Terça-feira, 30 de Outubro de 2012

"We interrupt our program..."

 

A 30 de Outubro de 1938, em vésperas de Halloween, foi para o ar o mais famoso programa de rádio de sempre, protagonizado por Orson Welles, que reproduziu a célebre obra “A Guerra dos Mundos” (1898), de H.G Wells, simulando uma invasão de extraterrestres em Nova Jersey, com falsos boletins noticiosos em que as pessoas iam relatando os extraordinários acontecimentos que estavam a acontecer em solo americano.

 

Este drama radiofónico de uma hora fez parte de uma série de programas chamada The Mercury Theatre on the Air, criada por Orson Wells e emitida semanalmente de Nova Iorque pela CBS, na qual eram apresentadas obras clássicas da literatura.

 

O programa de “A Guerra dos Mundos” ficou para a história não tanto pelo seu conteúdo, mas pelas reacções que provocou aos seus ouvintes, já que muitos acreditaram tratar-se de acontecimentos verídicos.

 

Uma das razões que ajudou a alimentar a histeria e o pânico de algumas pessoas foi não se terem apercebido que o programa era uma ficção. Isto deve-se em parte ao facto de muitos ouvintes terem começado a ouvir o programa já ele decorria, não apanhando deste modo o aviso do início em que deixa expresso que o que iriam ouvir era ficcional.

 

Sabe-se que houve algumas pessoas, sobretudo na costa Leste e no Canadá, que terão entrado em pânico, no entanto, talvez sejam demasiado exagerados alguns relatos que o tempo ajudou a transformar em mito.

 

 

Seja como for, no dia seguinte, o próprio New York Times fez manchete e o assunto foi tema noticioso durante algum tempo, tendo chegado ao Congresso e motivado um debate na sociedade sobre as fronteiras da liberdade de entertenimento na rádio.

 

Um dos pormenores deliciosos desta história, e que já deixava antever a genialidade de Orson Welles, tem a ver com o modo de como conseguiu potenciar os picos de audiência a seu favor.

 

Numa altura em que a rádio vivia momentos dourados, Welles sabia que na mesma altura em que a série The Mercury Theatre on The Air ia para o ar, os primeiros quinze minutos tinham a concorrência feroz de um programa cómico da NBC, então líder de audiências.

 

Mas Orson Welles sabia também que os ouvintes deste último programa, por norma, mudavam de estação a partir do minuto 15, quando o apresentador era substituído por um cantor. E é neste preciso momento que Welles faz coincidir no seu drama um dos boletins noticiosos a descrever os marcianos a sair das naves.

 

Segundo os dados que o PiaR encontrou estima-se que naquela noite entre um a dois milhões de ouvintes terão feito "zapping" entre a NBC e a CBS.

 

Ora, no momento em que os ouvintes da NBC passam para a CBS são confrontados com "notícias" e "relatos" em tom dramático, sem que haja qualquer aviso de que o que está a passar é uma encenação. Aliás, esses avisos só surgiram no início e já mais para o final do programa. 

 

Após uma introdução de Orson Welles, citando a obra de H. G. Wells, o enredo radiofónico começa propriamente dito ao minuto 3'35 quando foi proferida uma frase que ficaria para a história da comunicação: “We interrupt our program...” A partir daí foi dar largas à imaginação.

publicado por Alexandre Guerra às 20:30
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