Sexta-feira, 27 de Fevereiro de 2015

Sessões de Leitura

De há uns tempos para cá tem-se tornado moda realizar aquilo a que resolveram chamar “conferências de imprensa sem direito a questões”. E as aspas aqui são para citação mas, sobretudo, porque aquilo é mesmo para colocar entre aspas.

Se na política isto está a tornar-se habitual, eu até consigo compreender. Há um determinado assunto sobre o qual o partido (ou determinado agente político) quer emitir uma declaração, tomar uma posição, e chama a imprensa para o fazer. Mas como a posição política foi tomada ali entre dois cafés e uma conversa de corredor, não convém dar espaço para questões, não vá perceber-se a fragilidade da mesma. Ou então, porque o assunto da tomada de posição não interessa a ninguém e não se quer dar espaço para perguntas sobre o que interessa a toda a gente mas sobre o qual não se quer falar.

É preciso passar uma imagem de dinamismo ao eleitorado ou, na maioria das vezes, acalmar as hostes internas e tem que se fazer o papel de ler uma coisita para as câmaras.

Mas esta semana vi a moda estender-se a outros quadrantes. Uma instituição pública, a propósito de um grave incidente, resolve convocar a comunicação social para uma conferência de imprensa. Antes da mesma começar alguém anuncia que a pessoa x irá ler um comunicado e que não há espaço para questões dos jornalistas.

article-2338778-1A3E679B000005DC-374_634x422.jpgO que eu gostava de perceber, pois não consigo profissionalmente entender, é porque raio marcaram então a “conferência de imprensa”? Se era para a pessoa x ler um comunicado de imprensa, não era mais útil para todos enviar o dito para as redacções? Ainda por cima era um comunicado com dados factuais. Não havia tomadas de posição que justificassem a presença de jornalistas. E, ainda por cima, o leitor do comunicado não era um grande leitor.

Meus senhores. Isto não são “conferências de imprensa”. São sessões de leitura. E qualquer dia os jornalistas deixam de ir perder tempo a estas sessões de leitura (até porque a maioria deles lê melhor). E, nesse dia, percebem que afinal até era bom quando eles vinham e faziam perguntas que nos deixavam esclarecer melhor o tal do comunicado que se leu.

Pessoalmente, para sessões de leitura, prefiro as que faço todas as noites ao meu filho...

publicado por Telmo Carrapa às 13:39
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Segunda-feira, 23 de Fevereiro de 2015

A obsessão com a cobertura mediática

Um colega meu deu-me a conhecer este texto do Ragan’s PR Daily sobre a obsessão com a cobertura mediática. Kevin York, o autor, lembra que a definição de Relações Públicas não diz nada sobre “cobertura mediática” e que no início da profissão as “media relations” eram um meio e não um fim em si mesmas:

“The PR industry wasn’t founded on getting coverage. Most versions of the profession’s history include two-way communication with the public, along with informing, educating and influencing audiences. Though many early PR practitioners used media coverage as a tactic, coverage was a means to an end. It helped them reach people.”.

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E mesmo a cobertura mediática deve ser vista em função dos públicos. Não enquanto número de notícias:” If coverage appears in a publication your target audience doesn’t actually read, it doesn’t count as coverage. Target the reader, not the publication or the journalist. “.

Costumo dizer que às vezes vale mais uma breve no sítio certo que dez páginas no sítio que não vai fazer mossa nenhuma. Este artigo diz o mesmo.

“The PR industry lost its creativity—and some of its business relevance—when it became too reliant on media coverage. Media is still a valuable communications tactic, but it’s just one piece of our job, one tool in our arsenal.”, deixa em jeito de conclusão o autor.

publicado por Telmo Carrapa às 11:05
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Sexta-feira, 14 de Março de 2014

Uma definição simples e acertada

Ao ler-se o texto do Nuno Roby Amorim no Word of Mouth, há uma frase que se destaca por sintetizar muito bem o papel de um assessor: "Não estou a vender nenhum produto estou a partilhar um bom tema o que é substancialmente diferente."

 

publicado por Alexandre Guerra às 12:49
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Terça-feira, 14 de Janeiro de 2014

"o assessor não manda aqui (bater palmas como nas claques)"

daqui.

