Quarta-feira, 5 de Março de 2014

A importância da Crimeia na génese do jornalismo de guerra

A famosa e icónica (e também mais polémica) foto de Roger Fenton, no "Vale da Sombra da Morte" (Crimeia), supostamente tirada após um bombardeamento de três horas sobre os aliados

 

A propósito dos acontecimentos dos últimos dias na Ucrânia, o autor destas linhas foi recuperar os apontamentos que tinha dos tempos de universidade sobre a Guerra da Crimeia de 1853-56, até porque estava a preparar um post sobre o tema para outro poleiro. E uma das curiosidades que já estava esquecida era o facto daquele conflito ter sido o primeiro a ter uma cobertura mediática verdadeiramente efectiva e diária, através de artigos e fotografias enviadas pelos "correspondentes de guerra" William Russell (1821-1907) e Roger Fenton (1819-1869). 

 

Na verdade, não se trata de uma curiosidade, mas sim de um elemento muito importante naquilo que viria a ser percepção dos povos em relação à evolução diária dos conflitos. A figura do "correspondente de guerra" veio abrir "janelas" (mais tarde seria em tempo real) para os palcos de conflito, permitindo à opinião pública ficar informada sobre os acontecimentos. 

 

No caso da Guerra da Crimeia de 1853-56, o jornalista William Russel, enviado do The Times, e o fotógrafo Roger Fenton, fizeram história ao relatarem diariamente para todas as nações envolvidas no conflito os acontecimentos na pensínsula da Crimeia. Fenton, que se tornou mundialmente famoso precisamente com a cobertura dessa guerra, fez um trabalho exaustivo e extraordinário na cobertura do conflito.

 

Ao contrário de Russel, Fenton foi enviado para a Crimeia por uma editora de Manchester com o objectivo de documentar o conflito. Vendo aqui uma oportunidade para tranquilizar a opinião pública, o Governo britânico apoiou esta iniciativa,já que se esperava uma abordagem mais artística e, de certa forma, parcial da cobertura. No entanto, como mais tarde se viria a constatar, os ecos da guerra acabaram por ter um efeito negativo no Executivo, levando mesmo à sua queda (provavelmente, não há casos de conflitos pós-modernos que sejam benéficos a médio prazo nas sondagens para os governantes envolvidos).

 

William Russell, correspondente do The Times, fotografado por Roger Fenton

 

Fenton desenvolveu o seu trabalho no terreno com grande sacríficio físico e, apesar de não ter sido um trabalho "imparcial", foi um registo histórico e comunicacional de grande valor. Acabou por ser considerado o primeiro trabalho de fotojornalismo de guerra.

 

Também William Russell, jornalista do The Times, é considerado um dos primeiros "correspondentes de guerra", devido ao trabalho que desenvolveu no conflito da Crimeia. Foram quase dois anos de cobertura no terreno. Uma nota curiosa: terá sido durante o relato ao cerco dos aliados ocidentais a Sebastopol que Russell reproduziu o nome de uma operação militar que viria a tornar-se famosa, "the thin red line".

 

Num artigo de opinião do New York Times, de há três anos, Louis P. Masur director do programa de Estudos Americanos no Trinity College (CT) e autor de “The Civil War: A Concise History”, escrevia que Russell tinha regressado a Inglaterra como um "herói" após o fim da guerra. E acrescentava o seguinte: "His dispatches brought the war home to readers. He wrote with clarity and vitality about the grandeur and the horror of battle."

 

Já mais recentemente, no The Guardian, Roy Greenslade referia-se a Russell como o "pai do jornalismo de guerra" e que, como tal, também experimentou os problemas que os seus seguidores doravante iriam sentir: "Russell's problems as a war reporter in the Crimea prefigured those that all war reporters have since faced - official hostility, questioning of his honesty and accusations of treachery (for sapping morale and revealing information useful to the enemy)." 

