Quarta-feira, 6 de Maio de 2009

Debate promovido pela GCI revela os temas fracturantes da comunicação

O Grupo GCI iniciou esta Quarta-feira as comemorações do seu 15º Aniversário, sob o tema “15 Anos: Rewind and Forward”, com o primeiro de quatro debates previstos para este mês e Junho, com o objectivo de analisarem e debaterem a comunicação em todas as suas vertentes. Este encontro, a que se deu o nome de “A Era da Comunicação” , serviu para percorrer os últimos 15 anos da comunicação em Portugal e para antecipar tendências e modelos para a próxima década e meia.

 

Na mesa de oradores no Café Concerto do São Jorge estiveram Edson Athayde (publicitário), Pedro Bidarra (vice-presidente BBDO), Pedro Casquinha (Chief Marketing Officer ANF), Rita Torres Baptista (Directora de Marketing de Comunicação BES), e Kika Samblás (Managing Director Grupo de Consultores).

 

Entre os presentes, Pedro Bidarra foi talvez o mais crítico e polémico nas suas intervenções, referindo que os meios ignoram a fragmentação da comunicação em Portugal. Para o vice-presidente da BBDO é incompreensível que os anunciantes continuem a canalizar os seus investimentos para os três canais generalistas, ignorando por completo a nova realidade dos públicos e dos meios por cabo. Ou seja, os anunciantes estão a tomar decisões com base em dados errados.

 

Não é de estranhar, por isso, as duras críticas que Pedro Bidarra fez à Marketest, por considerar que os seu estudos são “mal feitos”.Também Pedro Casquinha considerou que os modelos de segmentação existentes estão desajustados.

 

Embora partilhando algumas destas ideias, Rita Torres Baptista foi mais comedida na sua análise, admitindo haver alguns desajustamentos na medição de audiências. Mas, rejeitou por completo que os anunciantes estejam apenas focados nos três canais generalistas: “As agências de meios com quem o BES trabalha têm em conta todo o cenário audiovisual.”

 

Ainda quanto ao problema da fragmentação, na óptica dos meios, Rita Torres Baptista sublinhou que, por exemplo, o fenómeno do YouTube não veio substituir a televisão ou o jornal. “Todos os meios devem trabalhar em orquestra.”

 

Meios esses que na perspectiva de Edson Athayde servem sobretudo de suporte a uma “boa história”. No fundo, quando se fala de comunicação é disso que se trata: como contar uma boa história. Athayde diz que uma boa história pode começar e terminar onde se bem entender, no entanto, os formatos têm que estar integrados.

 

A história da Susan Boyle é uma das mais bem inventadas do ano, considera Athayde. Perante a boa história de Boyle, provocaram-se reacções e a partir daí propagou-se a mesma pelos vários meios, como o YouTube.

 

Mas, alerta para a tentação das marcas e das instituições usarem indevidamente as ferramentas da comunicação para inventarem o que supostamente são boas histórias. “O público está cada vez mais atento à desatenção", avisa Athayde.

 

A isto junta-se um outro problema suscitado por Pedro Casquinha: "Falta de paciência por parte das pessoas para descodificar mensagens muito complexas." Também nesta lógica, Kika Samblás refere que o consumidor exige cada vez mais responsabilidade por parte das marcas, ao mesmo tempo que pretende participar de uma forma mais envolvente com as mesmas.

 

E porque este debate era também sobre o futuro, Kika Samblás refere que em 2024 as marcas já não vão "mandar" nos consumidores, apenas vão poder influenciar os seus comportamentos. Kika Samblás disse ainda que dentro de 15 anos não vão haver agências, vão haver "criadores de ideias".

 

publicado por Alexandre Guerra às 21:51
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