 

«Vítor Pereira não conseguiu conter a fúria, há algumas semanas, na conferência de imprensa que se seguiu à derrota do seu Al Ahli frente ao Al Ittifaq. O vídeo passou despercebido a quase toda a gente, mas vale bem a pena ver. O treinador português explode quando o assessor lhe diz para não individualizar nas respostas e para falar apenas nos aspetos técnicos do encontro. O que se segue é Vítor Pereira ao ataque, até que o mandam sentar-se outra vez

 

publicado por Rodrigo Saraiva às 15:55
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Quinta-feira, 24 de Maio de 2012

under pressure

Miguel Relvas foi acusado de duas coisas. De fazer pressão e de ameaçar. São duas coisas distintas.

 

A segunda, que era baseada num qualquer conhecimento de factos da vida pessoal da jornalista, era grave e ficou esclarecida que não aconteceu.

 

A primeira não consigo perceber onde existe erro ou gravidade. Quem entra no “jogo mediático” deve estar capaz de lidar com pressões. De fazer e de receber. Mas mais uma vez lá se está a dar um sentido pejorativo a uma palavra. Portugal no seu melhor. Ainda na semana passada fui pressionado por uma jornalista. Para fazer uma reportagem teria que ter um exclusivo de outra notícia. Gostei? Não. Mas tive que jogar.

publicado por Rodrigo Saraiva às 16:48
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Segunda-feira, 23 de Abril de 2012

vida dura a de assessor de imprensa


in Revista do Expresso

publicado por Rodrigo Saraiva às 15:39
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Terça-feira, 7 de Junho de 2011

estamos sempre a aprender

O Jornal de Negócios publicou ontem uma peça sobre Agências de Comunicação. E uma peça digna de ser lida.

 

Ficamos a saber que o sector em Portugal vai ter uma ligeira queda em 2011.  Mas eu ainda estou curioso por ver os resultados de 2010, em especial o agregado do sector.

 

Ficamos a saber os valores mensais praticados. Desconhecia que existia tabela.

 

E ficamos a saber que Media Relations é “envio de press releases para a imprensa”. What???!!!

 

publicado por Rodrigo Saraiva às 12:14
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Quarta-feira, 23 de Março de 2011

assessores e consultores, podia ser um word-of-mouth

"A guerra dos verbos na Comunicação", um interessante texto do amigo Rodrigo Capella, demonstrando a realidade brasileira e as diferenças entre assessor e consultor.

 

publicado por Rodrigo Saraiva às 11:01
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Terça-feira, 11 de Janeiro de 2011

Word of Mouth - Fernando Moreira de Sá (edição especial III)

 

A Morte do Assessor de Imprensa (em três capítulos).

 

 

por: Fernando Moreira de Sá

Consultor de Comunicação e Blogger

 

3. A Comunicação Integrada e o Consultor de Comunicação

 

Após a exposição sobre a comunicação de e das Massas e o surgimento das Redes Sociais apresentando os factos que levam ao desaparecimento do assessor de imprensa tradicional e seguindo a velha máxima de “Rei morto, Rei posto”, convém esclarecer como se resolve a lacuna.

 

As redes sociais provocaram tamanha revolução na comunicação que podemos dividir o tempo comunicacional em duas eras: aRS (antes das Redes Sociais) e dRS (depois das Redes Sociais).

 

Na primeira o assessor de imprensa tradicional reinava. Na segunda ele desapareceu para dar lugar ao Consultor de Comunicação numa lógica de comunicação integrada. A nota informativa, a conferência de imprensa, a criação e manutenção dos diferentes instrumentos de comunicação digital da instituição (facebook, twitter, youtube, site institucional, etc.), as campanhas de publicidade e o marketing, a comunicação interna, a monitorização de todos os meios, as relações públicas, entre outras valências passam a estar integradas numa mesma filosofia de comunicação que não pode, em nome do seu sucesso, ser vista/criada/pensada de forma separada. Ora, por muito bom que seja nenhum ser humano o pode fazer sozinho. Ninguém consegue dominar tantas e tão diversificadas matérias a solo. Simultaneamente, o papel de proximidade entre o assessor de imprensa tradicional e o assessorado não se pode perder.

 

Por isso, hoje, o Consultor de Comunicação e as empresas do ramo são fundamentais para toda a comunicação da instituição, do cliente. Dotadas de vários especialistas nos diferentes “braços” elas substituem o velho assessor de imprensa tradicional através da figura do “consultor de comunicação” que mais não é do que o cérebro deste corpo que, no seu conjunto, vai permitir o correcto funcionamento de toda a comunicação agora perfeitamente integrada e composta por vários elementos especializados nos diferentes meios.

