Quarta-feira, 9 de Abril de 2014

micro-ensaio pós-moderno sobre a inevitabilidade do destino luso: ou sobre os efeitos da comunicação política propagandística

São os primeiros raios de sol. São os primeiros sinais de recuperação económica. A banca não perdeu tempo e rapidamente avançou com as suas campanhas de produtos de crédito. Ontem foi o dia dos spreads. "Baixaram, Portugueses!". Campanhas em curso. Batalhões de funcionários bancários preparados para receber novos clientes. Aqueles que adiaram decisões durante os ultimos dois anos, começam a olhar para os extractos e a fazer contas. A venda de automóveis também já aumentou. Os bens de consumo inflectiram a curva de vendas e mostram "esclarecidos sinais de recuperação". O Governo avança com uma possível alteração do SMN. Os sindicatos rejubilam, os patrões condescendem. As exportações abrandam, as importações aumentam. A nossa balança comercial começa a ceder. Como há risco de deflação na Europa o BCE injecta confiança e facilita a liquidez, e se não há mal que venha ao mundo lá para o Norte, aqui no Sul isto pode tornar-se um pesadelo. E o isco cumpre o objetivo. E Sócrates volta a ser actual: "a dívida é para ser gerida e não para ser paga". As eleições aproximam-se e a comunicação política assume traços de propaganda. Qual verdade, honestidade ou transparência; o que interessa não é o país, mas o pequeno percentual que embalará o país político por mais dois anos. E nesta espiral de loucura colectiva (à la Gabriel Tarde ou à Lá Gustave Le Bon) a história começa a repetir-se. E o destino luso volta a ser inevitável, e daqui a uns tempos (a menos que haja petróleo no Beato) retomaremos o discurso austero. Como dizia alguém há uns tempos "as elites políticas Portuguesas são pouco recomendáveis", se fossem homem/mulher, definitivamente não as quereria para genro/nora. E a propósito, hoje de manhã na Avenida Álvares Cabral vi dois Maseratti com matrícula deste ano, um Panamera com uma do final do ano passado e uns quantos banais BMW e Mercedes. Assobiai e falai sobre a inclemência do tempo que hoje nos brindou com alguns cúmulo-nimbos, e continuai a dizer aos ventos que "amanhã ele brilhará outra vez e que isso é que interessa."

 

publicado por Antonio Marques Mendes às 12:27
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1 comentário:
De João a 24 de Abril de 2014 às 16:24
Boa observação.
Penso que a única forma de distribuirmos um pouco mais equitativamente as remunerações no mundo seria efetuar uma indexação entre as remunerações dos funcionários x remunerações dos gestores/donos/sócios/CA + Lucros das empresas entre outras que podemos detalhar até à complexidade e justeza que se possa querer...
Não faz muito sentido, ver um patrão andar de Ferrari e por outro lado pagar ordenados minimos aos seus funcionários com a desculpa de sempre.
Será justa esta indexação? Não sei, mas nunca a vi proposta...

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