Sexta-feira, 7 de Janeiro de 2011

Word of Mouth - Fernando Moreira de Sá (edição especial)

 

 

A Morte do Assessor de Imprensa (em três capítulos).

 

 

por: Fernando Moreira de Sá

Consultor de Comunicação e Blogger

 

Depois de uma discussão de facebook que passou para os blogues (aqui, aquiaqui e aqui ) nada como continuar o debate sobre o tema aqui no PiaR.

 

Um título tenebroso (e o que dizer de dividir a coisa em três partes? Um verdadeiro “The Texas Chainsaw Massacre”) para um tema delicado.

Vou procurar explicar dividindo em três posts aqui no PiaR (graças à amabilidade do Rodrigo): Da Comunicação de Massas à Comunicação das Massas; Do Pombo-correio ao Twitter – as Redes Sociais; A Comunicação Integrada e o Consultor de Comunicação.

 

 

1.Comunicação de Massas vs Comunicação das Massas

 

Os primeiros assessores de imprensa surgem da necessidade de intermediação entre as instituições e os diferentes órgãos de comunicação social de molde a que as primeiras consigam, através das segundas, chegar às massas.

 

Eram tempos de vias de sentido único: Instituição – OCS – Público. Os leitores/ouvintes/espectadores liam/ouviam/viam aquilo que os diferentes órgãos de comunicação social transmitiam. Os Assessores de Imprensa serviam de elo entre o seu cliente e o OCS. As mensagens transmitidas pelas diferentes instituições passaram a adoptar uma linguagem jornalística e o assessor procurava ser uma espécie de nanny. Ainda hoje, em inúmeras instituições, olham para o assessor de imprensa como aquele tipo(a) que vão contratar para “colocar” notícias, apaparicar os jornalistas e, eterno desejo secreto, evitar as más notícias. Acreditando piamente que todos os jornalistas são parvos. Enfim.

 

De repente, tudo muda. As massas ganham poder comunicacional próprio e os OCS deixam de ser o único veículo de transmissão de informação. A “Era Digital” transforma a comunicação de massas em comunicação das massas – o recente caso “Ensitel vs Maria João Nogueira” é disso um bom exemplo:

 

No tempo da “Comunicação de Massas” a Maria João até podia enviar uma “carta do leitor” a contar o seu caso com a Ensitel e, com alguma sorte, a cartita lá seria publicada. Até podia colocar um anúncio de jornal e a coisa duraria um, dois dias com muita sorte e talvez algumas centenas de pessoas tropeçassem no assunto.

 

Neste tempo da “Comunicação das Massas” a Maria João publicou um post no seu blogue, alguns milhares leram e chegou aos ouvidos da empresa em causa. Esta, pensando que ainda vivia nos primórdios da “Comunicação de Massas” utiliza o músculo e processa judicialmente a blogger. Resultado? Um verdadeiro fim do mundo para a Ensitel com a blogosfera e as redes sociais solidárias com a Maria João e milhares, muitos milhares, de consumidores a pintar de negro as cores da empresa. Esta recuou e agora vai procurar, naturalmente, gerir os danos por ter acordado muito tarde para uma nova realidade.

 

O que pode fazer o Assessor de Imprensa tradicional num caso como este? Uma nota informativa? Um press release? Com que tipo de linguagem, jornalística? Para que meios? Onde está o “inimigo”?

 

Pois é, de repente…tudo mudou.

 

(continua… na segunda-feira)

publicado por Rodrigo Saraiva às 15:10
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