 

A necessidade de transformar a filosofia de comunicação das instituições no âmbito desta verdadeira revolução, passando a prioridade comunicacional de um só sentido (Instituição – OCS – Público) para uma comunicação múltipla (Instituição – Público; Instituição – OCS; Público – Instituição) vai obrigar a implementar esta nova lógica comunicacional empresarial de duplo sentido (Consultor/Empresa). Hoje, a instituição comunica para o seu público através das redes sociais e das campanhas publicitárias independentemente dos tradicionais media (que continuam a ser fundamentais mas que deixaram de ser “o único” meio) e é aqui que reside a mudança.

 

De repente…tudo mudou.

 

publicado por Rodrigo Saraiva às 09:31
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Segunda-feira, 10 de Janeiro de 2011

vida e morte do Assessor, mais uma acha para a fogueira

Eis mais uma reflexão sobre o assunto com que o Fernando Moreira de Sá fez take over aqui ao poleiro. Desta vez o Luis Spencer Freitas no seu O Segundo Que Passou.

 

 

 

publicado por Rodrigo Saraiva às 11:21
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Word of Mouth - Fernando Moreira de Sá (edição especial II)

 

A Morte do Assessor de Imprensa (em três capítulos).

 

 

por: Fernando Moreira de Sá

Consultor de Comunicação e Blogger

 

2. Do Pombo-correio ao Twitter – As Redes Sociais

 

Se no primeiro post escrevi sobre a diferença entre a comunicação de massas e das massas focando a mudança que tal provocou no papel do assessor de imprensa, desta feita são as “Redes Sociais” a provocar uma alteração profunda. É a segunda parte da trilogia.

 

Quando em 1999 surge o blogger, em 2004 o facebook e em 2006 o twitter, o assessor de imprensa tradicional começou a ver a vida a andar para trás e a tornar-se, rapidamente, uma espécie em vias de extinção.

 

Num século passamos do Pombo-correio da Reuters para o passarinho do Twitter e boa parte dos responsáveis de inúmeras instituições ainda nem se aperceberam da mudança – olham pela janela do seu escritório e julgam que as mensagens que a filha envia ao namorado voam na pata daquele pombo que acabou agora de passar. Hoje, quase cinco milhões de portugueses têm acesso à internet passando cerca de 15 horas por semana a navegar e 42% consideram a internet imprescindível (apenas 34% consideram da mesma forma a televisão)*. Segundo dados da Netscope de Julho de 2010, o número de visitas diárias a blogues do Sapo é superior ao número diário de circulação paga dos principais jornais diários portugueses. O caso do Facebook é tão flagrante e esmagador que nem vale a pena atirar com os números.

 

Volto a questionar: perante este cenário para que serve o assessor de imprensa tradicional? Melhor dito, será que uma qualquer instituição para comunicar com o seu público-alvo vai enviar um press? Uma nota informativa? Convocar uma conferência de imprensa? Levar meia dúzia de jornalistas a jantar? Organizar um curso de formação intensiva aos seus colaboradores sobre escrita jornalística?

 

Já sei, num ápice e seguindo uma velha tradição de incompetência muito nossa, a instituição vai contratar um expert em informática para lhe criar uma página no facebook, um blog corporativo e um site todo catita, daqueles que são actualizados quando o Rei faz anos. A seguir, pede ao assessor de imprensa que convoque os senhores jornalistas para mais uma maravilhosa conferência dos sentados explicando que criou umas coisas engraçadas na internet e já está preparada para este novo mundo das redes sociais. Ao estilo daqueles projectos digitais apoiados por fundos comunitários que foram criados como cogumelos no nosso país e que, depois de tudo bem espremido, o resultado foi: sites sempre desactualizados e nada “user-friendly”, incapacidade de criação de múltiplos espaços wi-fi de acesso gratuito, bases de dados criadas nessa altura e que nunca mais foram actualizadas e aquisição maciça de material informático rapidamente obsoleto. Em suma, amadores a tratar de coisas sérias com o dinheiro dos outros. Portugal no seu melhor.

