Segunda-feira, 21 de Novembro de 2011

O "monstro" da crónica portuguesa está de parabéns pelos seus 70 anos

 

Vasco Pulido Valente faz hoje 70 anos, aquele a quem o arquitecto Saraiva chamou em tempos de “monstro” (no bom sentido) da crónica portuguesa, pela sua dimensão inigualável na conversão da leitura da realidade política para a arte da escrita regular na imprensa.

 

Indiscutivelmente uma das referências da “opinião” política e social no pós 25 de Abril em Portugal, Vasco Pulido Valente é hoje, no entanto, um homem cansado nas ideias e previsível no seu comentário, esgotada a sua fonte inspirativa, o que é natural ao fim destes anos todos de exigência analítica e produção intelectual.

 

Em Fevereiro de 2008, o autor deste poleiro, escrevia, a propósito da “previsibilidade” de cronistas como Vasco Pulido Valente, que  “muitas das vezes as ideias ou as observações iniciais são pertinentes, mas a forma de as trabalhar obedecem ao tal modelo de pensamento já esgotado e conhecido pelos leitores. Consequentemente, esfuma-se a capacidade de resolver de forma inovadora e surpreendente as questões (muitas vezes boas questões) colocadas à partida. Ora, o que se pede aos colunistas, sobretudo aos mais bem pagos, é que confrontem o leitor com algo de novo e em que nunca tenham pensado. É para isso que existem, de outro forma tornam-se irrelevantes no seu propósito”. 

 

Como o próprio diz numa intensa entrevista feita pelo Pedro Lomba, publicada hoje no Público, “a decadência do corpo nunca vem sozinha. As pessoas perdem capacidade de concentração, o interesse pelas coisas.” Pulido Valente recusa-se, no entanto, a ser retrospectivo, e diz que o grande prazer da idade avançada é “reler” para compreender melhor.   

 

Sendo um homem de grande inteligência, Vasco Pulido Valente talvez terá a noção de que hoje o seu contributo, enquanto comunicador, é menos acutilante e profícuo. Mas, mesmo assim, o seu nível coloca-o numa galeria ilustre à qual poucos cronistas têm acesso. Porque, como o autor deste poleiro escreveu em 2008, “Pulido Valente foi, efectivamente, talvez um dos maiores colunistas que Portugal teve no pós-25 de Abril” e sem dúvida um dos maiores comunicadores.

 

publicado por Alexandre Guerra às 12:23
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