Sexta-feira, 2 de Setembro de 2011

Como é importante manter a palavra "faggot" na música Money for Nothing

 

Nas sociedades contemporâneas a comunicação parece estar cada vez mais agrilhoada à obsessão do politicamente correcto, importando por vezes pouco se as palavras correspondem aos actos. O que conta mais é a imagem da “virgem” virtuosa e a percepção das aparentes boas práticas, independentemente das nuances da crua e palpitante realidade.

 

Neste paradigma de falsidade comunicacional fica-se com a sensação de se estar perante uma espécie de Inquisição revisitada, mas desta vez liderada pelos defensores dos bons costumes e dos comportamentos sociais harmoniosos e politicamente correctos.

 

É por isso que decisões como a da organização Canadian Broadcast Standards Council permitem uma certa focagem naquilo que é o importante processo de veiculação da mensagem tal como ela é na sua origem, nua e crua.

 

Só assim é possível manter um equilíbrio face à ofensiva dos espíritos “iluminados” que pululam por aí e não falham uma manifestação com o intuito de mandar para a fogueira quem ouse ter opiniões que vão contra os cânones do politicamente correcto.

 

A Canadian Broadcast Standards Council veio agora pronunciar-se no sentido da liberdade de expressão e artística, para desagrado de muitos defensores das novas tendências virtuosas.

 

A discussão vinha de longe, mas finalmente teve um desfecho. As rádios canadianas vão poder novamente passar a música Money for Nothing, o sucesso dos Dire Straits de 1985, na sua versão original, na qual se pode ouvir a determinada altura a palavra “faggot”.

 

A Canadian Broadcast Standards Council chegou à conclusão lógica e prudente que a palavra “faggot” estava enquadrada num contexto muito próprio. A decisão daquela organização canadiana é muito importante, porque vem defender a comunicação na sua forma original, sem ceder às operações de cosmética de determinados grupos de pressão e gente pouco esclarecida e sensibilizada. Além disso, esta decisão veio evitar que se cruzasse uma “linha vermelha”, já que a palavra “faggot” surge numa lógica datada e devidamente enquadrada.

 

Qualquer alteração à versão original do Money for Nothing seria não apenas o desvirtuar da música enquanto obra de arte, como uma deturpação da mensagem original.

 

publicado por Alexandre Guerra às 07:06
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