Ao ler-se um artigo publicado ontem no Diário de Notícias, assinado pela correspondente em Bruxelas, sobre o primeiro mandato do presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, constata-se que o seu principal problema terá sido o da "comunicação". Pelo menos esta foi a opinião manifestada pelo experiente eurodeputado Carlos Coelho, ao referir que aquela foi a maior falha da Comissão Barroso.
À primeira vista tal consideração poderia parecer um paradoxo, ou não fosse Barroso um dos comissários mais competentes no que diz respeito à arte de comunicar para os meios em diversas línguas e num tom descontraído, mas seguro. Aliás, tal virtude foi de imediato reconhecida pelos funcionários da Comissão.
Por várias vezes, ao autor destas linhas, funcionários intermédios da Comissão e das respectivas Direcções-gerais elogiaram a destreza linguística e a capacidade de comunicação de Durão Barroso.
Efectivamente, ao longo destes últimos anos, as "skills" comunicacionais de Barroso foram fazendo as delícias das centenas de jornalistas que regularmente acompanham as conferências diárias do meio dia no Berlaymont.
Perante isto, não se compreende a constatação de Carlos Coelho... A não ser que se complete um pouco mais aquilo que o eurodeputado afirmou quando se referiu à maior falha da Comissão Barroso como sendo a "comunicação", devendo ter acrescentado a palavra "interna".
Na verdade, foi a ausência de comunicação interna, sobretudo nos primeiros tempos de mandato, o maior problema de Barroso. Aliás, bastante notado no seio do seu próprio colégio de comissários, tendo igualmente o autor destas linhas ouvido críticas em Bruxelas a propósito do distanciamento de Barroso em relação à sua equipa e à falta de diálogo.
Apesar de tudo, Barroso foi corrigindo essa situação, tendo actualmente um relacionamento mais estreito com os seus comissários, acabando por revelar-se uma equipa bastante coesa.
Seja como for, esta "falha" identificada no primeiro mandato da Comissão Barroso é reveladora de que a comunicação interna pode ser tão importante como a comunicação externa.
Ora, esta é uma problemática que rapidamente pode ser transposta para a realidade de muitas empresas ou até mesmo agências de comunicação nacionais, muitas das vezes exímias a comunicar para fora, mas um autêntico desastre na dinâmica interna.
E se, por ventura, gestores, empresários ou profissionais da comunicação considerarem que esta é uma situação tolerável ou remediável, desenganem-se! Basta para isso ver o exemplo de Durão Barroso, que foi obrigado a melhorar o seu desempenho interno no seio da Comissão.
Caso contrário corria o risco de vir a terminar o seu mandato com uma equipa totalmente desmembrada e com uma imagem de líder fraco (como aconteceu com o seu antecessor Romano Prodi), não merecedor sequer de ser considerado para a recondução do cargo.
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