Quinta-feira, 2 de Fevereiro de 2012

reflexões sobre a comunicação como negócio (parte I)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Há cerca de 2 anos sugeri que o volume de negócios do sector da comunicação (considerado nas suas variadas vertentes pub, rp, digital e outros) iria sofrer um decréscimo acentuado por culpa do contexto económico. Hoje é claro que os negócios da comunicação sofreram uma retracção significativa. Sem ter dados oficiais, acho que não me enganarei muito ao dizer que a evolução 2010-2011 trouxe uma depreciação generalizada dos indicadores de gestão e uma redução do valor total das empresas do sector. E se o clima económico explica parte desta situação há outros factores que devem ser contabilizados.

 

O sucesso de qualquer agência/consultora resulta do encontro entre as necessidades sentidas pelos clientes com as qualidades disponibilizadas pelas consultoras. No limite a decisão de contratação de uma consultora/agência resulta de uma decisão racional do decisor empresarial/institucional com base na percepção de valor associado ao serviço e ao prestador desse serviço. Nesta perspectiva o contratante define a sua noção de valor e encontra o preço de equilibrio para a noção de valor definido.

 

Estou convencido que os negócios da comunicação em Portugal sofrem de problemas por estas duas vias (para além do contexto económico): pelo valor atribuído aos serviços e aos prestadores de serviço. Se há honrosas excepções (que se saúdam e incentivam), para a maioria das empresas a situação tenderá a piorar, e se os gestores das empresas de comunicação nada fizerem sobre a construção de valor do lado da oferta, o sector tenderá para ganhos marginais mínimos. E se esta análise fôr válida, a percepção do valor do serviço e a dos prestadores de serviço terão de aumentar de modo a haver uma sobrevivência dos operadores (isto considerando os factores estáveis no actual paradigma de mercado).

 

A questão que se coloca, seguindo este raciocínio, é, como aumentar a percepção de valor sobre os serviços prestados e sobre os prestadores de serviço (considerando estes, como factores críticos de sucesso desta indústria)?

 

É que sem estes problemas resolvidos, não serve de muito queixarmo-nos das avenças, e dos preços, e da concorrência. Sem haver diferenciação do lado da oferta, ninguém se pode queixar que a procura anda a esmagar a indústria.

publicado por Antonio Marques Mendes às 11:30
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