Domingo, 20 de Julho de 2014

Sem vedetismos nem snobismos

Ao ouvir a convidada de Rita Ferro no programa "Conta me tudo" deste Domingo na Antena 3, este poleiro ficou a conhecer mais uma história de vida que foge aos standards do quotidiano da maioria das pessoas. Com 31 anos, Mariana Moura Santos, designer de media digital, lá foi contando o seu percurso profissional... Do mestrado na Suécia ao trabalho no Reino Unido, passando pelas palestras na América do Sul às novas funções em Miami. Além da perseverança e resiliência, Mariana contou um episódio que acabou por lhe abrir as portas no jornal britânico The Guardian. E o curioso deste episódio é que jamais poderia acontecer em Portugal.

 

Conta então a Mariana que, no âmbito de entrevistas que estava a fazer em Londres para um trabalho de mestrado, "teve a sorte" de estar três horas a falar com o director de tecnologia do The Guardian. E no seguimento dessa conversa, Mariana percebeu que naquele momento poderia haver a possibilidade de concretizar um sonho: fazer parte da equipa do jornal britânico na área das tecnologias. O director acabou por convidar Mariana a estagiar no jornal e no fim da história, os dois acabaram por criar o Guardian Interactive Team. 

 

Aquilo que o autor destas linhas pensou de imediato ao ouvir esta história, foi tentar perceber se tal história seria possível acontecer entre uma estudante nas mesmas condições da Mariana e um director/editor de um jornal português. A resposta é clara: dificilmente. Além de um snobismo e arrogância muito característicos de uma boa parte das chefias da imprensa nacional (felizmente cada vez menos), quantos se dariam ao trabalho de ter uma conversa de "igual para igual" com uma estudante? 

 

Quem tem experiência de jornalismo e aqueles que, enquanto consultores de comunicação ou assessores, lidam com editores e chefias, provavelmente compreenderão o que aqui se escreve.  

 

A primeira vez que o autor destas linhas, então como jornalista, teve uma clara percepção da diferença de comportamentos entre as "estrelas" desta praça, quase inacessíveis, e repórteres de referência internacional, foi há já uns bons anos no Médio Oriente. Primeiro, em Gaza, com Miguel Ángel Bastenier, um nome incontornável do El País. Na altura, em 2002, o autor deste poleiro ficou supreendido pela simpatia e disponibilidade que Bastenier demonstrou para com este, então, jovem jornalista. Sem vedetismos nem snobismos, Bastenier fez sempre questão de manter uma relação de igual para igual. Ora, só quem desconhece profundamente os comportamentos de algumas "vedetas" do nosso jornalismo, estranhará esta comparação.

 

Mas este poleiro poderá fazer ainda uma outra referência. Ainda no mesmo ano, mas desta vez em Ramallah, o autor destas linhas lembra-se da simplicidade com que a conhecidíssima Barbara Plett, da BBC, convivia com os restantes colegas de profissão, sem qualquer presunção ou arrogância.

 

Duas histórias relembradas por este poleiro a propósito da conversa de três horas que a Mariana teve com um director de um dos mais prestigiados jornais do mundo.

publicado por Alexandre Guerra às 14:45
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