 

A coragem e o espírito de sacrifício de Russell e Fenton foram factores determinantes para que o seu trabalho pudesse chegar às várias opiniões públicas dos países aliados envolvidos no conflito e, assim, abrir um novo período no jornalismo e na comunicação em tempo de guerra.

publicado por Alexandre Guerra às 18:07
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Terça-feira, 4 de Março de 2014

A ler

Politico: eis como o jornalismo pode reinventar-se constantemente, seja em que suporte for.

publicado por Pedro Correia às 18:30
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Sábado, 22 de Fevereiro de 2014

Já aí está

Um novo jornal, só na Rede: A Batalha.

publicado por Pedro Correia às 23:44
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Terça-feira, 11 de Fevereiro de 2014

da seriedade nos media

Desde o inicio deste poleiro que um dos temas que temos abordado com especial atenção é o jornalismo. Os desafios com que se depara, as opções que vão sendo tomadas. Elogios às coisas boas que vão sendo feitas e críticas aos erros e maus exemplos. Na verdade fazemo-lo ao jornalismo como a qualquer outra actividade relacionada com as Public Relations.

Hoje abstenho-me de esmiuçar um caso recente, com data de ontem, limitando-me à partilha de um apontamento de um media sobre outro. Um apontamento que deve ser (neste caso) ouvido com atenção. O Fernando Alves, não me canso de dizer, é das melhores vozes (no tom e na forma) que a rádio nacional tem e hoje marca ainda mais pontos na ética.

 

publicado por Rodrigo Saraiva às 17:03
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Na cama com Clooney

 

Por estes dias, uma das maiores ameaças ao jornalismo é a sua aparente rendição total à frivolidade por efeito de contaminação das chamadas "redes sociais". Leio por exemplo que na conferência de imprensa concedida por George Clooney sábado passado, no Festival de Berlim, houve jornalistas credenciados que lhe fizeram perguntas inteligentíssimas como esta: "O que acha da cerveja e das mulheres belgas?"

Nada que deva espantar: já houve quem, munido de cartão de imprensa, se despisse perante o célebre astro de Hollywood. Já houve quem lhe propusesse casamento, quem gemesse de forma bem audível como se estivesse na cama com o actor e quem confessasse ter "sonhos húmidos" ao pensar nele.

Sem cumprir patamares mínimos de exigência e credibilidade, nenhum jornalismo é levado a sério. Passa a ser outra coisa qualquer, muito diferente. Chamam-lhe até infotainment, com esta mania agora tão comum de usar palavras americanas para designar tudo.

Depois admirem-se de que as pessoas fiquem à distância. Pois ainda bem que ficam. É um sinal evidente de bom critério. E de sanidade mental.

publicado por Pedro Correia às 14:38
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Segunda-feira, 10 de Fevereiro de 2014

brand journalism ...

Nos tempos actuais, com o permanente desenvolvimento das plataformas digitais, onde a velocidade da informação é cada vez maior, ou seja, mais curta e onde todos os investimentos são bem ponderados, o jornalismo enfrenta grandes desafios. Mas não é só o jornalismo, nem o mundo dos media, que deve estar atento às novas dinâmicas. Até os que desenvolvem a sua profissão no mundo das PR devem estar bem atentos. Vejam este caso da Chrysler e boas reflexões.

 

publicado por Rodrigo Saraiva às 11:25
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Quarta-feira, 5 de Fevereiro de 2014

Alguém errou... Henrique Monteiro ou Daniel Oliveira. O Expresso que clarifique

Ao ler os textos de opinião de Henrique Monteiro e de Daniel Oliveira, hoje, no Expresso on line, a propósito da polémica dos “Miró”, este autor ficou confuso perante o que aqueles dois cronistas escreveram. Ora, Monteiro, que ao que parece se tornou um “expert” em arte nas horas vagas, refere o seguinte: “Não creio que 85 Mirós gerem, a médio prazo (10 ou 20 anos) os 36 milhões de euros que são a sua base de licitação.”

 

Já Oliveira, sendo mais modesto nos seus conhecimentos artísticos, uma vez que recorre a quem “percebe da poda”, escreve que o “galerista Cabral Nunes, director da Casa da Liberdade - Mário Cesariny, considera que, em três ou quatro anos, a colecção gerará mais retorno do que esta venda, no que parece ser acompanhado por quase todos os especialistas”.

 

Perante isto, qual a informação que o leitor deve dar como válida? Aquela que é veiculada pelo "expert" Henrique Monteiro ou aquela que é sublinhada pelo eterno contestatário Daniel Oliveira?

