Domingo, 8 de Julho de 2012

Uma "montra" ignorada pelos directores de marketing das empresas nacionais

Peter Sagan, da Liquigas, na vitória da 1ª etapa do Tour 2012/FOTO: UCI 

 

Por estes dias, durante três semanas, são milhões as pessoas que se juntam nas bermas das estradas francesas e as que estão em frente aos televisores a acompanhar um dos maiores espectáculos do mundo, o Le Tour de France.

 

A prova rainha do ciclismo é a maior montra internacional para as equipas/marcas se mostrarem ao mundo, com três semanas de audiência garantida a nível planetário. Se a esta prova se juntar as outras duas grandes voltas do calendário UCI World Tour, o Giro e a La Vuelta, então são mais seis semanas de competição com transmissão directa para quase todo o mundo.

 

A estas ainda se podem juntar inúmeras provas com audiência garantida, tais como a volta à Polónia, a volta à Califórnia, a Paris-Nice ou a Critérium du Dauphiné. A estas ainda se podem juntar provas clássicas (de um dia), como a mítica Paris-Roubaix, com transmissão televisiva assegurada e ampla cobertura noticiosa.

 

Enfim, se se contabilizar todas as provas do calendário anual da UCI World Tour, ou seja as mais importantes, está-se a falar de cerca de 150 dias de competição, a maioria com cobertura televisiva e impacto noticioso, obviamente com diferentes audiências.

 

E este impacto corresponde um retorno directo e gigantesco para as marcas que dão os nomes às equipas de ciclismo. Porque, na verdade, as marcas são as equipas, sendo o ciclismo o único desporto onde tal acontece.

 

Não se tratam de meros patrocínios como acontece noutros desportos, mas sim de uma das equipas/marcas que se valorizam automaticamente junto dos adeptos e potenciais consumidores.

 

Só o ciclismo permite essa relação, na qual os adeptos se entusiasmam por marcas. Algo impensável em circunstâncias normais.

 

Alguém no seu perfeito juízo imaginava-se a “torcer” euforicamente por marcas como Liquigas (fornecedora de gás natural em Itália), OmegaPharma (medicamentos), Vacansoleil (rede de parques de campismo), Cofidis (financeira), Europcar (rent a car), Rabobank (serviços financeiros), Saxo Bank (banco) ou a Lampre (empresa de revestimento de aço). Apenas para citar algumas equipas que estão neste momento a participar no Tour.

 

Entusiasmo do público na berma da estrada à espera da passagem das equipas/marcas na 2ª etapa do Tour deste ano 

 

Estas, como outras empresas, há muito perceberam a importância de diversificar o seu investimento em marketing e publicidade para projectos verdadeiramente integrados numa lógica de public relations, como é o caso de uma equipa de ciclismo Pro Tour (o escalão máximo).

 

Também em Portugal há marcas que perceberam a importância de investirem no ciclismo como forma de potenciarem a sua notoriedade. A Porta da Ravessa foi uma delas, lembrou o ciclista Bruno Pires, durante os comentários na Eurosport à etapa de Sábado do Tour. Dizia Bruno Pires, um dos grandes valores nacionais da modalidade actualmente na Saxo Bank, que o retorno da Porta da Ravessa foi imediato.

 

E, por isso, lamenta que as marcas e empresas nacionais estejam a investir cada vez menos no ciclismo nacional, num País que estima muito a modalidade e numa altura em que cada vez há mais atletas portugueses a pertenceram ao pelotão internacional.

 

Numa conversa muito interessante com os habituais comentadores da Eurospot, Bruno Pires acrescentou que um dos problemas das grandes empesas nacionais é a falta de mentalidade e de abertura para a diversificação das suas estratégias de marketing. E sublinhou que, apesar da crise, o problema não é necessariamente a falta de dinheiro, já que as grandes empresas nacionais não têm tido problemas em canalizar verbas avultadas para o futebol ou para festivais.

 

E é aqui que reside a grande questão, porque as grandes empresas nacionais basicamente circunscrevem àquelas duas áreas os investimentos mais significativos.

 

É sem dúvida uma estratégia de marketing conservadora e pouco ambiciosa, sobretudo se tivermos em consideração empresas com uma dimensão assinalável, como são o caso da EDP, da Sonae, da Cimpor, do BES, da PT, ou da Galp.

 

Bruno Pires salientou, no entanto, que muitas das vezes o problema não está nos gestores de topo ou nos administradores dessas empresas, mas sim na falta de conhecimento e de visão dos directores de marketing. Uma ideia com a qual o autor destas linhas concorda em absoluto.

 

Para empresas daquela dimensão estaria perfeitamente ao alcance um investimento para se construir uma equipa de dimensão internacional, que não precisava de ser necessariamente Pro Tour.

 

Além de potenciaram um entusiasmo nacional em redor das suas marcas (algo que não existe), aquelas e outras empresas portuguesas poderiam explorar a sua imagem em mercados internacionais onde estejam a operar ou a pensar entrar através da participação das suas equipas em provas naqueles países.

publicado por Alexandre Guerra às 22:46
link do post | comentar | favorito

autores

Contacto

piar@sapo.pt

tags

todas as tags

links

twitter wall @blog_PiaR

arquivos

pesquisar

subscrever feeds

Visitas ao poleiro