Segunda-feira, 21 de Abril de 2014

As mamas e as mini saias das cerimónias ligadas ao futebol e afins.

Uma pertinente reflexão de João Tocha, daqui.

 

As mamas e as mini saias das cerimónias ligadas ao futebol e afins.
Quando comecei a acompanhar as andanças do futebol reparei numa prática primária e engraçada. Sempre que havia a apresentação de uma competição, um sorteio ou uma cerimónia transmitida pelas televisões eram colocadas estrategicamente ao lado dos troféus, dos jogadores, dos palcos, dois ou quatro pares de mamas bem apertadas dentro de um vestido curto, onde as pernas e as ancas também sobressaíam. 
Há 10, 9 e 8 anos dei comigo a pensar nas diversas perspectivas e dimensão deste fenómeno promo-comunicacional.
Se o acto de comunicação era abrilhantado pelo Troféu apresentado, pelas estrelas do futebol ou pelos dirigentes que usariam da palavra qual o papel das mamas e das pernas?
Se o objectivo era passar as mensagens dos dirigentes, qual o papel das mamas e das pernas?
Se os patrocinadores queriam ver as suas marcas em evidência, qual o objectivo das mamas e das pernas?
Se o futebol ( e as diversas modalidades) e as suas estrelas influenciam comportamentos e divulgam valores sociais, quais os valores e o papel para a mulher que as marcas querem transmitir?
Sempre que fui escutado fui alterando este comportamento colocando os diversos atributos nos lugares devidos: os argumentos singulares do futebol em evidência, as marcas a valerem por si e as mamas nos lugares adequados (até por respeito a todos os intervenientes e às suas proprietárias).
Ontem, na cerimónia de entrega do Troféu na Luz, lá reparei que elas voltaram à cena. Não sei se as pessoas repararam bem na taça, nos patrocinadores, nas medalhas ou nas mamas comprimidas que as transportavam.
Sei que há práticas que se impuseram ao longo de décadas sem que as pessoas parem para pensar sobre a eficácia e ou os valores do que estão a fazer e a transmitir.
Umas leituras sobre neuropublicidade ou sobre o ruído e sobreposição de mensagens ajudaria os patrocinadores e os decoradores de cerimónias oficiais a perceberem se o que fazem é proveitoso e acrescenta algo.
Por fim, e se as mulheres estão em maioria, então comecem a meter uns gajos também, e descascados.
De qualquer modo pertenço àquela escola que aprecia belas mulheres e homens bem vestidos e onde os atributos da elegância vão sendo descobertos e realçados normalmente e não atirados para a cara das pessoas como peças de carne num talho de segunda categoria. 
A questão que coloco é se as marcas patrocinam aquele tratamento ostensivo e discriminatório da mulher? Se vendem mais produtos assim? Se a marca é mais memorizada? Se os dirigentes e as suas mensagens sobressaem mais no acto? 
A bola tem curvas e argumentos que não precisam de mais condimentos dentro das quatro linhas.

 

foto daqui

publicado por Rodrigo Saraiva às 11:53
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2 comentários:
De António santos a 21 de Abril de 2014 às 13:39
Mamas? Onde?
De http://naobastapensar.wordpress.com/ a 22 de Abril de 2014 às 15:32
A objectificação da mulher é uma prática que parece não cair em desuso. Infelizmente acredito que Vende! Mas é uma forma fácil para atingir um fim. Puxando um bocadinho pelos neurónios acredito que encontraríamos muitas outras maneiras. Estando a mulher em maioria deveríamos ser as primeiras a criticar estas situações, mas muitas vezes o que sucede é a adopção dessa imagem como modelo a seguir (depois de décadas bombardeadas por publicidade que nos indicam que aquilo, sim senhora, é o que deve ser)

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