração, o interesse pelas coisas.” Pulido Valente recusa-se, no entanto, a ser retrospectivo, e diz que o grande prazer da idade avançada é “reler” para compreender melhor.
Sendo um homem de grande inteligência, Vasco Pulido Valente talvez terá a noção de que hoje o seu contributo, enquanto comunicador, é menos acutilante e profícuo. Mas, mesmo assim, o seu nível coloca-o numa galeria ilustre à qual poucos cronistas têm acesso. Porque, como o autor deste poleiro escreveu em 2008, “Pulido Valente foi, efectivamente, talvez um dos maiores colunistas que Portugal teve no pós-25 de Abril” e sem dúvida um dos maiores comunicadores.
Vitor Belanciano do Público escreve hoje sobre o jornalismo e as novas realidades comunicacionais. Um texto que merece uma leitura.
Este post / relato / comentário da Alda Telles, que subscrevo, sobre a intervenção de Henrique Monteiro ontem num debate em Lisboa sobre saúde e comunicação, com uma entrada a dois pés.
A SIC decidiu fazer uma reportagem sobre a presença dos novos ministros no facebook. Tema pertinente nos tempos que correm? Claro que sim. O jornalista podia era estudar um pouco sobre a plataforma. Não para não fazer má figura, mas só porque assim demonstra a quem não conhece bem a rede uma má e errada imagem. O exemplo mais concreto é quando se refere à página de Nun Crato, que mais não é que uma página gerada automaticamente pelo facebook e não pelo próprio.
O Jornal de Negócios publicou ontem uma peça sobre Agências de Comunicação. E uma peça digna de ser lida.
Ficamos a saber que o sector em Portugal vai ter uma ligeira queda em 2011. Mas eu ainda estou curioso por ver os resultados de 2010, em especial o agregado do sector.
Ficamos a saber os valores mensais praticados. Desconhecia que existia tabela.
E ficamos a saber que Media Relations é “envio de press releases para a imprensa”. What???!!!
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