Quinta-feira, 25 de Julho de 2013

Lamentáveis critérios editoriais

Ontem, às 21h34, a Cristina Esteves na RTP Informação estava há pelo menos 20 minutos no ar a comunicar todo o tipo de informação disponível sobre o descarrilamento do comboio de alta velocidade perto de Santiago de Compostela. Ao mesmo tempo que ia avançando com algumas informações, a RTP I ia passando imagens e conseguiu, inclusive, falar com um jornalista da Rádio Galiza.

Perante aquilo que já era uma tragédia (naquela altura falava-se entre a 15 a 20 mortos) bem próxima do Norte de Portugal, e até com probabilidades de ter portugueses envolvidos (felizmente este cenário não se veio a confirmar até ao momento), a TVI 24 e a SIC N mantinham, incompreensivelmente, a normalidade das suas emissões. Estas televisões, que se auto-intitulam como canais noticiosos, limitavam-se a passar em rodapé a notícia de “última hora”.

Na SIC N lá estava o cinzentão e cansativo Mário Crespo com um debate que não interessava a ninguém, entre Carlos Zorrinho e José Luír Arnaut. Na TVI 24, a nervosa Constança Cunha e Sá repetia a lenga lenga do costume.

Na RTP I, a Cristina Esteves, uma das melhores profissionais actualmente do ramo, estava a fazer aquilo que se deve fazer num canal noticioso digno desse nome perante uma tragédia desta dimensão. E note-se, àquela hora já eram visíveis os contornos da tragédia, que iam para além de um simples descarrilamento com alguns feridos.

Mas, o mau jornalismo não fica por aqui. E basta olhar hoje para as primeiras páginas dos jornais portugueses. Apenas o DN dá um destaque digno à tragédia, colocando uma grande fotografia na primeira página, falando em “mais de 45 mortos”.

O JN e o CM fizeram menção ao assunto na primeira página, mas de uma forma inaceitável em termos editoriais.

O JN (supostamente um diário do Norte) limita-se a remeter para o canto superior direito o assunto (com uma foto é certo), apesar de já admitir que a tragédia “mata pelo menos 56 pessoas”.

Ora, a pergunta que o PiaR faz é a seguinte: uma tragédia desta dimensão, quase às portas de Portugal numa região intrinsecamente ligada ao Norte do País, sempre com a presença de muitos portugueses, não mereceria o destaque principal do JN? Ou seja, não deveria o JN ter dado outra dignidade ao tema? O PiaR tem a certeza que sim, mas enfim, são os pobres critérios editorias que a imprensa portuguesa tem.

Já a opção do CM consegue ser ainda mais vergonhosa ao colocar uma “mini” referência na primeira página, embora no interior do jornal se informe que “dezenas morrem junto a Santiago”.

Quanto ao Público, enfim, os “pelo menos 37 mortos” que informam na última página não merecem "chamada de primeira". Certamente que os assuntos que vêm hoje na primeira página daquele jornal são mais relevantes e mais chamativos para o leitor, terá pensado o editor de fecho. Que incompetência.

Também o i repetiu o erro do Público, colocando o assunto na última página, mas não lhe atribuindo importância para fazer uma chamada para a “primeira”.

Com critérios editoriais destes e ainda todos se perguntam por que é que o jornalismo português está como está?

 

A excepção à decadência editorial


Incompreensível para um jornal que se diz do "Norte"



Quase que é preciso uma lupa para ver a "chamada"


Todos estes temas devem ser mais importantes que a tragédia aqui ao lado, deve ter pensado o editor de fecho do Público.


Já minizavam estragos se tivessem substituído uma "chamada", aqui destas de baixo, pela tragédia galega. Não custava nada.

publicado por Alexandre Guerra às 12:51
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1 comentário:
De Anónimo a 29 de Julho de 2013 às 11:05
Isto é um escândalo: http://miniurl.com/4Y6q

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