 

Esta é uma daquelas situações em que os editores das secções de opinião dos jornais deveriam ter algum cuidado na gestão da publicação dos textos, porque sendo certo que estes não têm que seguir os critérios de uma notícia, é também razoável que deve haver a preocupação de não se publicar no mesmo jornal informação contraditória ou completamente díspar. Ainda para mais, quando os dois textos estão um a seguir ao outro.

 

Numa situação destas, e no superior interesse dos leitores, convinha que o Expresso viesse clarificar qual dos dois tem razão. Se é que algum deles tem.

 

publicado por Alexandre Guerra às 12:52
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Terça-feira, 4 de Fevereiro de 2014

do golf(e) ao Deco

As gaffes nos media, a trocarem imagens ou erros nos oráculos e rodapés são sempre motivo de gargalhada, mas também de preocupação. Depois do caso "iva do golfe" agora é A Bola TV a confundir o Deco com a DECO.

imagem daqui

publicado por Rodrigo Saraiva às 17:35
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Quarta-feira, 22 de Janeiro de 2014

O novo site do European Journalism Centre

O European Journalism Centre (EJC) lançou esta Terça-feira o seu novo webiste.

publicado por Alexandre Guerra às 17:57
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Quarta-feira, 8 de Janeiro de 2014

editorial e comercial ... all together now ...

Diz esta notícia (link para assinantes) que a Time Inc. anunciou que «vai deixar para trás a tradicional separação entre a a redacção e o departamento comercial, unindo os dois departamentos no sentido de tentar captar mais receitas publicitárias.».

Agora é que vão ser elas. Está dado o primeiro passo formal. 

Já existiam meios tradicionais em que é visível que o responsável editorial tem olho e noção comercial. E atrevo-me a dizer que são aqueles media que vão melhor sobrevivendo e ultrapassando as crises. Sim, no plural, porque há uma crise dos media para além da crise económica.

O melhor é ler tudo na entrevista original de Joseph A. Ripp ao The New York Tymes.

 

publicado por Rodrigo Saraiva às 11:35
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Domingo, 1 de Dezembro de 2013

Critérios editoriais incompreensíveis

O jornal Público há muito que deixou de ser uma referência no jornalismo português. Não há outra forma de o dizer. Na opinião deste poleiro, isso não se deve tanto às restrições financeiras que o sector da imprensa tradicional atravessa, mas antes à linha editorial que aquele diário tem seguido nos últimos anos. 

 

Uma linha editorial que reflecte as limitações jornalísticas da sua directora. Na verdade, o PiaR nunca percebeu por que razão Belmiro (ou qualquer outro Azevedo) terá escolhido Bárbara Reis para assumir a direcção daquele diário. Na altura, em Agosto de 2009, este autor escrevia neste blogue o seguinte: "Não obstante as eventuais qualidades profissionais de Bárbara Reis ou de Miguel Gaspar, estes dificilmente serão os nomes que o Público precisa para se tornar novamente um jornal de qualidade e de referência como em tempos foi."

 

Não só esta afirmação veio revelar-se certeira (e não era difícil acertar), como Bárbara Reis nem sequer conseguiu "arrumar" a casa como devia ter feito, deixando, por um lado, sair bons jornalistas ao mesmo tempo que foi convivendo com "grandes repórteres" que nunca saem em reportagem e "vedetas" completamente desactualizadas.

 

Além disso, Bárbara Reis tem manifestado um profundo desrespeito por regras básicas do jornalismo, tratando, por vezes, de uma forma menor temáticas absolutamente incontornáveis, em prol de temas que vão de encontro à vontade de uma corrente arrogante e elitista que ainda se faz sentir nos corredores do Público. Talvez nos tempos áureos do Vicente Jorge Silva se compreendesse essa tal arrogância, onde tudo era "à grande" e, de facto, o Público era composto por uma redacção de luxo (e também de vícios que vieram a ser fatais para o jornal). 

 

A primeira página do Público deste Domingo é mais um exemplo dessa deriva e irresponsabilidade editorial. Na Sexta (soube-se ontem), morreram, pelo menos, seis portugueses num acidente aéreo na Namíbia. Uma notícia destas teria grande destaque em qualquer primeira página de qualquer jornal do mundo se envolvesse cidadãos seus (como aliás o fizeram o Jornal de Notícias, o Diário de Notícias e o Correio da Manhã), mas o que faz o Público? Remete a notícia para uma pequena "chamada", enquanto o grande destaque vai para uma foto com Pedro Burmester e para mais uma história sobre a "crise". 