 

Foi aqui, entre 1999 e 2006 (do nascimento do Blogger ao Twitter) que o assessor de imprensa tradicional começou a definhar. A sua função foi ultrapassada pelos acontecimentos. Em suma, morreu. Mesmo sabendo que persistem alguns. A extinção das espécies nunca é instantânea.

 

Porém, parte substancial do seu trabalho continua a ter de ser feito. Como? Quem?

 

(continua… amanhã)

 

publicado por Rodrigo Saraiva às 09:16
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Sexta-feira, 7 de Janeiro de 2011

Word of Mouth - Fernando Moreira de Sá (edição especial)

 

 

A Morte do Assessor de Imprensa (em três capítulos).

 

 

por: Fernando Moreira de Sá

Consultor de Comunicação e Blogger

 

Depois de uma discussão de facebook que passou para os blogues (aqui, aquiaqui e aqui ) nada como continuar o debate sobre o tema aqui no PiaR.

 

Um título tenebroso (e o que dizer de dividir a coisa em três partes? Um verdadeiro “The Texas Chainsaw Massacre”) para um tema delicado.

Vou procurar explicar dividindo em três posts aqui no PiaR (graças à amabilidade do Rodrigo): Da Comunicação de Massas à Comunicação das Massas; Do Pombo-correio ao Twitter – as Redes Sociais; A Comunicação Integrada e o Consultor de Comunicação.

 

 

1.Comunicação de Massas vs Comunicação das Massas

 

Os primeiros assessores de imprensa surgem da necessidade de intermediação entre as instituições e os diferentes órgãos de comunicação social de molde a que as primeiras consigam, através das segundas, chegar às massas.

 

Eram tempos de vias de sentido único: Instituição – OCS – Público. Os leitores/ouvintes/espectadores liam/ouviam/viam aquilo que os diferentes órgãos de comunicação social transmitiam. Os Assessores de Imprensa serviam de elo entre o seu cliente e o OCS. As mensagens transmitidas pelas diferentes instituições passaram a adoptar uma linguagem jornalística e o assessor procurava ser uma espécie de nanny. Ainda hoje, em inúmeras instituições, olham para o assessor de imprensa como aquele tipo(a) que vão contratar para “colocar” notícias, apaparicar os jornalistas e, eterno desejo secreto, evitar as más notícias. Acreditando piamente que todos os jornalistas são parvos. Enfim.

 

De repente, tudo muda. As massas ganham poder comunicacional próprio e os OCS deixam de ser o único veículo de transmissão de informação. A “Era Digital” transforma a comunicação de massas em comunicação das massas – o recente caso “Ensitel vs Maria João Nogueira” é disso um bom exemplo:

 

No tempo da “Comunicação de Massas” a Maria João até podia enviar uma “carta do leitor” a contar o seu caso com a Ensitel e, com alguma sorte, a cartita lá seria publicada. Até podia colocar um anúncio de jornal e a coisa duraria um, dois dias com muita sorte e talvez algumas centenas de pessoas tropeçassem no assunto.

 

Neste tempo da “Comunicação das Massas” a Maria João publicou um post no seu blogue, alguns milhares leram e chegou aos ouvidos da empresa em causa. Esta, pensando que ainda vivia nos primórdios da “Comunicação de Massas” utiliza o músculo e processa judicialmente a blogger. Resultado? Um verdadeiro fim do mundo para a Ensitel com a blogosfera e as redes sociais solidárias com a Maria João e milhares, muitos milhares, de consumidores a pintar de negro as cores da empresa. Esta recuou e agora vai procurar, naturalmente, gerir os danos por ter acordado muito tarde para uma nova realidade.

 

O que pode fazer o Assessor de Imprensa tradicional num caso como este? Uma nota informativa? Um press release? Com que tipo de linguagem, jornalística? Para que meios? Onde está o “inimigo”?

 

Pois é, de repente…tudo mudou.

 

(continua… na segunda-feira)

publicado por Rodrigo Saraiva às 15:10
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Quinta-feira, 6 de Janeiro de 2011

podia ser um word-of-mouth

O Assessor de Imprensa e o Emplastro”, uma interessante posta do Fernando Moreira de Sá no Albergue Espanhol.

 

E já agora, o Albergue, outro poleiro blogosférico onde também escrevo, festeja hoje o seu primeiro aniversário.

