Quarta-feira, 2 de Março de 2011

O Aachen Memorandum, Andrew Roberts e as RP em Portugal em 2027

Li o "Aachen Memorandum" de Andrew Roberts há muitos anos atrás. Andrew Roberts, um eurocéptico, escreveu um trama bem urdido e de consumo rápido alertando para os perigos da manipulação de informação. Em síntese, o livro relata o que se vai passando nos Estados Unidos da Europa em 2045, alguns anos após os países do espaço europeu se terem federado num super-estado, com base num processo fraudulento de voto electrónico.

 

Se hoje me lembro deste livro, é precisamente por causa da ideia de logro que tem consequências mais vastas, porque em cadeia, sobre processos que ultrapassam as meras incidências da situação original. Ontem relatava-se em alguma "comunicação social" a intervenção da APCT sobre os números de circulação de jornais e há alguns dias saiu mais uma notícia sobre a novela da medição de audiências televisivas.

 

Os media vivem de publicidade, vivem de números, vivem de consumo de informação. O perverso sistema de avaliação do impacto dos media e dos efeitos da publicidade, conduziu a este estado de coisas: um estado em que se aceitam modelos de avaliação que alimentam um status quo, sem haver a razoabilidade de questionar, na origem, a validade e os reais efeitos da publicidade.

 

E por mais estudos que demonstrem que a publicidade tem um retorno mais baixo do que outras modalidades de relacionamento e de comunicação, por mais relatórios que haja dando conta da incapacidade da publicidade para produzir efeitos de longo prazo sobre o capital intelectual das empresas, nada consegue fazer com que os administradores de empresas e os todo-poderosos directores de marketing portugueses fujam do quadrado e decidam fazer alguma coisa para alterar o estado das coisas.

 

Desde há dois anos que por esse mundo fora se começou a perceber que as tendências estão a virar. Os grandes grupos mundiais de comunicação desde 2009 têm-se virado para as RP/PR como a "next big thing" e os processos de aquisição, fusão ou investimento simples têm-se multiplicado a par dos investimentos em digital e em research (análise dos R&C dos grupos Omnicom e WPP, anos 2009 e 2010). 

 

Pode ser que em Portugal, com o atraso que nos é típico, estas coisas comecem a acontecer lá para 2027 (partindo do princípio que os players do nosso sector decidem, também, fazer alguma coisa, para melhorar a notoriedade e compreensão das empresas relativamente ao que fazemos: e definitivamente nós não fazemos só "press's" e eventos com mini-chamussas).

publicado por Antonio Marques Mendes às 10:44
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