Domingo, 2 de Março de 2014

Mommy blogs, um desinteressante assunto

A revista Notícias Magazine do DN/JN publicou este Domingo uma longa reportagem sobre uma das mais recentes tendências da blogosfera: os "mommy blogs". Ou seja, blogues escritos por mães que acham que têm algo de interessante para dizer à Humanidade sobre a sua experiência da maternidade. Alguma razão devem ter, já que as audiências de alguns daqueles blogues mostram que do outro lado do ecrã há muitas "mãezinhas" (e talvez "paizinhos") que estão ávidas desse conhecimento profundo e de ler as experiências que emanam do quotidiano entre a fêmea e as suas crias.

 

Ao ler os depoimentos das "mamãs" na reportagem da Notícias Magazine dificilmente se retira dali alguma coisa com interesse, mas, por outro lado, nos dias que correm há uma espécie de "febre" comunicacional à volta do tema "maternidade", que tem raízes nos comportamentos obsessivos da maioria dos pais da classe média. A "ditadura" imposta pela criança  no meio que a rodeia e a "infantilização" dos próprios pais (temas amplamente abordados por especialistas) leva a que estes se tornem reféns de uma lógica comunicacional que não vai além dos temas das criancinhas. Tudo para lá disso, é um deserto de ideias e de debate.  

 

Estas "mamãs", supostamente de ar moderno e sofisticado, não são mais do que o reflexo dessa forma de estar em sociedade. Certamente que num jantar entre amigos enunciarão sem hesitar qual o mais recente filme da Disney, mas dificilmente saberão qual o último filme do Woody Allen.. A excitação do seu mundo gira à volta das fraldas, das "roupinhas", dos pediatras, das neuróticas corridas às urgências, das extravagantes festas de aniversário para bebés (imagine-se que até há listas de prendas em lojas da especialidade, como se de um casamento tratasse). Estes "mommy blogs" dão eco a essa vivência e parecem ter cada vez mais seguidores. É caso para dizer que na blogosfera, a maternidade se tornou um tema de comunicação e de grande audiência, tal como o sexo ou o futebol.  

publicado por Alexandre Guerra às 16:56
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19 comentários:
De Rodrigo Saraiva a 2 de Março de 2014 às 21:45
Alex, sem ainda ter lido a reportagem, mas que já tinha o alerta para ler, estou aqui a pensar que deve ser a primeira vez que discordo de parte de um post teu. Por exagero.
Não sou seguidor assíduo desses blogs, mas acompanho-os. Como consultor de Comunicação tenho que o fazer. São incontornáveis.
Mas isso tu reconheces.
Não gosto é daquela parte em que falas do Woody Allen. Por um lado é normal que uma mãe (mais que um pai, mas também nos acontece) tenha um tempo da sua vida em que tudo gira em torno dos filhos. E continuando no exemplo cinéfilo, sabes quanto tempo estive sem ir ao cinema? E quando voltei foi para ver filmes "disney".
Mas mesmo sem ir ao cinema claro que podemos saber os últimos filmes a estrear. Mas porque raio tem que ser do woody allen?
E esta realidade da mães na internet vai muito para além dos blogs. As mães, no seu primeiro filho, procuram muita informação. E nos tempos que correm a internet está mesmo à mão de semear. E sejam blogs, sejam sites, sejam fóruns, elas "consomem" tudo. Normal.
De Sara Silva a 3 de Março de 2014 às 13:49
Alexandre!!!!!!!!!!! depois de ler o comentário do Rodrigo venho repetir, mas quando li o teu post foi mesmo a parte do Woddy Allen que me deixou com o cabelo em pé! Ora eu mãe da Lara de 4 anos e do Diogo de 7 meses até os filmes que foram aos oscares me passaram ao lado. é que a nossa vida nestes primeiros anos são mesmo roupas, fraldas, idas às urgências e consultas de pediatria. É assim! Para quem quer fazer parte da educação das suas crias!
de resto...beijinhos :)
De FG a 3 de Março de 2014 às 17:31
Anda desatento. Esta tendência já nos conquistou há mais de um ano. E não são só os blogues de maternidade que absorvem grandes massas de publico. São os das tendências de moda, beleza, gastronomia, lifestyle, entre outros segmentos com grandes volumes de publico. Temos blogues em Portugal com 2 milhões de visualizações/mês, posso enumerar 2 e não são de futebol. Temos outros 3 com mais de 1 milhão de visualizações mês e mais uma vez nada tem a ver com política ou futebol. Anda mesmo desatento.
De Frederico Carvalho a 3 de Março de 2014 às 18:41
Fiquei na expectativa que o texto tivesse uma abordagem financeira sobre o tema. Blogs que trabalham segmentos de nicho, são um caso de estudo interessante, mas os que sendo de nicho trabalham uma experiência temporal como a maternidade/paternidade têm algo de curioso.
Quando a "experiência da maternidade." acaba, as fotos do bebé fofinho desaparecem e agora?... como é que esse conteúdo se reinventa?
Mais interessante ainda, a abordagem dos "mommy blogs" em relação à rentabilização do conteúdo que públicam, com Google AdWords, Display, etc...
De FG a 3 de Março de 2014 às 19:28
Caro Frederico, excelente questão. Experimente espreitar o blogue Cocó na Fralda e veja como a blogger se reinventou. Começou por ser um blogue de fraldas e afinas e hoje em dia conta com 700.000 visitas por mês, tendo já o filho mais velho para lá dos 8 anos.
Quanto ao potencial financeiro de um blogue, o mesmo deve ser encarado perante a realidade que se impõe. Um blogger de sucesso, trabalha muitas horas por dia no seu blogue e tem de ser remunerado por isso. É a lei da vida.
De Rita Santos a 4 de Março de 2014 às 13:27
Boa tarde! Só para dizer que tenho duas filhas e um mummy blog mas sei quase de cor o orçamento geral do estado para 2014.
E leio livros (se quiser até lhe digo o meu blog para ir lá ver o que vou lendo). E não sou uma raridade... conheço muitas mães como eu...