 

 

Quem tiver visto esta primeira página nas bancas este Domingo nem se terá apercebido que na Sexta (soube-se ontem) morreram seis portugueses num acidente aéreo.

 

publicado por Alexandre Guerra às 14:32
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Sábado, 30 de Novembro de 2013

Quando um jornalista não sabe googlar...

Pode ter sido um má execução gráfica (pois custa a acredita que um jornalista não saiba onde fica Maputo), mas que é lamentável lá isso é...

(Imagem partilhada por Pedro Aniceto)

 

publicado por Virginia Coutinho às 20:06
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Segunda-feira, 2 de Setembro de 2013

Jornalismo de investigação

Os centros de reeducação, em vigor entre 1974 e 1980, em Moçambique, são um tema tabu e poucos se atrevem a falar (ou escrever) sobre isso.

 

Glória Sousa, jornalista da Deutsche Welle (e minha estimada amiga), pegou na mochila e foi para Moçambique explorar o tema e obter informações na primeira pessoa. Por ter adorado o resultado final deste trabalho de investigação, e por achar que é um facto histórico de interesse para os portugueses, partilho o artigo (aqui).

publicado por Virginia Coutinho às 22:14
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Quarta-feira, 21 de Agosto de 2013

TIME, nos EUA e no Mundo

Não deixam de ser, no mínimo, interessantes os (diferentes) critérios editoriais da TIME nos Estados Unidos da América e no restante mundo...

 

Podem encontrar várias comparações e reflexões aqui.

publicado por Virginia Coutinho às 10:11
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Domingo, 18 de Agosto de 2013

Só lhe ficou bem

Ainda ontem a Virgínia lhe fez um reparo pertinente, juntamente com outras pessoas que se fizeram ouvir este fim-de-semana por causa da forma desastrosa como foi conduzida a entrevista a Lorenzo Carvalho. Sensível às vozes discordantes, Judite de Sousa, num gesto raro no jornalismo português, assumiu em directo, no espaço de comentário de Marcelo Rebelo de Sousa, o momento infeliz que protagonizou no Jornal das 8 da passada Sexta-feira.

 

Teve ainda a humildade de ouvir o "sermão" do professor Marcelo e de assumir que foi uma "sexta-feira" negra na sua carreira de jornalista. Uma atitude redentora que só lhe ficou bem.

 

publicado por Alexandre Guerra às 20:59
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Quinta-feira, 25 de Julho de 2013

Lamentáveis critérios editoriais

Ontem, às 21h34, a Cristina Esteves na RTP Informação estava há pelo menos 20 minutos no ar a comunicar todo o tipo de informação disponível sobre o descarrilamento do comboio de alta velocidade perto de Santiago de Compostela. Ao mesmo tempo que ia avançando com algumas informações, a RTP I ia passando imagens e conseguiu, inclusive, falar com um jornalista da Rádio Galiza.

Perante aquilo que já era uma tragédia (naquela altura falava-se entre a 15 a 20 mortos) bem próxima do Norte de Portugal, e até com probabilidades de ter portugueses envolvidos (felizmente este cenário não se veio a confirmar até ao momento), a TVI 24 e a SIC N mantinham, incompreensivelmente, a normalidade das suas emissões. Estas televisões, que se auto-intitulam como canais noticiosos, limitavam-se a passar em rodapé a notícia de “última hora”.

Na SIC N lá estava o cinzentão e cansativo Mário Crespo com um debate que não interessava a ninguém, entre Carlos Zorrinho e José Luír Arnaut. Na TVI 24, a nervosa Constança Cunha e Sá repetia a lenga lenga do costume.

Na RTP I, a Cristina Esteves, uma das melhores profissionais actualmente do ramo, estava a fazer aquilo que se deve fazer num canal noticioso digno desse nome perante uma tragédia desta dimensão. E note-se, àquela hora já eram visíveis os contornos da tragédia, que iam para além de um simples descarrilamento com alguns feridos.

Mas, o mau jornalismo não fica por aqui. E basta olhar hoje para as primeiras páginas dos jornais portugueses. Apenas o DN dá um destaque digno à tragédia, colocando uma grande fotografia na primeira página, falando em “mais de 45 mortos”.

