Quinta-feira, 6 de Fevereiro de 2014

O triunfo da irrelevância

Por estes dias as indignações propagam-se em fluxos sincopados, produzindo um inevitável efeito de banalização. São sempre de alta intensidade e de extrema volatilidade: extinguem-se com a mesma rapidez com que despontam. Exigem apenas a disponibilidade de um dedo polegar num smartphone. Seja para evitar o abate de um cão que molestou uma criança ou de um boi que escapou na rota para o matadouro. Seja sobre a co-adopção, as praxes, a deposição de famosos no panteão ou a venda de umas telas de Miró.

Estas indignações avulsas, a propósito de tudo e de nada, promovem uma cultura de mediocridade, onde as óptimas causas se equivalem às péssimas sem hierarquia aparente e a tentação dominante é sempre nivelar por baixo, a coberto do pseudo-vanguardismo das "redes sociais" onde parece ter razão quem mais se exalta no conforto do sofá.

Assistimos impávidos ao triunfo da irrelevância e da superficialidade que acaba por produzir o efeito de uma anestesia geral: na semana seguinte já ninguém se lembra da polémica da semana precedente. Much ado about nothing, como nos ensinou um profundo conhecedor da natureza humana.

publicado por Pedro Correia às 12:59
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2 comentários:
De Marco Neves a 6 de Fevereiro de 2014 às 15:34
A indignação está a ficar muito desvalorizada, qualquer dia não dá para comprar nada.
De Pedro Correia a 6 de Fevereiro de 2014 às 19:01
O efeito banalização provoca isso mesmo. Qualquer dia ninguém se indigna genuinamente com nada.

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