Sexta-feira, 31 de Julho de 2015

Ai Jesus, que fazer com estes "senhores" do futebol?

Já todos sabemos que o futebol é uma paixão para muitos e que, por vezes, gera atitudes irracionais. Dos chamados "índios, que tanto pode ser o canalisador, o taxista, como o professor ou o juiz, espera-se tudo, mesmo os maiores disparates, quando o que está em causa é o seu clube. Já menos compreensível e muito menos aceitável é quando os "patrões" do futebol, eles próprios, tenham comportamentos lamentáveis, que em nada dignificam os cargos de alta responsabilidade que ocupam à frente dos clubes ou das insituitções que regulam o futebol.

 

Em Portugal, esses "senhores", a quem lhes foi "atribuído" um poder quase absoluto e uma influência perversa na sociedade, na política e nos agentes da comunicação social (uma situação incomparável com o que se passa noutros países) vão ocupando os seus tronos sem que, enquanto lá estiverem sentados, alguém (incluindo autoridades policiais e judiciais) ouse desafiar aquilo que, por vezes, são elementares devaneios comportamentais e, até mesmo, atitudes inadmissíveis num Estado de Direito.

 

Tendo eles próprios a noção de que podem dizer e fazer quase tudo, ainda por cima com o tempo de antena que quiserem (veja-se o abuso do número horas que os três canais informativos estão neste momento a dedicar ao futebol e respectivos programas de debate, já para não falar no caso raro que é Portugal ao ter nas bancas três diários desportivos) e sem que sejam chamados à atenção (por políticos, então, nem pensar), leva a que cometam determinados actos reprováveis perante situações que, supostamente, nao serão do seu agrado. Isto evidencia um espírito pouco tolerante e, sobretudo, ausente de qualquer noção de bom senso e clarividência.

 

Então não é que os responsáveis do Benfica e Sporting se uniram numa frente comum para combater uma ameaça àquilo que devem considerar o bom nome dos seus clubes? E como se não bastasse, a FPF juntou-se a este circo. Imagine-se o que poderia unir estas três entidades numa manifestação tão veemente de protesto? Não, não é a violência no futebol e muito menos o combate ao racismo, nem qualquer causa solidária. É sim, espante-se o leitor, uma promo da RTP para o jogo da Supertaça do próximo dia 9 de Agosto e que vai opor o Benfica e Sporting. A referida promo, que é perfeitamente banal, sem linguagem ofensiva, imagens obscenas ou qualquer mensagem de cariz político-religioso, suscitou queixas daqueles dois clubes e da FPF contra a RTP.

 

PiaR sabe que no próprio Sábado, dia em que a promo foi para o ar, os dois clubes ligaram de imediato para a RTP a "exigir" que a mesma fosse retirada do ar. A própria FPF terá enviado um e-mail para a RTP na mesma linha, esquecendo-se, certamente, de outros tempos em que a censura imperava e estes comportamentos eram aceitáveis. Mas, como se disse, isso eram noutros tempos. A verdade é que a estação pública não gostou daquele pedido, tendo a mesma promo ficado no ar até esta Quarta altura em que entrou uma outra, sendo que o PiaR sabe que estão previstas entrarem mais duas até ao dia do jogo.

 

Dentro da RTP, sobretudo ao nível de quem mais directamente esteve relacionado com esta promo, o PiaR apurou que a atitude do Benfica, Sporting e FPF causou bastante estranheza e foi mesmo alvo de alguma chacota perante o ridículo e a falta de noção democrática dos dirigentes daquelas três entidades. Não deixa de ser irónico que a Federação acuse a RTP de não respeitar os valores do futebol, quando é aquela própria instituição, juntamente com o Benfica e Sporting, que, neste caso, não respeitaram os valores fundamentais da liberdade de expressão num Estado de Direito.

 

 

publicado por Alexandre Guerra às 11:20
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