O JN e o CM fizeram menção ao assunto na primeira página, mas de uma forma inaceitável em termos editoriais.

O JN (supostamente um diário do Norte) limita-se a remeter para o canto superior direito o assunto (com uma foto é certo), apesar de já admitir que a tragédia “mata pelo menos 56 pessoas”.

Ora, a pergunta que o PiaR faz é a seguinte: uma tragédia desta dimensão, quase às portas de Portugal numa região intrinsecamente ligada ao Norte do País, sempre com a presença de muitos portugueses, não mereceria o destaque principal do JN? Ou seja, não deveria o JN ter dado outra dignidade ao tema? O PiaR tem a certeza que sim, mas enfim, são os pobres critérios editorias que a imprensa portuguesa tem.

Já a opção do CM consegue ser ainda mais vergonhosa ao colocar uma “mini” referência na primeira página, embora no interior do jornal se informe que “dezenas morrem junto a Santiago”.

Quanto ao Público, enfim, os “pelo menos 37 mortos” que informam na última página não merecem "chamada de primeira". Certamente que os assuntos que vêm hoje na primeira página daquele jornal são mais relevantes e mais chamativos para o leitor, terá pensado o editor de fecho. Que incompetência.

Também o i repetiu o erro do Público, colocando o assunto na última página, mas não lhe atribuindo importância para fazer uma chamada para a “primeira”.

Com critérios editoriais destes e ainda todos se perguntam por que é que o jornalismo português está como está?

 

A excepção à decadência editorial


Incompreensível para um jornal que se diz do "Norte"



Quase que é preciso uma lupa para ver a "chamada"


Todos estes temas devem ser mais importantes que a tragédia aqui ao lado, deve ter pensado o editor de fecho do Público.


Já minizavam estragos se tivessem substituído uma "chamada", aqui destas de baixo, pela tragédia galega. Não custava nada.

publicado por Alexandre Guerra às 12:51
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Sui generis

Mais uma capa fantástica...

 

 

 

Partilhado por Pedro Miguel Capucho.

publicado por Virginia Coutinho às 12:37
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Quarta-feira, 17 de Julho de 2013

O buraco da Ministra

"Ministra foi mostrar o buraco" é o título (de péssimo gosto) da notícia que se destaca na capa do JN. Concordo com o Miguel Carvalho, autor de "a devida comédia" quando afirma que talvez aspirem ser "uma fiel alternativa ao Correio da Manhã ".

 

publicado por Virginia Coutinho às 10:21
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Sexta-feira, 5 de Julho de 2013

E onde fica a credibilidade do jornalismo?

Sol, 5 de Julho de 2013


Económico, 5 de Julho de 2013

publicado por Alexandre Guerra às 13:32
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Terça-feira, 18 de Junho de 2013

"Profissão, repórter." Será mesmo?

Público, 18 de Junho de 2013


Com uma ou outra excepção – mas de gente que já nem sequer exerce a profissão de jornalismo –, em Portugal não existem repórteres de conflito ou de guerra. Daqueles com tarimba e espírito de aventura, que inspiram e que devolvem toda a dignidade e nobreza ao jornalismo, e não daqueles “queixinhas” e que estão sempre a centrar a “história” em si. Daqueles que, humildemente, servem a sua profissão como uma missão e não apenas como um lugar assalariado, alimentando vaidades, egos e interesses corporativos.

 

É preciso notar que não há jornalismo de excelência sem reportagem e não há reportagem sem repórteres. E se os princípios gerais orientadores de um qualquer repórter podem ser considerados comuns, já as características necessárias para um jornalista fazer da cobertura de cenários de conflito e de guerra a sua vida são ímpares. Aliás, basta ver o espírito e a vida de sacrifício de algumas das maiores referências mundiais neste tipo de jornalismo. Este poleiro dá apenas o exemplo do luso-sul africano, João Silva, sobre quem já escreveu algumas vezes.  

 

Este autor nunca mais esquece o patético episódio do Iraque, há uns anos, onde uma “excursão” de jornalistas nacionais sem qualquer vocação e preparação para aquele tipo de cenário acabou por acabar com um tiro no rabo dessa grande “repórter” de guerra chamada Maria João Ruela. E a partir daí, essa foi a história jornalística do Iraque que os portugueses passaram a conhecer. Aliás, Ruela passou de imediato à condição de estrela. Mas enfim… adiante.