 

 

publicado por Rodrigo Saraiva às 17:28
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Segunda-feira, 20 de Dezembro de 2010

relacionamento entre public relations e jornalista by Dilbert

Dilbert.com

 

daqui

publicado por Rodrigo Saraiva às 08:52
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Sexta-feira, 10 de Dezembro de 2010

Word of Mouth - Fernando Moreira de Sá

  

  

 

 

O Assessor Morreu. E depois?..

 

por: Fernando Moreira de Sá

Consultor de Comunicação e Blogger

 

 

Nem de propósito, meu caro Rodrigo. Primeiro foi aquele Fernando e agora é este Fernando a analisar a tua entrevista. Uns melgas estes “fernandos”, uns melgas.

 

PR Interview: E como é o trabalho do assessor de imprensa?

Rodrigo Saraiva: As agências de assessoria de imprensa de Portugal começam a conquistar um espaço que vai além da assessoria, tornando-se agências consultoras, com uma dimensão crítica relevante. Neste contexto, os profissionais trabalham no modelo “dois em um”, ou seja, como assessores e consultores, demonstrando pró-atividade e não se limitando somente ao repasse de informações.

PR Interview: Esta pró-atividade contempla a atuação nos blogs?

Rodrigo Saraiva: Qualquer profissional de comunicação que queira prestar o melhor e mais atual serviço a seus clientes precisa contemplar em suas estratégias os blogs e novas mídias. Isso porque pesquisas indicam que as pessoas passam cada vez mais tempo na Internet, seja para procurar ou compartilhar informação. Qualquer pessoa é hoje em dia um formador de opinião. Em Portugal, temos um interessante fenômeno em que muitos dos colunistas e jornalistas da imprensa escrita tradicional têm presença em blogs e redes sociais.

 

No início da semana, a convite da Professora Fábia Ortega do ISMAI, fui fazer uma apresentação/palestra sobre “Assessoria de Imprensa” aos finalistas das licenciaturas de Relações Públicas e de Ciências da Comunicação. E o que lhes fui eu dizer? Algo muito simples: informar que o “Assessor de Imprensa” morreu. Uma morte macabra às mãos do universo comunicacional 2.0 que, por sua vez, fez gerar uma nova figura, um rebento chamado Consultor de Comunicação.

 

Olhemos então para o defunto e façamos a devida autópsia dividindo as eras: a.RS e d.RS.

 


Antes das Redes Sociais (a.RS):

 

O Assessor de Imprensa era o profissional responsável por fazer a ponte entre a Instituição/Organização para a qual prestava o seu serviço e os Órgãos de Comunicação Social que a rodeavam.

 

Preparava os press releases, os comunicados, as notas à imprensa e contactava com os OCS, servindo de intermediário. Não tratava nem tão pouco coordenava as campanhas de publicidade nem a área das chamadas relações públicas.

 

Depois das Redes Sociais (d.RS):

 

Tal como os dinossauros, extinguiu-se. Quer dizer, está prestes a extinguir-se. O motivo? O surgimento de uma espécie mais evoluída e adaptada à nova realidade, o Consultor de Comunicação.

 

O Consultor faz exactamente o mesmo que fazia o Assessor de Imprensa mas acresce a coordenação das campanhas de marketing, a estratégia comunicacional global da organização e a supervisão das chamadas Relações Públicas. Sem esquecer a velha e temível “Gestão de crises” e um domínio dos novos instrumentos de comunicação 2.0

 

É um verdadeiro “Processo de Comunicação Integrado” ou de comunicação global. O tempo do assessor de imprensa que se limitava a intermediar entre a instituição que representava e os diferentes órgãos de comunicação social e pelo caminho fazia umas jantaradas (fossem no Pabe ou no Pajú) com jornalistas foi chão que deu uvas. E o tempo não volta para trás.

 

Nos tempos que correm, nesta dRS, dificilmente se concebe a existência de um assessor de imprensa nem tão pouco se pode acreditar que uma só pessoa, sozinha, consiga tocar todos os instrumentos de uma orquestra. Pode existir um, um “special one”, mas é tão raro e tão único que já está tomado. Por isso mesmo, existem as empresas de comunicação, as consultoras, com diferentes equipas especializadas e que podem prestar um verdadeiro serviço completo, chave na mão.

 

A Comunicação mudou. O Mundo mudou.

