Terça-feira, 25 de Janeiro de 2011

ponto de (des)ordem na Ordem

Tenho vindo a assistir com prazer ao acelerar da discussão sobre a potencial criação de uma Ordem Profissional para os Consultores de Comunicação. Por exemplo aqui, aqui e aqui.

É bom sentir o reforço da necessidade de uma entidade que defenda e represente a profissão e os profissionais. E mais links poderia trazer para aqui. Por exemplo, ir ao blogue do Renato Póvoas, o mais antigo da blogosfera da comunicação, fazer pesquisa por "associação" e ler.

 

Mas, focando na Ordem, não concordo com a criação de uma Ordem. Não estou convencido que seja este o caminho.

 

Uma Ordem pressupõe uma entidade que, por delegação de poderes do Estado, condiciona o exercício de uma profissão à obtenção prévia de uma habilitação académica de licenciatura ou superior. E bastaria este ponto para eu afirmar que o caminho não é uma Ordem. Eu sei que a designação “Ordem” tem força de marca, mas continuo com dúvidas que seja a marca adequada.

 

Mas imagine-se que este até seria o caminho. Então qual seria o curso superior que daria entrada nesta profissão? Pois, teriam que ser vários. E apenas cursos na área da comunicação (comunicação mesmo em termos gerais)? A Alda Telles referiu aqui que nesta profissão as formações são díspares. É verdade, mas nem é preciso falar de formações fora da área da Comunicação. Só dentro desta e assim rapidamente de cabeça, vejamos potenciais licenciaturas: Relações Públicas; Jornalismo; Ciências da Comunicação; Comunicação Social; Gestão de Marketing; Comunicação Empresarial; Marketing; Marketing e Publicidade.  Daria cá uma trabalheira à Ordem por em ordem tanto profissional e tanta formação. E nem fui buscar exemplos de Mestrados.

 

Só restava criar um exame de admissão. E este valorizava a vertente técnica ou a deontológica?

 

E depois não se deve esquecer os que optam ou optaram por uma formação técnica (cursos na área da Comunicação são vários) ou até aqueles que optaram por não ter formação mas têm jeito. Bem sei que, cada vez mais, estes são uma minoria. Mas existem. E este problema irá colocar-se mais à putativa Ordem dos Designers do que a uma dos Consultores de Comunicação.

 

A possibilidade de existência de uma credenciação dos profissionais de Conselho em Comunicação (também convém que de uma vez por todas se defina uma designação única) tem vários pontos fortes. Um deles a possibilidade de os profissionais se poderem credenciar em vários espaços e eventos, sem necessidade de ir atrelados. Estão recordados do acesso ao Parlamento?

 

Outra questão que tem pairado na discussão, erro que também já terei cometido, é o de questionar se o necessário papel de defesa dos profissionais (o papel da defesa da profissão é outra questão) não deveria ser feito pela APECOM? Não. A APECOM assume-se como associação de empresas. E esse é o seu espaço.

 

Mas o que é então preciso para, citando o Fernando, fazer o que ainda não foi feito? Confesso que não sei bem. Como diz o titulo do post só estou a fazer um ponto de ordem e não a pôr ordem. (vou acrescentar um "des" no título)

 

A solução passa pela existência de uma associação de profissionais. E escrevo “existência” e não “criação”, porque existem dois fóruns que já estão criados e podem ser aproveitados e potenciados.

 

A Associação de Relações Públicas de Portugal, criada no seio do ISMAI, que teve algum trabalho feito de inicio, como podem ver pelo link, mas não mais se ouviu falar, embora ande activa no facebook (convite que não aceitei por ser um perfil, mesmo tendo grupo criado), mas sem que ser perceba se o objectivo é sair para fora dos muros do ISMAI.

 

E a APCE, Associação Portuguesa Comunicação de Empresa, que tendo surgido como uma associação de empresas, abriu as suas portas a associados individuais e tem desenvolvido um interessante trabalho, em especial na criação do  "Código de Conduta do Gestor de Comunicação Organizacional e Relações Públicas". Será que os associados colectivos da APCE estariam dispostos a mudar o nome da associação e a refundar os seus objectivos? Ou seria possível um spin off?

 

Agora que já lancei umas achas para a fogueira e até eu estou cheio de dúvidas têm a caixa de comentários à disposição. Concordem, discordem, acrescentem.

 

É que depois de estar definido o que fazer por cá, teremos que pensar nas ligações internacionais. Mas deixemos os bois à frente do carro.

 

publicado por Rodrigo Saraiva às 00:12
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3 comentários:
De Sofia Aureliano a 25 de Janeiro de 2011 às 12:53
Há uns tempos diria que o caminho poderia estar na criação de uma entidade homóloga ao Council of Public Relations Firms (http://www.prfirms.org/), cujo sucesso dependeria de alguns pressupostos:
1. Ser uma entidade tão credível que ser membro seria aconselhável (com o tempo, necessário) para ter sucesso no setor;
2. Ser uma entidade idónea, imparcial, democrática e assertiva, que fizesse pareceres ativos sobre o setor (a credibilidade da entidade deveria ser suficiente para forçar a correção de condutas menos próprias);
3. Ser ativa e perentória na promoção de iniciativas que dignifiquem a profissão e os profissionais das relações públicas.
Hoje em dia (não querendo baixar os braços, mas já baixando), acho uma perfeita utopia. Porque ainda que os protagonistas não fossem sempre os mesmos, acho que os erros voltariam a ser cometidos.
De Carolina Enes a 26 de Janeiro de 2011 às 16:35
Eu acho que para criar uma ordem, uma nova associação, uma federação, o que for, é preciso ter, desde logo, um precioso recurso: dinheiro. Dinheiro, tempo (ou seja, disponibilidade) e uma equipa composta pela pessoas certas: que percebam da realidade do meio académico, de legislação, do meio empresarial, que tenham capacidade de mobilização. Não querendo ser pessimista, acho dificíl encontrar e juntar todos estes três recursos no curto prazo.

Ainda assim, gostei muito desta tua (des)ordem. É isto que faz falta e não de posts em blogs vários que funcionam como balas de canhões, ora agora lançadas daqui, ora agora dali.
De Anónimo a 7 de Fevereiro de 2011 às 17:53
Força Rodrigo, avança!

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