Sábado, 23 de Abril de 2011

Os horrores do conflito comunicados através das lentes do Bang Bang Club

 

Acabou de estrear no Tribeca Film Festival o filme The Bang Bang Club, um nome ouvido pela primeira vez há alguns anos e que simboliza o espírito de missão e de sacríficio dos verdadeiros repórteres de guerra.

 

Na altura, o autor deste poleiro recorda que tinha um recorte de jornal colado na parede do quarto com uma fotografia que valia certamente por mil palavras e que abria uma janela para realidades dramáticas, nas quais os jornalistas de guerra podem às vezes ser eles as próprios vítimas.

 

Na tal fotografia via-se o fotojornalista João Silva a carregar em ombros e com esforço o corpo do seu colega Ken Oosterbroek, morto num fogo cruzado entre elementos da força de manutenção de paz e apoiantes do ANC na cidade sul-africana de Tokoza, a 18 de Abril de 1994.

 

Morria assim um dos quatro elementos do The Bang Bang Club que, além de Silva e de Oosterbroek, contava ainda com Kevin Carter e Greg Marinovich. Autênticos companheiros, destemidos repórteres de guerra que durante anos trouxeram e comunicaram ao mundo os horrores dos conflitos através das suas lentes.

 

Os quatros fotojornalistas cobriram a violência na África do Sul durante vários anos até 1994, ano das eleições que deram a vitória a Nelson Mandela e que puseram fim ao regime de Apartheid.

 

A violência e a pressão psicológica a que estiveram expostos, ao longo de quase toda uma vida profissional, e os acontecimentos dramáticos de Tokoza, acabaram por levar ao suicídio de Carter, logo em Julho de 1994.

 

Mais tarde, em 2000, Silva e Marinovich lançaram o livro The Bang Bang Club: Snapshots from a Hidden War, no qual os dois fotojornalistas comunicam as suas experiências, angústias e medos.

 

Mas, o sofrimento no seio do "clube" continuou, tendo João Silva, reputado fotojornalista no New York Times, sofrido um grave acidente no passado mês de Outubro, ao pisar uma mina durante uma patrulha de soldados americanos em Kandahar. Perdeu as duas pernas abaixo do joelho, estando actualmente a fazer trabalho de recuperação com próteses num hospital militar nos Estados Unidos.

 

Marinovich mantém-se no activo.

 

publicado por Alexandre Guerra às 02:14
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1 comentário:
De João Villalobos a 24 de Abril de 2011 às 12:25
Partilhado. Abraço

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