 

 

publicado por Rodrigo Saraiva às 11:10
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Quinta-feira, 2 de Dezembro de 2010

Rodrigo entrevista Rodrigo

E já está online a entrevista que dei ao Rodrigo Capella para o seu blog.

 

Tirando os exageros de simpatia do meu homónimo na apresentação, o destaque vai para como as pessoas, marcas e instituições devem marcar presença no twitter, um tema que está no topo da agenda comunicacional do Brasil. Tanto assim é que no fim da entrevista foi colocada uma sondagem perguntando “Em um projeto de PR 2.0, o perfil do Twitter deve ter um número limitado de mensagens por dia? (Sem contar RTs e DMs).”.

 

 

publicado por Rodrigo Saraiva às 08:21
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Quinta-feira, 25 de Novembro de 2010

Diferenças e igualdades entre Portugal e Brasil

Através do Rodrigo Capella tive acesso ao Estudo “Assessor de Imprensa - Retrato comparativo desta profissão entre Brasil e Portugal e sua relação com a mídia.”, de Marcela Regina Ribeiro, que contou com a colaboração de profissionais portugueses, entre eles o Renato Póvoas.

 

Agora é uma questão de arranjar tempo para ler.

 

 

publicado por Rodrigo Saraiva às 12:23
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Segunda-feira, 15 de Novembro de 2010

Não há 2.0 sem um maduro 1.0

Referi aqui que tinha sido desafiado, pela organização do Upload, para escrever um post no blog do evento.

 

E escrevi. Fica parte do post...

 

(...) Todas as áreas da comunicação podem intervir no 2.0, mas tal como no 1.0 cada uma terá as suas actuações limitadas ao que melhor sabem fazer. Também deve ser tido em conta que há, por exemplo, agências de publicidade que têm vindo a diversificar a sua actuação.

Algumas já não se limitam a fazer o advertising tradicional, apresentando campanhas que visam a criação de relações (veja-se alguns dos prémios em Cannes). Tal como há das chamadas Agências de Comunicação, algumas que se nem no 1.0 conseguiram evoluir, não é agora que irão conseguir ter bons resultados. (...)

 

Ver post aqui.

 

 

publicado por Rodrigo Saraiva às 10:26
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Segunda-feira, 16 de Agosto de 2010

Word of Mouth - Fernando Moreira de Sá

 

  

 

 

O Jornalismo de Agência (de Comunicação) Não Existe

 

por: Fernando Moreira de Sá

Consultor de Comunicação e Blogger

 

Não é que seja raro, não, não é. Mas por vezes detesto ter de concordar com Pacheco Pereira. Detesto, ponto. E como por vezes essa concordância me irrita. Olhem, assim como escrevo estas palavras irritado por ter de concordar com estas outras dele. Como me arrelia.

 

Não é jornalismo, não senhor, quando se escreve/descreve que Sócrates namora com fulana. Não é jornalismo publicar reportagens sobre as férias de Sócrates num qualquer paraíso algarvio. Não é jornalismo descrever as férias de Passos Coelho numa qualquer casa arrendada. Não é jornalismo publicar fotografias de Passos Coelho a escrever junto à piscina da tal casa. É lixo, é voyeurismo puro e duro. Igualzinho, sem tirar nem por àquele outro que pulula pela web em sites de pornografia. Uma vez vi Saramago, numa entrevista a Jô Soares, afirmar que pornográfica é a fome. Eu digo, pornografia não é apenas mostrar as maminhas da Britney Spears num topless numa qualquer praia das Caraíbas, esta invasão da privacidade é tão pornográfica como aquela outra de que vos falei no início.

 

Obviamente, para quem já o conhece e já se habituou aos seus escritos, Pacheco Pereira culpa as agências. Aliás, é Juiz, Advogado de acusação e Magistrado do MP nestas matérias. Tomando a nuvem por Juno. Pelo menos encontro, nesta matéria, um ponto para contrariar JPP e com isso me sentir mais aliviado. Mas não chega. Pois não.

 

Nem toda a assessoria de imprensa se rege por estas regras pornográficas. Nem toda a assessoria de comunicação entende a mentira como caminho para o sucesso. Uma coisa é maquilhar, outra é mentir. Uma coisa é valorizar um dado relativamente a outro e depois esperar que o receptor tome uma de duas decisões: ou seguir a dica ou estudar a dica. Outra, muito diferente, é falsear os dados. A verdadeira “obra de arte” da assessoria é conseguir olhar para os dados a divulgar e encontrar neles a perfeição. A mentira é querer transforma-los em excelência. Logo me lembro da “perna curta”.