De Joana a 4 de Março de 2014 às 13:52
Ainda bem. Se todas as gajas fossem como eu e espetassem com os dois putos mais cedo na cama para ver o Blue Jasmine estávamos lixados. Filme muito desinteressante by the way.
De Cristina Duarte a 4 de Março de 2014 às 13:58
Boa tarde. Tenho 1 filho que amo de paixão, e tenho um mummy-blog.

Mas também tenho um blog onde falo de livros, tenho uma licenciatura em Comunicação Social e uma pós-graduação na mesma área.
Estou, também, a frequentar uma formação em Marketing.

Até poderia desfiar aqui o meu currículo, mas... olhe, não me apetece.
De RM a 4 de Março de 2014 às 15:51
Meus caros,

Falta aqui um comentário amenizador. Não me parece que seja um texto para ser interpretado literalmente, mas sim com algum humor. A verdade é que eu, não tendo filhos, me deparo muitas vezes com conversas que para mim são aborrecidas pelo simples facto de não terem para mim qualquer relevância. E quando estou à vontade com as minhas amigas que têm filhos, ou que estão grávidas, digo-lhes francamente.." percebo que a tua primeira Ecografia seja um momento especial.. mas não me faças olhar para uma coisa feia (sim porque é feio), durante 5 minutos, sem qualquer tipo de acção!

Em conclusão, na minha opinião este texto não é um ataque aos mummy blogs nem às mães de uma forma geral.. é sim um desabafo de quem não vive essas problemáticas!
De Maria Mendonça a 4 de Março de 2014 às 16:17
Caríssimo Senhor:

Não se trata de um fenómeno recente, mas sim de uma extraordinária característica das mulheres, que tem garantido a perpetuação da raça humana: o INSTINTO MATERNAL.
Ele (o dito "instinto") conduz as mães às situações bizarras que tem verificado: o cuidado com os seus filhos, alimentando-os e trocando-lhes as fraldas; a atenção à sua saúde e bem-estar; a vontade de passar tempo com eles e inteirar-se daquilo que eles mais gostam; o orgulho, por vezes até tonto e exagerado, em relação a tudo o que fazem...
Às vezes é preciso ser-se um bocadinho mais "normal" e "banal", viver-se a vida como ela é, com fraldas, lápis de cera que caem e se espalham pelo chão, e gargalhadas de criança (sim, sim, daquelas que incomodam algumas pessoas nos restaurantes), largar os artifícios "pseudo-intelectuais"; às vezes, precisamos viver a vida sem nos preocuparmos com a sua estética, centrando-nos mais na sua "alma" e menos na "concha"... fortalecer o espírito para a realidade, que vai bem além dos jantares com amigos, onde se fala sobre filmes, concertos ou livros (e que, por sinal, muito me agradam).
Estranho, estranho, neste caso, será a estranheza das pessoas sobre o fenómenos da maternidade.
De V a 4 de Março de 2014 às 22:53
Encher crianças de laçarotes, obrigá-los a sessões fotográficas diárias com fatiotas com golas à camões, fazer publicidade a marcas de roupa de bebés com preços altamente escandalosos, pode definir alguns mommy blogs, mas está longe de definir o instinto maternal.
Digo "alguns" porque há blogs que são muito mais do que mommy blogs.
De Francisco Silva a 4 de Março de 2014 às 20:34
Excessos à parte... o Sr. Alexandre Guerra peca muito quando aborda o Woody. A melhor escolha teria sido Tarkovski. Qual é a mulher/mãe que não gosta de mudar fraldas carregadas de merda enquanto vê - com o olho direito - o sentido espiritual e realista do realizador russo e com o olho esquerdo as histórias delicadas do elefante antropomórfico com problemas existenciais chamado Dumbo...

Fica a dica.

Boa noite

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