Sexta-feira, 9 de Maio de 2014

Devaneios sobre o Engajamento

Originalmente publicado na Meios & Publicidade (aqui) e dedicado a todos os que estão a fazer gestão de páginas de Facebook "por fazer"

 

Engajamento, tradução ‘abrasileirada’ de engagement, soa mal, é feio. Também o que os “gestores de comunidades” lhe andam a fazer o é.

 

Engagementé aquela palavra que está em qualquer pitch, por vezes considerado o Santo Graal da gestão das redes sociais: toda a gente quer um elevado engagement rate, toda a gente propõe conteúdo que promova engagement, toda a gente alega que as redes sociais trarão um maior engagement com os actuais e potenciais clientes (e outros stakeholders) da marca /empresa. Em suma, o engagement, a interacção dos/com os seguidores é um dos mais ambicionados objectivos em gestão de redes sociais, com especial destaque para as páginas de Facebook.

 

No entanto, algo de errado se passa… grande parte das empresas estão a tornar um canal de diálogo (o Facebook) num canal unidireccional, de partilha de conteúdo, não aproveitando os benefícios da plataforma enquanto canal de diálogo.Apesar de vermos páginas com bom conteúdo, isto é, com um português cuidado, muita criatividade, boas imagens e até com informações apelativas, a grande maioria das empresas não interage com os seus seguidores. Não há qualquer relação. Qual é o objectivo deste comportamento? Não seria a oportunidade perfeita para começar o tão ambicionado diálogo?

 

Antes de um utilizador interagir com uma qualquer publicação de uma página do Facebook, ele não passa de um seguidor, que pode ou não estar a ver o nosso conteúdo (sabemos que apenas uma pequena percentagem dos nossos seguidores recebem o conteúdo que partilhamos), que pode ou não ter interesse na página, na empresa ou nos seus produtos. Quando alguém interage isso representa já uma manifestação de interesse, no entanto só quando alguém comenta é que temos a hipótese de estabelecer um diálogo! O Facebook não é um canal que facilite essa conversação, assim desperdiçar os momentos em que isso é possível não faz sentido nenhum. Porque razão só os comentários negativos ou questões que os utilizadores colocam merecem resposta? E os restantes? Como se sentirá um utilizador ao ver a sua interacção ignorada?

 

Muitos irão discordar e defender que apenas se deve dar resposta às questões e dúvidas dos seguidores. Discordo. Não significa isto que tenhamos de responder a qualquer intervenção mas que devemos sim procurar criar conversas relevantes, muitas vezes de proximidade. Acredito que é neste ponto que reside a diferenciação e se destaca o bom trabalho de gestão de redes sociais: criar bom conteúdo até pode ser fácil, mas criar relações fortes e significativas é que é o maior desafio.

publicado por Virginia Coutinho às 13:37
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