 

Porém, e se foi o cliente a exigir ou a permitir a invasão de privacidade? Se foi a Pamela que colocou o vídeo com o Lee a circular na net? Hummm. Aqui a coisa pia mais fino. Nestas matérias recordo algo que escrevi no passado sobre um outro político português que, recentemente, convidou uma determinada revista do coração a entrar em sua casa, fotografando a dita e respectiva família: “Quando deixamos entrar a imprensa para o nosso quarto, já nada a pode impedir de fornicar connosco”. É a vida, como dizia o outro. E sendo-a, caro JPP, que não se culpe o “book”.

 

Sim, caro JPP, o “jornalismo de fretes e de encomenda” não é jornalismo entre aspas pois não é jornalismo de todo. Não sendo, da mesma forma, “de agência” pois este, quando é do bom, estilo “Barca Velha”, parte sempre de um pressuposto essencial: o nosso receptor não é parvo.

 

Fernando Moreira de Sá

 

Caro Rodrigo, aqui está a resposta ao teu desafio. Um pouco tardia, é certo e logo num dia em que estou de maus fígados mas é um prazer e um orgulho escrevinhar umas coisitas mal-amanhadas como estas para o teu magnífico PiaR. Um forte abraço para ti e para os leitores(as) do blogue.

 

publicado por Rodrigo Saraiva às 15:07
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Terça-feira, 13 de Julho de 2010

o que é nacional é bom

 

A GCI (já assim era chamada mesmo com a anterior designação de Grupo GCI) anunciou um novo posicionamento, apresentando-se agora como uma consultora de Public Engagement.

 

É uma designação, uma área de actuação e objectivo, que gosto e em que acredito. Envolver / engajar os públicos, criar relações, é um dos principais objectivos da Comunicação em geral e das Public Relations em particular.

 

Como diz e bem o António Marques Mendes e o Rui Calafate reforça, este posicionamento é uma evolução. E uma evolução natural perante aquilo que o José Manuel Costa tem vindo a implementar e seguindo os exemplos da sua afiliação internacional, a Edelman.

 

No mundo actual, globalizado e “digitalizado”, estar atento ao que se passa a nível internacional é imperativo. Só assim podemos melhor evoluir. O benchmarking não deve ser apenas feito para os clientes. Mas não sou daqueles que acredita que a galinha da vizinha é sempre melhor. Pelo contrário, acredito e promovo que o nacional é bom, mesmo que tenha nas suas origens um exemplo internacional!

 

Recentemente fui orador numa conferência sobre “O Poder da Comunicação” e na apresentação que levei referi que agora era moda dar sempre exemplos com Barack Obama, pelo que não o faria e apresentaria exemplos nacionais. Exactamente porque acredito que o que é nacional é bom, como acima referi.

 

Admiro Barack Obama enquanto comunicador e a forma como a sua campanha soube aproveitar e potencializar as novas formas de relacionamento, as plataformas na internet, as redes sociais. Mas Barack Obama não inventou. Evoluiu, adaptou e incrementou. E mantém agora, e bem, essa filosofia e práticas enquanto Presidente. Também acompanho com bastante interesse o percurso de David Cameron, um ex public relations practitioner.

 

E, olhando ao que digo acima, se me pedirem um exemplo de Public Engagement, até poderei referir o Office of Public Engagement da Casa Branca, ou a recente iniciativa lançada por David Cameron. Mas não deixaria de falar de uma experiência já desenvolvida em Portugal, e que teve a sua génese no Brasil na década de 70, os Orçamentos Participativos, mesmo que desenvolvidos ainda por pouco mais de uma dezena de autarquias, entre Municípios e Freguesias.

 

Agora, alguns até se podem questionar do que é isto dos orçamentos participativos e onde decorre em Portugal? Mas aí o problema já é de Comunicação. É que uma estratégia de Public Engagement não pode passar sem a sua própria estratégia de comunicação, seja ela executada através de media relations, publicidade, public affairs, eventos ou outras.

 

E qualquer semelhança do Office of Public Engagement de Obama ou o Spending Challenge de Cameron com os orçamentos participativos, asseguro-vos, não é pura coincidência.

 

publicado por Rodrigo Saraiva às 15:43
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