 

O exemplo de João Silva e de outros repórteres daquele calibre devia envergonhar alguns jornalistas “vedeta” que por aqui andam nas redacções deste burgo, pavoneando-se com um “estatuto” intocável, que rapidamente é desconstruído quando confrontado com a realidade dura do terreno. Aqui, quando as coisas “aquecem” um pouco mais, esses “grandes repórteres” transforma-se em autênticos “meninos”.

 

O sacrifício e a coragem ficam no quarto de hotel e a missão jornalística é rapidamente esquecida, para dar lugar a um jornalismo de curiosidades e banalidades, com muita exposição do próprio jornalista, onde em muitos casos ele próprio se torna o centro da história.

 

Paulo Moura, esse “grande repórter” do Público (que noutros tempos já assinou alguns trabalhos de grande qualidade), espelha hoje em dia essa tendência. A sua patética crónica “Profissão, repórter”, assinada esta Terça-feira, é o corolário de um caminho que aquele jornalista tem vindo a percorrer e que só podia acabar em desastres como estes: “Nas imagens pode ver-se como lutei destemidamente contra as forças da repressão (exactamente como fazem os cidadãos turcos quando são apanhados assim nas malhas da autoridade).” Como se não bastasse, conclui: “Em jeito de conclusão, direi que estes polícias tiveram muita sorte. Se eu não estivesse um pouco atordoado pelo gás, tê-los-ia corrido todos à chapada.”  

 

O autor deste poleiro nem sequer discute o número de regras jornalísticas que aqui foram violadas, mas é confrangedor ver a criancice em que Paulo Moura caiu.

 

E isso leva a outra questão que o autor deste poleiro tem discutido com alguns jornalistas: Por que razão é que são sempre os mesmos jornalistas a serem destacados para estes serviços? Mesmo quando o seu trabalho há muito se tornou um mar de banalidades.

 

Voltando àquela crónica, é lamentável que se pretenda passar para o leitor uma janela da realidade que não corresponde à verdadeira natureza dos acontecimentos. Porque, o que aquilo que o jornalista oferece é um relato da “sua” realidade. E essa nunca será a realidade do terreno.  

 

É preciso notar a forma estridente como se descreve o que se passa em Istambul, efectivamente uma “brincadeira de crianças”, quando comparado com outros cenários bem mais “quentes”. Aliás, esta mania de hiperbolizar alguns acontecimentos em palcos mais agressivos é outro dos vícios que se tem verificado em reportagens dos meios de comunicação social nacionais.

 

Este poleiro recorda acontecimentos recentes, de manifestações em Lisboa, em que os relatos dos “repórteres” no local eram no mínimo ridículos e desproporcionados, tendo em conta ao que se passava efectivamente no terreno.

 

Paulo Moura assume em título a profissão de “repórter”. Mas, será mesmo? Porque ser repórter é precisamente o contrário daquilo que o próprio descreve na sua crónica… Ser um verdadeiro repórter implica sacrifício e dedicação. Poderá implicar, literalmente, apanhar nas “trombas”, ser roubado ou humilhado… Mas no final, “o” repórter, sem “queixinhas” e “lamentos”, levanta-se e reage para contar a história que interessa. E essa história nunca envolve o jornalista.

 

Declaração de interesses: Este autor, enquanto foi jornalista, experimentou, por sua conta e risco, a vivência em cenário de conflito, nomeadamente por duas vezes no Médio Oriente, em 2001 e 2002, em plena intifada de Al Aqsa, nuns dos piores momentos do conflito israelo-palestiniano. Da primeira vez, chegou a estar dois meses a viver em Bir Zeit, na Cisjordânia e não em qualquer hotel em Jerusalém ou Telavive. Da segunda, foram apenas alguns dias, regressou à Faixa de Gaza e furou um bloqueio a Ramallah, durante o bombardeamento à Mukata de Yasser Arafat. Apontamentos noticiosos foram muitos e escritos. Quanto a histórias pessoais, foram algumas, é certo, mas essas ficaram para contar aos amigos.

publicado por Alexandre Guerra às 17:07
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