Sexta-feira, 17 de Julho de 2009

Word of Mouth "especial aniversário" - Paulo Pinto Mascarenhas

 

 

As eternas gordas

 

por: Paulo Pinto Mascarenhas

 

 

Convidado pelo Rodrigo Saraiva na semana em que o PiaR completa o primeiro ano, agradeço a honra, dou os parabéns e cumpro a missão:

 

 

O meu avô seria hoje um potencial cliente da internet. A começar pelos blogues e o Twitter. Como o meu avô costumava dizer, “eu praticamente só consigo ler as gordas da imprensa”. Talvez tenha que explicar aos mais novos que me lêem e não conhecem este calão dos jornais: as tais “gordas” era como se chamava no século passado aos títulos das notícias. Foi com o meu avô e o meu pai que me tornei viciado em jornais, ainda só sonhando nessa altura que seria mais tarde profissional da comunicação social.

 

As “gordas” são um espécie de pré-história das notícias que se consomem na internet. Foram a antecâmara de meios como o Facebook e o Twitter, onde se dá o máximo de informação no mínimo de palavras. Se já no tempo do meu avô se tinha pouca paciência ou tempo para ler “lençóis” e se viam rapidamente as “gordas” – e para quem não vive no meu mundo, os “lençóis” são o que nós, jornalistas, chamamos aos textos muito longos, que servem, na pior das hipóteses, para “encher chouriços” – o que se dirá nos dias que correm?

 

O tempo vale cada vez mais dinheiro e os jornais só podem sobreviver em papel se integrarem uma marca de informação que vá muito para além deles, mas que os inclua e promova em rede. Na informação como na comunicação, é preciso saber agregar e antecipar, responder no minuto, 24 horas por dia.

 

Numa sociedade em que comunicar é poder e muitas vezes o título é tudo, aposto na utilidade da síntese. O homem de poucas palavras , aquele que é capaz de dizer muito em pouco espaço, transmitir a mensagem e atingir o objectivo em apenas 140 caracteres do Twitter, devia valer já hoje o seu peso em ouro. Vai valer seguramente num futuro próximo.

Não acredito, como parece acreditar o presidente brasileiro Lula da Silva, que a internet acabe com o poder da informação tradicional. Os frequentadores da internet vão precisar sempre de uma informação qualificada e certificada. Credível. E essa irá continuar a ser produzida por profissionais. Na informação e na comunicação.
 

publicado por Rodrigo Saraiva às 11:20
link do post | comentar | favorito

autores

Contacto

piar@sapo.pt

tags

todas as tags

links

twitter wall @blog_PiaR

arquivos

pesquisar

subscrever feeds

Visitas ao poleiro