Segunda-feira, 28 de Março de 2011

Os sábios e os sabichões


A educação é uma importante condição para o crescimento de qualquer país.

 

Muito se falou sobre este tema aquando as manifestações da “Geração à Rasca”, mas não quis de deixar de o abordar novamente, de forma pouco exaustiva, depois deste artigo no “Wall Street Journal”.

 

Este artigo, de 25 de Março, transmite a ideia de "um Portugal do norte de África", onde a iliteracia parece reinar. Será que Portugal é mesmo assim? Onde estão as caravelas e a glória do século XVI, que tão orgulhosamente exibimos para falarmos de nós?

 

É sobre este Portugal, dando enfoque à sua educação, que gostaria que reflectíssemos.


É sobre o Portugal onde apenas 28% da população entre 25 e 64 anos completa o ensino secundário, ao contrário dos 91% da República Checa, dos 87,1% da Polónia, ou mesmo 33,6% do México.

É o Portugal onde o abandono escolar precoce nos homens é de 36%, ao contrário dos 16% da média da EU.

É o Portugal onde a solução para o seu desenvolvimento tecnológico passa por se distribuirem computadores a crianças de 6 anos, cuja maioria dos pais nunca escreveu uma palavra "em Word".

É o Portugal onde se fazem cursos EFA para parecermos mais literatos nos gráficos da Eurostat.

É o Portugal onde os filhos saem de casa dos pais aos 29 anos.

É o Portugal do comprar carro e casa.

(É o Portugal onde mesmo o ex-primeiro-ministro tirou o curso superior de forma dúbia)

É o Portugal onde vivemos.

 

Em países como a Polónia é possível tirar-se dois cursos superiores em simultâneo, o que os estudantes fazem ao mesmo tempo que trabalham para se sustentar. E nós? Criámos pessoas que, para além de "pouco educadas", não têm espírito empreendedor (o que um país precisa em situações de crise). 

 

Fica o apelo à reflexão a todos os que foram ou têm intenções de ser pais, pois grande parte desta responsabilidade é vossa/nossa.

 

 “A sociedade pede sábios, mas nós criámos sabichões”,  palavras de Daniel Sá.

 

 

publicado por Virginia Coutinho às 09:10
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2 comentários:
De Bruno Ribeiro a 28 de Março de 2011 às 10:52
Um post relevante Virgínia. Efectivamente, e com muita pena minha, vivemos num país de "chicos espertos", factor cultural que é incentivado pelo próprio Governo com a farsa das "novas oportunidades" que apenas serve para, como bem referes, aparecermos bem nas estatísticas oficiais.

A ideia de valorizar a experiência profissional de quem não teve a oportunidade de obter um nível escolar superior é, na sua génese, positiva. O resultado prático é no entanto o incentivo à fraude e à procura de atalhos no ensino português.

A falta de exigência para com os estudantes portugueses é sofrível. Já ninguém reprova. Fica mal nas estatísticas. Chega-se ao caso de ouvir uma aluna do 9º ano dizer que, assim que o terminar, vai trabalhar 2 ou 3 anos, e depois faz o 12º em ano e meio pelas "novas oportunidades". Depois, tendo mais de 23 anos concorre às vagas para a universidade.

É o país que temos.
De Virginia Coutinho a 28 de Março de 2011 às 16:02
Afinal também somos o país onde as pessoas se orgulham de "fugir ao fisco" :)

Mais uma vez obrigada pelo teu feedback.
VC

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