Quarta-feira, 18 de Fevereiro de 2009

Quando um vice-Presidente faz lobby sobre o Presidente

Cheney (esq.) e Bush (dir.) Stephen Crowley/NYT

 

O lobby, por norma, refere-se a uma actividade exercida por grupos de interesse de índole variado sobre centros de decisão quase sempre depositados no poder político. Perante este quadro, o lobby pressupõe uma relação de sentido único, na qual o destinatário deverá ser o legislador, que poderá assumir a figura de deputado, congressista, ministro, Presidente, entre outros.

 

Washington apresenta-se como o bastião do lobby, encontrando apenas algumas semelhanças em Bruxelas. 

 

Porém, se o lobby tal como é descrito não causará estranheza, pelo menos para o autor destas linhas, já é menos comum quando são os próprios "legisladores" a exercerem aquela actividade sobre os seus pares. 

 

De acordo com notícias recentes que vieram a público, o ex-Presidente dos Estados unidos, Dick Cheney, terá passado os últimos dias de Executivo a realizar uma campanha agressiva de lobby junto do seu então líder, George W. Bush, para obter um perdão presidencial para Lewis Libby Jr.

 

Lewis Libby Jr., antigo chefe de gabiente de Cheney, foi condenado em Março de 2007 por crimes de perjúrio e obstrução à justiça no âmbito do escândalo Valerie Plame, ex-agente da CIA. 

 

A condenação surgiu na sequência das acusações que recaíram sobre a Casa Branca de que teria divulgado a alguns jornalistas a identidade de Valerie Plame, como forma de vingança contra o seu marido, Joseph Wilson, depois deste, na qualidade de enviado diplomático ao Níger, ter afirmado em artigo de opinião no New York Times, em Julho de 2003, que não existia urânio enriquecido naquele país. Ao contrário do que Washington e Londres argumentavam para sustentar a sua "guerra ao terrorismo".

 

Apesar de todas as suspeições, mais ninguém da administração de Bush foi condenado, tendo Libby Jr. sido o único a ser responsabilizado judicialmente.

 

Cheney, que viu na atitude de Libby um acto de lealdade para com o Presidente, passou os últimos dias da administração Bush a tentar obter um perdão, através de uma campanha de lobby bem mais activa e personalizada do que aquilo que se pensava.

  

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publicado por Alexandre Guerra às 15:14
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