Quarta-feira, 7 de Maio de 2014

Não havia necessidade

 

Alguém deveria lembrar ao primeiro-ministro que em comunicação política importa muito mais a qualidade do que a quantidade. Foi o que pensei esta manhã ao ouvi-lo discursar uma vez mais em directo nas televisões. Falava em Braga, numa iniciativa de "empresas inovadoras". Naquele registo anódino a que habituou os portugueses nove em cada dez vezes que discursa: números, estatísticas, estimativas, dados macro-económicos. Qualquer CEO de uma empresa cotada no PSI-20 falaria assim.

Problema? Estas declarações ocorreram horas depois de uma boa intervenção de Passos Coelho ontem à noite, na qualidade de líder do PSD na concorridíssima celebração do 40º aniversário do partido realizada no Porto. Uma intervenção com forte cunho político, em que Passos se libertou enfim do seu estilo isento de emoção, excessivamente defensivo. Numa altura em que este discurso devia estar ainda a ser digerido já ele produzia outro, condenando o anterior a uma irrelevância que não merecia.

Um erro de comunicação somado a outro que já vinha de véspera: ao aceder participar horas antes da festa de aniversário do PSD na inauguração do Museu dos Descobrimentos, fazendo-se fotografar numa espécie de embarcação que vogava junto de animais exóticos e prestando declarações avulsas aos jornalistas, Passos entrou em concorrência consigo próprio.

Essa seria a primeira de três intervenções públicas em menos de 24 horas. Desvalorizando, no fundo, a única que valeria a pena destacar. Neste caso com um factor agravante: o que mais deu nas vistas foi a fotografia do evento, pouco lisonjeira para o chefe do Governo, e que não tardou a destacar-se nas redes sociais.

Não havia necessidade.

publicado por Pedro Correia às 15:32
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